por Bruna Demaison - Quarta-Feira, 12 de Novembro de 2008, às 15:39
A vida era uma sucessão de sábados sem domingos nublados ou só fica na memória a euforia e pouca responsabilidade? Em um desses domingos pós-El Niño os três se reencontraram na areia.
Como chegávamos na Cidade do Rock de van e dava certo? Onde foi parar a fita daquele Carnaval em Tiradentes? Lembra quando íamos até a Barra toda semana para ver o mesmo show? “Eles ainda tocam lá, eu recebo os emails”. Todos riram – por que diabos ainda recebem emails de uma boite que não freqüentam há mais de cinco anos? O expatriado já tinha aprendido o novo point da praia e queria saber aonde os outros iam agora.
Poucas horas antes a noiva continuava linda, o noivo continuava tomando glicose e várias sandálias jogadas pelo salão esperavam as donas de Havaianas acabarem a décima taça. Já tinha tocado até Adocica, mas os fortes ainda dançavam (ou os que não queriam voltar para casa, às vezes parece que a noite passou rápido demais). É aonde vão agora, a casamentos. Quando respondiam àqueles emails colocando nomes na lista o grupo era tão grande que as meninas dançavam com as bolsas no meio da rodinha. Hoje a noite já começa com mais casais formados do que os que geram assunto no dia seguinte, e ela se pergunta se deletou o aviso sobre a arca de Noé ou teria outra explicação para só ver duplas aonde quer que olhe.
Recuperando as forças em frente ao ex-Caneco, se lembravam de quando tinham absoluta certeza de tudo, opinião nem era opinião, era uma tese irrefutável. Há anos debatem relacionamentos em frente ao mar. Eles ainda acham que têm mais homens no mundo do que mulheres, ela ainda escolhe melhor os empregos do que os namorados. Ela ficou mais cínica? Ele ficou mais doce. O outro ficou noivo. As mulheres cariocas fazem charme, se a Igreja não interviesse talvez as pessoas decidissem viver na farra, o relógio biológico é perdoável, a pressão da sociedade não. O cinismo é por defesa, a doçura é por maturidade, o noivado é pra setembro. Entre Mattes e biscoitos Globo eles atualizaram teorias sobre o amor, falaram sobre solidão e concluíram que algumas lições a gente aprende, depois da primeira vez é sempre mais fácil.
O fim de semana passou, a ressaca também, os emails da boite… deixa ali. Vai ver provam que os três ainda são muito novos. Ou não provam nada, certa mesmo é a filosofia do barraqueiro – nessa vida só fica o motorista e o cobrador porque o resto… Ainda bem.


Quarta-Feira, 12 de Novembro de 2008, às 16:06
E não é que consigo imaginar tudo direitinho? Os noivos, os três na praia… ;o)
Quarta-Feira, 12 de Novembro de 2008, às 16:57
Acho que vc deveria voltar pra Alemanha.
Quarta-Feira, 12 de Novembro de 2008, às 18:07
“Ele ficou mais doce.”
Tinha que ter um viadinho miguxo na jogada.
Quarta-Feira, 12 de Novembro de 2008, às 11:42
Eu tb, consigo imaginar tudo direitinho…
Quarta-Feira, 12 de Novembro de 2008, às 14:50
Bruna,
Mais uma vez você me inspirou a escrever. Dessa vez, nasceu o “Dias de Sol”. No link
http://www.marianavalle.com/2008/11/ndice-home_10.html.
Obrigada!
Bjs,
Mariana
Quarta-Feira, 12 de Novembro de 2008, às 18:35
conheço essas pessoas….
bjs
Paula (pinha!)
Quarta-Feira, 12 de Novembro de 2008, às 19:43
Não sei quem são os noivos e tampouco os três na praia, mas “é aonde vão agora, a casamentos. Quando respondiam àqueles emails colocando nomes na lista o grupo era tão grande (…). Hoje a noite já começa com mais casais formados do que os que geram assunto no dia seguinte” poderia ter saído de uma das minhas reflexões.
Incrível texto para aqueles que compartilham desse mesmo momento!