por C.A. - Terca-Feira, 25 de Novembro de 2008, às 16:01
Tenho me excedido [com gosto] em debates imperianos pelos mais variados sites carnavalescos - nos quais entro e me identifico [sempre] com meu nome verdadeiro. (Não sou covarde). Num deles, mui famoso e de linha editorial descaradamente portelense, venho aturando um tal anônimo que assina “guerreiros da águia”, cousa que, desconhecendo por completo, venho de descobrir, é alcunha de uma torcida organizada da, ora-ora, grande Portela, eu nunca vi coisa mais bela…
A personagem, afinal, escreve assim - copio literalmente [porquanto em todo canto haja quem fie letras em caixa-alta como sinal de destaque e grandeza]:
“PORTELA é PORTELA, São 21 títulos. Império é Lixo, Lixo e Lixo.”
Meu comentário-resposta, que também lá publiquei, é o seguinte:
“Vamos citar Natal, o da Portela, bandido fundador do carnaval [cada uma revoluciona como pode…], para lembrar que pelo menos [eu diria mais] quinze títulos da nobre agremiação de Oswaldo Cruz foram conseguidos-arrematados na alcova, não raro à bala, sempre sob a regra calada e 21 ameaças as mais criativas [carnavalescas, sem dúvida].
Grande, grande Portela!
(Se é para falar de lixo, bem, vamos em frente; sempre evitei tocar neste assunto, mas)…

Que tal lembrar também do carnaval de 2005, aquele, vergonhoso, em que a nobre Portela tungou a própria velha-guarda e fez um desfile [cortejo fúnebre], sob quaisquer aspectos, terrível, não sendo rebaixada por obra e graça dos bandidos discípulos de Natal… (Acho que a escola jamais subiria).
Se há, no mundo todo, uma escola de samba que não pode reclamar da barbárie contraventora levada a cabo nas sombras da Sapucaí, hoje, pela Beija-Flor [e, no passado recente, por Mocidade e Imperatriz], esta escola se chama Portela.
E declaro aberto o carnaval tribuneiro!


Terca-Feira, 25 de Novembro de 2008, às 16:54
Já tinha lido seus comentários por lá. Fico sempre muito bem impressionada com a forma aguerrida com que você defende a sua escola, com uma seriedade, um compromisso, bonitos de ver. Mas você acha que esse comentadorzinho de meia tigela merece tão especial resposta? Seja lá quem for, não serve nem pra lamber o chão por onde passará o seu Império.
E de mais a mais a grande Portela não tem culpa desses malfeitores que existem na grande totalidade das escolas. Ela é maior que eles.
Terca-Feira, 25 de Novembro de 2008, às 16:59
Olga, falou do Império, e o comparou a quem quer que seja, deus ou até mesmo portela, o couro vai comer. É regra. (rs)!
Beijo imperiano!
Terca-Feira, 25 de Novembro de 2008, às 20:00
CA,
E outros grandes portelenses, como Manacéa, Candeia e principalmente o Paulo que tanto fez pelo carnaval e pelas escolas de samba? Não existia nem jogo do bicho naquela época em que foi plantada a semente das escolas de samba. Se vc for procurar direitinho, todas as escolas têm as suas máculas. Apenas para citar um caso recente, lembremos do Marquinhos do Anéis, que presidiu O Império de 95 a 98 e que levou a gloriosa verde e branco ao rebaixamento com aquele “belíssimo” enredo sobre o Beto Carreiro. Vc como bom imperiano deve conhecer o currículo(ou FAC) do sujeito, que esse ano foi assassinado com uma penca de tiros nos cornos. Abraço!
Terca-Feira, 25 de Novembro de 2008, às 21:26
Mitke, o Sr. Marquinho dos Anéis, em que pese todos os seus defeitos [não valia nada], foi eleito - democraticamente - pelos sócios do Império Serrano. Por sua péssima gestão [e pelos prejuízos que legou à escola], teve seu mandato cassado. Era - até ser morto [por motivos criminosos que nada tinham com a ver agremiação, como comprova o inquérito] - o único ex-presidente do Império que não ostentava o título de Grande-Benemérito.
De fato, todas as escolas têm suas máculas. As do Império, porém, decorrem da liberdade.
Um abraço imperiano!
Terca-Feira, 25 de Novembro de 2008, às 05:07
CA,
É realmente uma mácula na história do Império ter tido a oportunidade de escolher o presidente de sua Escola pelo voto e tê-la colocado nas mãos de um bandido. Coisas da democracia… Aliás, o fato de o Sr. Marquinhos dos Anéis ter sido eleito pelos votos dos components da Escola não significa que esta eleição tenha sido democrática. Não creio também que vc deva confiar no que consta dos autos do Inquérito, pois vc não está na Suiça, onde acho que sequer existe Carnaval. O Sr. Marquinhos teve forte ligação com o tráfico de drogas e inclusive foi preso em operação da PF antes mesmo de presidir o Império. Acho difícil que nos 3 anos de sua gestão nenhum dinheiro do tráfico tenha sido empregado na escola, ao menos para lavagem. O Natal, quando ingressou na Portela era anotador do jogo do bicho e já nessa época, sem usar de qualquer poder da contravenção, era muito querido na Escola pelo amor que a ela devotou. A diferença é que na gestão do Sr. Marquinhos o Império foi rebaixado, enquanto que na gestão do Natal a Portela teve sucessivas vitórias. Acho que as conquistas conquistas da azul e branco devem sim ser creditadas à garra e ao amor de seus componentes. Pensar o contrário seria aceitar que o bandido que presidiu a Portela era mais competente do que aquele que presidiu o Império e que somente isso seria suiciente para ganhar um carnaval.
