por C.A. - Terca-Feira, 13 de Janeiro de 2009, às 16:47

O carnaval de 2009 ainda nem chegou, mas o de 2010 já faz história [o fim da história, segundo tese do historiador nipo-caxiense Jaider Soares]. Veja, afinal, o que nos relata o jornal O Dia em sua versão online:
“A Grande Rio homenageará - com enredo - os 20 anos do camarote da Brahma.”
O contrato foi assinado ontem e prevê [pasmem!] uma alegoria inteira dedicada à vida longamente sambística de Gisele Bündchen, eterna madrinha do camarote.
Ousadia é isso.
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Curioso é que a Grande Rio pode assinar, sem qualquer preocupação quanto ao futuro, contratos de enredo a perder de vista. Enquanto durar o esquema do bicho no carnaval, o lugar da escola no Grupo Especial - e no desfile das campeãs - estará assegurado, apresente o enredo que quiser.
Aliás, pensando sob a lógica enviezada que governa o carnaval das escolas de samba hoje, apostaria todas as minhas fichas em que o primeiro título da Grande Rio viesse, coerentemente, neste já anunciado desfile de 2010.
Ocorre que já apostei: a Grande Rio vencerá o carnaval de 2009, este que se avizinha. (E podem me cobrar depois).
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Ocorre também que o título deste post é falso.
No dia - e ele virá - em que a contravenção perder o controle sobre o carnaval [quando o dinheiro sumir ou minguar], muitas escolas de samba hoje poderosas desaparecerão, ou retornarão ao saudável bloco de sujos que um dia foram. É o caso da Grande Rio. (E então será o fim do carnaval, sim, mas só para ela).
Neste momento, decisivo, restarão apenas aquelas agremiações que sempre - perdendo ou ganhando, ricas ou pobres - insistiram em cultivar uma história, um povo.
É o caso do Império Serrano. E da Portela. E da Mangueira. E do Salgueiro. E da Vila Isabel. E, sim, também da Beija-Flor.


Terca-Feira, 13 de Janeiro de 2009, às 10:21
Às vezes, tenho dúvidas - quando vejo Gracianes, Ivos Meirelles, Carlinhos de Jesus e outros - se a Mangueira ainda merece figurar nesse grupo.
Terca-Feira, 13 de Janeiro de 2009, às 12:26
Apesar de tudo, é muito justo de sua parte incluir a Beija-Flor neste grupo de escolas que cultivam seu povo.
Gostei.
Terca-Feira, 13 de Janeiro de 2009, às 14:31
Carlos, xará, a Manga ainda merece… Mas, bem, tem de se fazer por onde sempre.
Terca-Feira, 13 de Janeiro de 2009, às 14:33
Pian, bom Pian, a Beija-Flor conquistou o seu espaço - e decerto que sobreviverá, talvez ainda melhor, no dia em que se livrar dos bandidos.
Terca-Feira, 13 de Janeiro de 2009, às 08:39
Carlos,
o Ivo, mesmo com todos os seus problemas, é cria do morro e foi ritimista e compositor da Escola (inclusive o samba de 86 é dele). O Carlinhos, mesmo não sendo cria da Escola, foi responsável pela mais bela e emocionante comissão de frente da história (desfile de 99). Teve problemas de megalomania depois, mais não afasta seu belo trabalho fiel ao samba. Quanto à Graciane, daí eu concordo.
A fase da Escola de fato não é boa mas, ainda assim, ela se mantém Escola de Samba na acepção da palavra. Seus ritimistas e seu Diretor de Bateria são da casa; o casal de MS&PB é da casa; as principais funções são desempenhadas por gente da casa. A Mangueira está precisando, todavia, a botar mais a sua gente na avenida e fortalecer a sua Ala de Compositores.
Terca-Feira, 13 de Janeiro de 2009, às 09:53
Gustavo, o ótimo samba de 86, um dos meus preferidos, não perdoa toda a vida posterior do Ivo Meirelles. O mesmo vale para o Carlinhos de Jesus. Aliás, a mesma escola que faz aquela comissão de frente, depois homenageia o frevo no ano do centenário do Cartola. Só essa heresia já faria a Mangueira não merecer ficar nessa galeria.
Terca-Feira, 13 de Janeiro de 2009, às 09:54
A Beija-Flor, apesar de alguns fru-frus, é muito merecedora do título de escola que respeita o carnaval. Uma escola que faz um ensaio em Nilópolis na quinta e lota a quadra só com sua comunidade merece muito respeito.
Terca-Feira, 13 de Janeiro de 2009, às 18:22
Concordo quanto ao respeito, mas faço um adendo: com as fantasias sendo pagas pela direção (e sabe-se lá com dinheiro de que origem), fica mais fácil cobrar e pôr comunidade para ensaiar. Não adianta: falar em Beija-Flor é falar em quem a comanda.
Terca-Feira, 13 de Janeiro de 2009, às 08:34
Marcelo, você tem absoluta razão.