por C.A. - Terca-Feira, 18 de Novembro de 2008, às 14:06
Costumo ler “Carta Capital” porque costumo ler tudo que me cai às mãos. Raramente nos casamos, porém. Não sou dos canalhas inocentes que, sem preconceitos, lêem de tudo - do bem e do mal - para formar opinião, a síntese que resulta em equilíbrio… Tenho muitos conceitos definidos e, para o resto, sou preconceituoso. É assim que leio. (Desconfiado, sempre).
Por motivos que a nenhum dos lados abona, Daniel Dantas é o maior inimigo da revista. (E faz tempo). O ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo, o mais recente. Sugere-se, na edição última [19 de novembro], que o primeiro está livre por obra do segundo. Sugere-se, à mesma página, que Alberto Salvatore Cacciola está preso pela falta do amigo certo - do “seu” Gilmar Mendes.
Não deixa de ser engenhoso. Mas, jornalismo não é.
Para tanto [e seria muito simples…], “Carta Capital” teria de explicar os motivos de se ter posicionado [lá atrás] tão radicalmente contra Daniel Dantas [Opportunity] na disputa [com a Telecom Italia] pelo controle da Brasil Telecom, imbróglio que envolveu [e isso não é um detalhe] alguns polpudos fundos de pensão estatais. (Em suma: pelo mesmo critério com que julga Dantas, “Carta Capital” teria de apresentar o “seu” Gilmar Mendes).
Logo se veria o lugar editorial da ideologia…
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Ultimamente, alvo semanal de “Carta Capital” tem sido o governador de São Paulo José Serra, sob pretexto dos baixos salários pagos à Polícia Civil daquele estado.
A revista é Lula doente, de cujo governo recebe as mais generosas benesses, a despeito da pouca audiência. (Serra é forte postulante ao Planalto, talvez tenha linha editorial outra [FHC tinha] - e então: pau nele).
Não nego certo apreço por este jornalismo engajado, que veste a camisa, assume seus gostos, que se declara e se investe [como na antiga, e como no mundo todo hoje], mas “Carta Capital” tem abusado das páginas duplas para o Ministério da Educação… E assim fica difícil defender [até mesmo] a prosa elegante de Mino Carta.


Terca-Feira, 18 de Novembro de 2008, às 16:14
C.A,
Assim como vc, tb sou admirador do jornalismo que se posiciona.
The Economist, Corriere della Sera e Carta Capital são excelentes exemplos de um tipo de mídia que não teme se engajar sem precisar trair a verdade factual. (Não vou deixar de incluir vocês nessa lista)!
Realmente aquele episódio de espionagem a Telecom Italia despertou um certo corporativismo pátrio por parte do meu amigo e paesano Mino Carta.
Não sei ao certo qual é o real envolvimento do jornalista genovês com a companhia italiana (se é que existe algum), mas ficou evidente que estava começando uma cruzada contra o virtuoso DD.
O que eu sei é que Mino também começou a nutrir muita antipatia com o “orelhudo” (constante referência da Carta Capital ao gênio DD) com o episódio da compra da Editora Três por parte do banqueiro carioca.
Não sei ao certo o que aconteceu nesta transação. O que me lembro é que, apesar de sempre negar em elegantes linhas, a compra da editora pelo DD incomodou demais o Mino. Talvez pq a Istoé pertencesse ao seu passado, talvez por seu relacionamento com Domingo Alzugaray…realmente não sei.
E não é mais necessário velar o fato de que a publicação de Mino Carta tem se beneficado com as propagandas de empresas públicas. É sabido até pelo mundo mineral, como gosta de dizer meu amigo ligúrio.
Segundo o próprio, a Editora Confiança (editora responsável por CartaCapital) sofreu muito em tempos de FHC, quando sua revista recebia menos recursos dada a falta de isonomia no segmento encampada pelo Presidente Sociólogo.
O que me incomodava bastante eram as contantes matérias enaltecendo Roberto Requião e as inúmeras propagandas do Governo do Paraná.
Bom…não vou me alongar mais.
Muito bom seu post, imperiano.
Abraços sicilianos.
Pian
Terca-Feira, 18 de Novembro de 2008, às 16:22
Bom Pian, acho que, neste imbróglio Opportunity-Telecom Itália, o grande interesse do Mino são os fundos de pensão estatais brasileiros… Nada a ver com a pátria italiana. Ou brasileira.
Terca-Feira, 18 de Novembro de 2008, às 16:25
Será?
Terca-Feira, 18 de Novembro de 2008, às 17:18
Não acho que a Carta Capital seja um bom exemplo de jornalismo editorializado. Nem sempre o posicionamento é sinal de transparência (assim como o Andreazza mostrou no texto).
Terca-Feira, 18 de Novembro de 2008, às 17:32
De acordo, Jota.
Terca-Feira, 18 de Novembro de 2008, às 08:56
Ainda assim, é, na minha modestíssima opinião, o melhor veículo de mídia impressa do país.