por Bruna Demaison - Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008, às 11:08
Eu poderia ligar para você. Numa noite fria, sábado chuvoso, manhã com muitas horas pela frente, numa improvável terça-feira ao meio-dia, madrugada etílica, eu sei fazer isso. Poderia mandar um email: perguntar se o Little Joy vai tocar no Brasil, vender ingresso pro show da Madonna, implicar escrevendo Cabañas em letras garrafais. Poderia passar em cada lugar da cidade para, sem querer, esbarrar coincidentemente – você aqui de novo? Estender minha canga na sua praia, beber no seu bar, te tirar pra dançar Chico, poderia fazer tudo o que já fiz com todos os outros.
Eu poderia me convencer de que você é inseguro. Um sorriso a mais me dá certeza de que o medo de apressar as coisas é o que te impede, ou que, coitado, você tem trabalhado demais, é falta de tempo. Não quer magoar a ex, está sendo cuidadoso. Olha o calendário, é verão, logo o Natal, viagem de reveillon, daqui a pouco Carnaval, vai me ligar em março! Quando a Mangueira atravessar a avenida você vai me beijar, está só esperando a hora certa, eu não sou qualquer uma. Um abraço é a senha para a grande revelação: está em minhas mãos, só depende de mim, vou atrás de você.
Mulheres já são chefes de estado, controlam impérios e criam filhos ao mesmo tempo, é óbvio que somos capazes de ir atrás de quem queremos. Se nem o frentista me enrola com aquela cara de preocupado mostrando a vareta suja de óleo não é o seu silêncio que me confundiria: estou apta a te convidar para jantar!
Mas eu não deveria, não é? Porque você é totalmente capaz de pegar um telefone, quem conjuga um verbo sabe fazer uma pergunta. Eu só posso esperar? Tanta evolução, emancipação, aula de finanças, danças, línguas e o único plano de ataque envolve um belo vestido, mexer no cabelo e torcer? É muito frustrante. Se minha única ação nessa cena é chamar a sua atenção vou esperá-lo deitada em um caixão de vidro com anões ao redor, mais chance de não passar despercebida.
Não daria para evoluir também e achar graça em ser conquistado? Não só aceitar que façamos isso, tirar onda de “acho irado mulé que chega”, é deixar para trás o complexo de macho alfa e me dar uma chance de fazer mais do que piscar os olhinhos. Mas se o bom é conquistar, importante é ganhar a guerra, ir à caça e urrar tal qual um urso vencedor, minha rendição será sua recompensa. Não vou tirar o seu prazer.
Eu poderia inverter a ordem e te arrastar para a minha caverna, me considerar a enviada dos céus para provar que é possível tomar a iniciativa, abrir o jogo e ganhar o moço. O problema é que os ex-inseguros, cuidadosos e muito ocupados atazanam minha memória trazendo uma verdade simples, universal, antiga e dolorosa: se roubarem meu telefone, o antispam bloquear seu email, se nenhum dos dois tiver Orkut, eu pegar dengue e ficar presa em casa e você realmente me quiser, vai achar meu prédio e o quiosque de flores ao lado.
Eu poderia não lembrar isso. Ou você poderia me querer.


Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008, às 11:42
“show da Madonna”, “Cabañas” e “Quando a Mangueira atravessar a avenida”.
Por esses referenciais já deu pra ver q esse cara não presta,
Bru.
Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008, às 12:22
comento ao vivo, principalmente as ultimas frases (” se roubarem meu telefone…”)
Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008, às 15:12
Bonito texto.
Sobre “o bom é conquistar, importante é ganhar a guerra” Eu acho que ganha a guerra quem está junto de quem gosta. Aquele que prefere o prazer da conquista à companhia certa ainda não é evoluído o suficiente para ter ao lado uma mulher que “controla impérios e cria filhos ao mesmo tempo”. Para esse tipo de homem, acho que seria mais adequado uma Amélia…
PS: Como referência carnavalesca, substituiria Mangueira por Império Serrano. Da-lhe Serrinha !!!!
Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008, às 16:27
Bru,
Eu adoraria ser conquistado por vc.
Mas se vc vier com essa de xouzinho do Little Joy e querer dançar Chico, eu te dou toco.
Agora, querer beber no meu (Embalo) bar já é um bom começo.
Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008, às 19:56
Bruna,
Imediatamente depois que eu li o texto, fiquei sem saber o que dizer. Mas agora sei: perfeito!
Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008, às 22:50
eu queria promover um encontro da Bruna com o Rodrigo Pian, a julgar pela espirituosidade acho que seria bem sucedido!
Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008, às 09:46
Querida Bruna, como diz aquela velha anedota ” na vida tudo é passageiro, tirando o cobrador e o motorista…”.
Não se preocupe com tendencias, culturas, apologias, nem sempre elas estiveram aqui, mas com toda certeza, elas passarão!
Tudo é transitório e temporário, até mesmo esse receio de alterar a ordem das coisas! Isso vai passar!!!
Mas existe uma coisa que talvez demore mais para apassr: a sensação de arrependimento de não ter feito o que devia quando se podia!
Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008, às 11:22
Julieta, aposto que esse encontro entre o Pian e a Bruna não ia dar em nada.
Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008, às 14:10
Depois as pessoas falam mal do Barrichelo quando ele reclama do Schummy…