por João Paulo Duarte - Quarta-Feira, 1 de Outubro de 2008, às 09:54
Caros tribuneiros, decido, por fim, que a discussão eleitoral mais relevante nesta última semana de campanha é a possível reviravolta no esperado resultado do pleito carioca. Mais importante, confio, que a análise dos planos de governo, que se assemelham, todos, em aspectos gerais. (O que interessa, nessa cidade em calamidade e desordem, é saber o que se pode fazer como eleitor, vislumbrando um cenário diferente).
Há dois meses que o debate público se dá sobre a disputa entre Eduardo Paes e Marcelo Crivella, na certeza de que nenhum candidato conseguiria vencê-los nas urnas. As últimas pesquisas de intenção de voto são confusas, é verdade, mas há um claro movimento, crescente, em torno de Fernando Gabeira, que seria o candidato alternativo.
Desde os primeiros passos pré-eleitorais acreditei na vitória de quem se chocasse contra o instaurado esquema de corrupção no município e no estado. Pareceu-me que Alessandro Molon apertaria os laços necessários para consagrar a guinada, mas não houve acerto com a corja do PMDB e Eduardo Paes virou o candidato perfeito de Picciani, Pezão, Cabral e cia. Molon, em seguida, perdeu-se na inútil tentativa de trazer o presidente Lula para a campanha e deixou de lado as propostas e o emblema de honestidade que carrega – com justiça – há seis anos.
As candidaturas de Jandira Feghali e Chico Alencar tampouco se desenvolveram, talvez por não conseguirem voz nos grandes veículos, nem apoio explícito dos setores mais influentes da sociedade. O fato é que, nos últimos dias, Gabeira “encaixou” e, assim, vem colhendo votos de eleitores descrentes. As pesquisas mostram esta tendência e as ruas também.
Saliento que isso se deve sobretudo à descrença nos líderes das pesquisas. Vestindo, ainda por cima, a carapuça da honestidade e retidão, Gabeira vem angariando apoio de gente que não crê mais na mudança. Em termos de políticas públicas, porém, ele em nada se destaca, muito pelo contrário. Assustou-me quando, em entrevista, listou uma série de propostas que seriam cópias de ações de sucesso em cidades do exterior, demonstrando algum desconhecimento do Rio. Em verdade, Gabeira é um intelectual interessante, do tipo que se faz crer capaz de – como prefeito – contrapor-se às quadrilhas fluminenses. Ao contrário de Molon, ele apostou nessa postura e vem exibindo força para ampliar seu alcance e conquistar mais votos, que provavelmente virão de Chico, de Jandira e do candidato do PT.
A mobilização a favor de Gabeira parece também ter freado o crescimento de Eduardo Paes. E existe uma chance dos votos de Solange migrarem para ele. Ademais, se a luta de boa parte da imprensa contra Crivella continuar a render frutos a Paes, esvaziando um pouco mais a candidatura do senador, começa a se tornar plausível a ida de Gabeira ao segundo turno. Este me parece o momento mais interessante nesta morna corrida eleitoral.
A poucos dias do pleito, como se podia esperar, o eleitor carioca tem decisão pautada pelo que pode ser menos pior para a cidade, uma vez que é impossível vislumbrar, claramente, um candidato muito melhor que outro – ou ainda garantir, particularmente, que Gabeira seja capaz de mudar o panorama do município, imerso em corrupção.
Termino com o chavão de que se Molon, Gabeira, Jandira e Chico tivessem conseguido alguma união, a conversa poderia ser outra.
Volto na semana que vem, quando começarei a escrever sobre o segundo turno.
Boa sorte,
João Paulo Duarte


Quarta-Feira, 1 de Outubro de 2008, às 10:46
João e amigos tribuneiros,
É bem verdade que Gabeira está crescendo.
O atual prefeito anda dizendo por ai que meu amigo Montenegro está camuflando o crescimento do “PUTA DEPUTADO” e colocando o Crivella alguns pontos acima, no intuito de solapar de vez a campanha do candidato verde.
O IBOPE é um instituto sério, e se não o fosse, não seria sinônimo de pesquisa de opinião. Nào acredito tanto nisso. É esperar o resultado das urnas para ver.
O que realmente me incomoda no crescimento do Gabeira é esse movimento da classe artística em prol de sua campanha.
Certo dia recebi um e-mail supostamente escrito pelo casal Du Moscovis e Cynthia Howllet convocando os moradores da zona sul a uma caminhada na orla para manifestar apoio ao “PUTA DEPUTADO”.
