por Bruna Demaison - Sexta-Feira, 19 de Dezembro de 2008, às 16:43
Quem achava que o ano já tinha acabado e estava conformado com o sapatinho solitário na janela do quintal, anime-se! Descobertas revolucionárias e lançamentos literários prometem milagres nos chopes natalinos.
Em Edimburgo cientistas divulgaram que assistir a comédias românticas pode prejudicar a vida amorosa. As situações idealizadas nos filmes criam expectativas que não são correspondidas e trazem implicações sérias como, por exemplo, problemas de comunicação. Os fãs do gênero acreditam que alguém foi feito para ele e vai saber o que fazer sem que isso precise ser dito claramente, além de outras ilusões. Os pesquisadores poderiam ter revelado tamanha descoberta antes e poupado meu trabalho de procurar um prédio com escada de incêndio externa pro Richard Gere subir, mas agradeço o alerta. Resolução de ano novo: veremos menos filmes da Julia Roberts.
Da França vêm mais boas novas científicas para homens com problemas em conquistar mulheres – coisa que não acontece no Rio, mas é bem comum lá fora. No período fértil elas ficam mais dispostas a dar o número do telefone a estranhos! Mulheres que não tomam anticoncepcionais responderam com duas vezes mais facilidade do que as outras, o que levanta a possibilidade de ser lançada ainda em 2008 a campanha “Pare de tomar a pílula”. A pesquisa espalhou homens bonitos pelas ruas, o que obviamente cria um ambiente irreal, mas se o galanteador fracassado ficar atento ao ciclo menstrual do seu alvo o jogo pode virar.
Se você acha um pouco complicado identificar o dia da TPM assassina, calcular mais quatorze e assim determinar a hora certa da cantada, Papai Noel pode trazer um presente das livrarias. Alec Greven, de 9 anos, escreveu ‘How to Talk to Girls’. Em 46 páginas o garotinho ensina o que todo homem passa a vida tentando aprender. Achar meninas é fácil, elas estão em todas as partes, o pulo do gato é achar a certa para você (exatamente o que eu penso sobre calças jeans). Apesar de difícil, já que a maioria delas não gosta de nojeiras e meninos não gostam da Hannah Montana, a tarefa é possível. A melhor escolha é uma garota comum, as muito bonitas são pouco afetuosas com seus admiradores, e a melhor técnica de aproximação é o bom e velho oi – se ela responder, ponto! Para saber se o interesse é recíproco, repare se ela fica sorrindo muito. Atenção: se você for o garoto mais legal da sala todas ficarão sorrindo, é como ser um ímã e elas o metal, mas não se deslumbre: escolha uma ou a coisa sai de controle. Talvez os garotos americanos sejam maus administradores.
Como os leitores de Alec não são exatamente galãs (diferente dos do Tribuneiros), ele sugere cuidados prévios para aumentar as chances de sucesso: tome banho, penteie o cabelo, não seja muito engraçadinho nem hiperativo. Corte até o açúcar se for necessário porque a menos que a garota seja elétrica – o que é muito raro – você não terá um bom começo. Tanto lá quanto aqui, vá até ela. Sim, ela vai virar a cabeça, fingir que não viu, coragem! Ele sugere perguntar sobre o episódio X de uma série. Acho que se você falar sobre Gossip Girl a menina pode transformá-lo no amigo gay que ela sempre sonhou, o que vai permitir que você a veja nua, mas não exatamente no contexto desejado. Não sei se garotos de 9 anos já se preocupam com essa parte, então é melhor adaptar o conselho e falar sobre cinema.
Alec diz que você deve elogiá-la, mas não exageradamente porque ela pode desconfiar do seu interesse e ninguém deve descobrir isso (por mais contraditório que pareça). Assim, não dê presentes! Se você não está mais no primário esse conselho pode ser desconsiderado, aos 9 anos existe o risco de toda a classe começar a cantar “Joãozinho gosta da Maria, lálálálálá”, o que não acontece em ambientes freqüentados por maiores de idade (ou pelo menos não quando eles beberam pouco).
Cerca de 73% das meninas dão o fora nos meninos e esse percentual sobre para 98% quando falamos das bonitas. O que quer que aconteça, não pareça desesperado, não ajoelhe, não implore, elas vão dispensá-lo de qualquer forma. Você deve ser capaz de superar a rejeição e, ao contrário da dica anterior, essa se aplica do maternal ao pós-doutorado. Uma decepção pode arrasar sua auto-estima, prejudicar suas notas, é muito problema por causa de só uma garota e é como Alec diz – a vida é dura, bola pra frente. Até uma criança sabe disso.
O pequeno astro não tem certeza se cem por cento das meninas se interessam por escritores, mas já reparou que muitas sim (e vou acreditar que a lógica funciona quando há uma escritora e meninos envolvidos). Apesar de expert no assunto ele está solteiro, mas só porque se acha muito novo para um compromisso (Alec não diz se isso passa), e alerta: não basta ganhar a garota, é preciso mantê-la. Seja legal, mantenha-se limpo, controle sua hiperatividade e assim podem ficar juntos até o 2º grau, que é quando você pode começar a levá-la para sair e até se casar com ela.
O livro virou um sucesso na feira da escola e foi comprado por um estúdio de Hollywood. O perigo é os produtores usarem esse final feliz para transformá-lo em comédia romântica, recomeçando todo o ciclo. Aí nem a promessa de verão, período fértil para a caça, ajuda.


Sexta-Feira, 19 de Dezembro de 2008, às 14:40
Bru,
Na esperança do Mertilon Conti fazer efeito eu pergunto:
Qual seu telefone?