por C.A. - Quinta-Feira, 22 de Janeiro de 2009, às 15:49

É tribuneiramente sabido que desconfio de Barack Obama, que tenho horror a qualquer modalidade de messianismo, e que leio momentos históricos definidos [estabelecidos] com antecedência como armadilha incontornável, porquanto ceguem os passos futuros todos, inevitável e tristemente. (Sim, sou pessimista).
Porém, pior que o jeito resignado - é o destino!, ele pensará, sempre posando - com que Obama recebe [e aceita] a missão de guia-redentor universal, é o modo como os intelectuais do mundo se têm deslumbrando diante de deus todo poderoso, salve-salve.
Agora é Jose Saramago, sem vergonha de chafurdar a prosa bela, que nos apresenta a nobel conta de sua senilidade [sou generoso com o escritor] - e talvez mesmo já veja o chamado do Senhor ao fim do túnel, blim-blom…
As minhas observações vão entre colchetes:
“Donde saiu este homem? [Esta justamente é a pergunta que não se quer responder]. Não peço que me digam onde nasceu [à vera, no Quênia, mas, dependendo do interlocutor, pode até ser nos EUA], quem foram os seus pais [igualmente, dependerá do interlocutor a ser agradado], que estudos fez [melhor lhe perguntar pelos mestres…], que projecto de vida desenhou para si e para sua família. [O projecto se vem de apresentar-empossar; é sobre a conta a pagar que pairam dúvidas]. Tudo isso mais ou menos [mais para menos] o sabemos, tenho aí a sua autobiografia [caso mui comum de autobiografia escrita por outrem], livro sério [se lido por ficção] e sincero [se o soubermos concebido pelo pinóquio], além de inteligentemente escrito [mérito ao pinóquio desconhecido]. Quando pergunto donde saiu Barack Obama [não pergunte se não estiver preparado para a resposta] estou a manifestar a minha perplexidade [e eu, a minha!] por este tempo que vivemos, cínico, desesperançado, sombrio, terrível em mil dos seus aspectos [lendo estas linhas, não poderia concordar mais], ter gerado uma pessoa (é um homem, podia ser uma mulher) [um homem ou uma mulher gay, ora, para arredondarmos o politicamente correto] que levanta a voz [se eu estiver certo, ele ainda a vai levantar…] para falar de valores [sim, já congelou os altos salários], de responsabilidade pessoal e colectiva [ética cristã purinha e aborrecida, a mesma que o nobel escritor sempre repudiou], de respeito pelo trabalho [mas vai demitir em massa, já-já], também pela memória daqueles que nos antecederam na vida [e então, sem saber, Saramago fala de si]. (…)”
(Para ler na íntegra a missa - aqui).
Emocionante…


Quinta-Feira, 22 de Janeiro de 2009, às 16:06
Pois eu acabei de ler lá no 30 segundos, e fiquei bastante aliviada. Porque dessa vez estou bem acompanhada na minha ilusão.
Quinta-Feira, 22 de Janeiro de 2009, às 16:13
Ninguém vai elogiar o pinóquio tribuneiro!?
Quinta-Feira, 22 de Janeiro de 2009, às 16:15
Adorei o pinóquio!
Quinta-Feira, 22 de Janeiro de 2009, às 16:16
Você é muito chato, Andreazza, mas não posso lhe negar o talento. Esse pinóquio tá sensacional e a foto do outro post também.
Quinta-Feira, 22 de Janeiro de 2009, às 16:20
Chato é elogio aqui, Olga; sei que você sabe disso. Fico feliz em ter “minhas” imagens reconhecidas.
Quinta-Feira, 22 de Janeiro de 2009, às 16:33
Andreazza, gostei tanto da “sua” imagem (o movimento é sensacional)que até copiei. Tem problema?
Quinta-Feira, 22 de Janeiro de 2009, às 16:34
Convém sempre lembrar, em casos de sujinhos-anciãos como Saramago, García Márquez e Niemeyer, que sua completa idiotice moral não se deve à senilidade, mas, sim, muito antes desta, à pura escolha pessoal pela cumplicidade ao terrorismo. Mas nada disso importa, de fato, se comparado à fantástica dança do Pinóquio - um marco na história desta Casa. Eles merecem.
Quinta-Feira, 22 de Janeiro de 2009, às 16:44
Pim, adorado, endurecer sem perder a ternura, já dizia o “sujinho-mor”.
E terrorrismo, Pim, é faca de dois gumes.
Quinta-Feira, 22 de Janeiro de 2009, às 16:50
Caramba! Terrorismo já é uma “cousa” com três “r”, com quatro, Alah!
Quinta-Feira, 22 de Janeiro de 2009, às 17:10
Olga, divina, “Faca de dois gumes” é apenas uma ficção brasileira.
Quinta-Feira, 22 de Janeiro de 2009, às 17:11
Seria uma ofensa grande dizer que esse Pinóquio ficou “fofo”?
Quinta-Feira, 22 de Janeiro de 2009, às 17:17
“Terrorismo é faca de dois gumes”.
Adorei, Olga.
Quinta-Feira, 22 de Janeiro de 2009, às 17:18
Em tempo: que CORNO sensacional foi Paulo José!
Quinta-Feira, 22 de Janeiro de 2009, às 17:21
Secchin, todos nessa Casa são “fofos”.
Quinta-Feira, 22 de Janeiro de 2009, às 17:55
Pian, o Paulo José é sensacional mesmo quando não é Corno.