Terca-Feira, 25 de Novembro de 2008, às 07:19
Mitke,
Não creio que os presidentes Collor e Lula sejam uma mácula para a história do Brasil, apesar de achá-los terríveis, cada um a seu modo - e por motivos bem diversos. A democracia não impede grandes equívocos [bandidos ou incompetentes] - mas os supera.
Decerto que o Sr. Marquinho dos Anéis levou dinheiro sujo para o Império. Dinheiro que foi cassado junto com o mandato dele. Porque o Império Serrano não tem - e nunca teve - dono. Esta é a diferença - e a considero decisiva, Mitke.
(Em tempo: eu acredito no inquérito, sim, ao qual tive acesso - claro, fundamentado e muito bem redigido, ademais).
Já Natal, bem, este foi dono da Portela, durante décadas, sem jamais levar um voto, mandando e desmandando - com truculência. (E era muito querido pelos portelenses, já que os que não eram logo foram “rebaixados”). Foi um bandido - o bicheiro fundador desta contravenção infinita que comanda o Rio. Acho inadmissível esta idéia romântica - o bom bandido - que dele insistem passar… Talvez, com razão, fosse - era - mais, muito mais competente [muito mais poderoso e influente também…] que o Sr. Marquinho dos Anéis. Era, contudo, bandido igual - sob a vantagem absoluta das sombras, uma vez que não houvesse a fiscalização e a visibilidade midiática de hoje. Sabe-se que uma penca de títulos da Portela, talvez sem necessidade [talvez viessem do mesmo jeito…], decorreu da violência com que Natal pressionava, arma em punho, os jurados.
E a Portela sempre à frente - você tem razão, Mitke: até em matéria de bandidos, os dela são melhores e mais eficientes! (Que cousa)!
Abraço imperiano!
Terca-Feira, 25 de Novembro de 2008, às 08:58
CA,
Disse que as conquistas da Portela deveriam ser creditadas à garra e ao ao amor de seus componentes e que pensar ao contrário seria aceitar que tais conquistas se relacionassem a competência dos bandidos . Portanto, não disse que os bandidos da portela são mais eficientes, como vc, em sua boa retórica, tenta fazer crer. O dinheiro do tráfico não foi cassado junto com o Marquinhos, e sim empregado/lavado em 3 anos de desfile, que o Império não teve a competência de ganhar. Depois o Marquinhos foi cassado e o dinheiro sujo parou de entrar, o que considero um grande mérito para a agremiação.
A idéia do bom bandido, do “malandro maneiro”, quem insiste em passar e em homenagear é o líder da Velha Guarda da sua escola. Abraços Portelenses!
Terca-Feira, 25 de Novembro de 2008, às 09:36
Mitke, o dinheiro - lavado ou não - de que você fala jamais apareceu nos desfiles do Império. (Eu estava lá, em todos, e vi as alegorias ruírem na avenida)… A grana, toda ela, foi para o bolso fundo do bandido e de seus comparsas, assim como o foi os quase três milhões investidos pelo Beto Carrero. (E ainda que esta dinheirama tivesse $aparecido$ na Sapucaí, creia, não bastaria, a escola jamais ganharia o carnaval).
Há muitos outros requisitos contraventores nesta parada, meu caro.
Natal não era só bandido, violento e safado, era influente - e sem dúvida que gostava da Portela. (Ao contrário do vagabundo imperiano).
Esta é a equação que deu cerca de quinze títulos [mais ou menos, não sei] à escola de Oswaldo Cruz: intimidação [armada] + fiscalização pública nula + dinheiro sujo aplicado no desfile.
E você tem toda a razão: a estúpida romantização do bicheiro está em todo o lugar sambístico [inclusive no Império, que nunca teve um] - mas só beneficia à Portela.
Viva ela!
Abraço imperiano!
Terca-Feira, 25 de Novembro de 2008, às 12:12
Só uma observação no debate: conforme já me falou várias vezes o Zé Luiz, o samba “Malandros maneiros” homenageia “os anotadores do bicho”, e não os bicheiros.
Terca-Feira, 25 de Novembro de 2008, às 14:56
“Um dos sintomas mais visiveis é a falta de percepção
Acariciam o lobo achando que é seu animal de estimação.
Não conseguem diferenciar banqueiros de bancários ou mega
Traficantes de meros funcionários e assim permanecem estagnados
Quando não regredindo”.
(…)
E eu que tinha ficado tão feliz qdo o Luizinho Drummond assumiu a VP de Futebol do Glorioso…Esperando um novo Emil…
Terca-Feira, 25 de Novembro de 2008, às 20:40
Texto de uma precisão absoluta.
Terca-Feira, 25 de Novembro de 2008, às 09:41
Então tá Moutinho, o anotador do bicho então não é contraventor e portanto é digno de homenagem… Foi como anotador que o Natal começou. O fogueteiro do tráfico de hoje é o chefe da boca de amanhã…
Terca-Feira, 25 de Novembro de 2008, às 11:55
Arthur, eu não estou justificando nada. Apenas acrecsentando um dado à discussão. Como o próprio Andreazza sabe, tenho nojo de contraventores em geral.