por Bruna Demaison - Sexta-Feira, 24 de Outubro de 2008, às 11:47
Ainda falta fazer a unha, lavar o montinho de roupas brancas, passar as coloridas, acabar o relatório, reencontrar os amigos e… ah! Dormir. Isso seria bom depois de meio dia entalada na poltrona econômica da TAM e outro de volta à rotina. Organizando os quilômetros de anotações que fiz durante a viagem, pensei que precisava passar logo as fotos para o computador e mostrar para vocês a novidade (sabe que eu sinto saudades da surpresa das fotos reveladas?).
Em uma semana de palestras e reuniões com profissionais de entretenimento, fiquei impressionada com vocês. 3% do mundo têm banda larga. O número parece pequenininho, mas pensa no tamanho do mundo! 13 horas de vídeo são postadas por minuto no You Tube, isso equivale ao lançamento de 57 mil filmes por semana! É muita gente online! Vocês estão realmente aí? Quantos são vocês? Eu sei que a Fernanda é de verdade, vi a Olga, converso com a Lalol, mas todos esses nomes que circulam por aqui existem mesmo? E existem no Facebook? Ainda mantêm seus perfis no Orkut? Talvez seja melhor contratarmos alguém para administrar nossas vidas virtuais porque vem aí uma avalanche de redes sociais pedindo para interagirmos, opinarmos, divulgarmos, criarmos, tudo pensado para uma geração que faz várias coisas ao mesmo tempo. A próxima geração é pior?
A única pessoa sem um Blackberry em Cannes era eu, e enquanto jantava na Riviera francesa meus acompanhantes checavam a queda das bolsas no IPhone. É impossível conversar por mais de meia hora com alguém sem que ele pare para ler os emails, apesar de não acontecer nada mais urgente hoje do que acontecia há seis meses quando só saberiam do fato um pouco mais tarde. Enquanto muitos investem em tecnologia, decidi investir em ansiolíticos.
A crise financeira estampava os jornais e europeus em pânico relembravam o crack de 29. Eu estava ali sendo quem queria ser quando crescesse, dividindo o espaço com pessoas que jamais imaginei que pudessem chegar tão perto. Os fatalistas anunciavam os fins – fim do modelo econômico americano, fim da verba publicitária, fim da mídia tradicional. Os mais velhos, mais bem treinados pelos consultores ou mais calejados pelo tempo, apaziguavam os ânimos: não vamos assistir a vídeos amadores feitos com câmeras tremidas para sempre, essas pessoas não querem fazer televisão, só querem fazer parte, se expressar, deixar suas marcas como os homens das cavernas faziam com as pinturas rupestres.
Passada a feira fui conhecer Berlim, a cidade que estranhamente um dia foi dividida por um muro. E lá estava eu, de frente para o pedaço de muro restante que artistas transformaram em galeria de arte e outros usam para deixar recados nem sempre tão artísticos para o mundo. Tem poesia, desenho, declaração de amor, nome e data, prece, o que eu podia escrever? Saquei a canetinha companheira de viagem e deixei minha mensagem naquela parede: Tribuneiros.com. E assim está lá, registrada no cenário de uma das cenas mais emocionantes da história contemporânea, a minha pintura rupestre!
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[Nota dos Tribuneiros: Veja a foto da pichação da Bruna no Muro de Berlim - aqui.]


Sexta-Feira, 24 de Outubro de 2008, às 12:26
Eu tenho quase certeza que o Rodrigo Pian é um fake.
Sexta-Feira, 24 de Outubro de 2008, às 12:41
Eu tenho a mesma quase certeza do Marcos, só que em relação a mim.
Sexta-Feira, 24 de Outubro de 2008, às 15:15
Olga,
Somos realíssimos.
E Bruna, minha Bridget Jones Tribuneira, gostei do texto.
Sexta-Feira, 24 de Outubro de 2008, às 10:42
Eu sou de verdade e adoro os seus textos!! Sou muito péla dos seus textos…
E esse texto seu veio num momento em que estou justamente chegando a um nível de neurose e-mailística tal em que acho que PRECISO de um blackberry ou coisa do tipo. Essa semana mesmo estava no almoço, preocupada se alguém no escritório me mandou e-mail…Bom, a grande vantagem seria poder entrar no seumartin e no tribuneiros.com nas horas vagas!
bjs