O e-mail chega a ser debochado. Começa com o Carlão de Pecado Capital dizendo que nunca acompanhou politica e sempre manteve, com orgulho, distância disso tudo. Porém, após ler um texto (também supostamente) escrito por Nelson Motta, ele decide ir as ruas vestido de verde e apoiar Gabeira. E ainda tem a pachorra de me convidar para tal.
Eu não sei se todo esse tempo em que nosso Julião Petrucchio esteve “distante da política” ele não pôde acompahar a vista grossa que o “PUTA DEPUTADO” fez para as falcatruas de Antero de Paes e Barros, tucano de Cuiabá envolvido até a alma no escândalo da máfia das ambulâncias.
Talvez enquanto estivesse escrevendo seu best-seller sobre Tim Maia, o tricolor Nelson Motta tenha deixado de ler que seu Gabeira agora está colado com Marcello Alencar, patricarca do PSDB carioca e um dos grandes responsáveis pelo atual estado de falência do Rio de Janeiro.
Jamais serei conivente com passeatas desses artistas hipócritas (consumidores das drogas que passam diariamente pelas mãos de diversos menores que galgam posições na ilícita firma varejista do tráfico ao invés de estarem na escola) que reclamam da violência e pedem a paz na orla da Vieira Souto achando que agora sabem o que é melhor para o Rio.
Nào tenho nada contra quem faz o uso de drogas. Assim como o “PUTA DEPUTADO” (alguém ai por favor me refresque a memória acerca de algum projeto de lei interessante de sua autoria. Esbravejar contra um analfabeto funcional como Severino Cavalcanti e ir pra porrada ao lado do colega boxer Raul Jungmann nào contam pra nada!), sou a favor da descriminalização de seu uso. Sou jovem e, para o desespero do PIM, não foram poucas as sextas-feiras em que fumei um baseado na Lapa ouvindo um sambinha universitário de péssima qualidade.
O que sou radicalmente contra é a insistência em achar que não temos nada a ver com isso. E é esse o perfil do eleitor que agora acredita em Gabeira. É esse o perfil dos nossos artistas que agora se veem acuados e querem empurrar essa solução romantica para o Rio de Janeiro. Hipocrisia e histeria se misturam.
Caminhar contra o vento sem lenço e sem documento não vai nos levar a lugar nenhum. Nunca levou.
Sinceramente, eu gosto do Gabeira. Acredito ser ele um sujeito bem intencionado, apesar de não ser tão bem preparado assim. Mas não vou esquecer que ele cresceu com a turma de Zé Dirceu, Franklin Martins, Dilma Houssef e tantos outros.
Sei que corro o risco de estar fazendo uma generalização apressada (pois nem todo artista engajado usa drogas). Sei também que corro o risco de ser mal interpretado. Mas esse é o risco que se corre quando se tem opinião.
Agradeço existir a casa tribuneira, ágora virtual que me permite (e me encoraja) a agir assim.
Um abraço a todos e peço perdão se me alonguei demais.
Rodrigo Pian
Quarta-Feira, 1 de Outubro de 2008, às 11:39
Pian, é justo que se diga que esta carta foi escrita antes do ocorrido entre Montenegro e Gabeira, na terça-feira.
Sobre isso, é notório que o candidato está desesperado por esses votos que surgem no fim da corrida.
A reação do Montenegro, como quase sempre, foi descabida. Ele deveria medir as palavras para, no mínimo, manter a aparência de idoneidade do Ibope. (o mesmo deveria fazer como dirigente do Botafogo).
E você me parece muito preocupado com a possibilidade de um segundo turno entre Gabeira e Paes. Estou errado?
Quarta-Feira, 1 de Outubro de 2008, às 12:03
Brilhante, Rodrigo Pian, brilhante! Brilhante, brilhante, brilhante! Dez vezes brilhante!
Quarta-Feira, 1 de Outubro de 2008, às 12:14
Preocupado estou com a possibilidade de Gabeira ser nosso Prefeito.
Não sei se o diálogo entre os níveis de poder vai ficar desanuviado com o candidato verde no posto máximo do executivo carioca.
Até pq acredito que muito do seu secretariado está comprometido com os tucanos cariocas, o que pode obstruir bastante a vinda de recursos para nossa cidade.
E é logico que uma disputa de 2 turno com Gabeira é totalmente diferente de uma disputa com Crivella. Não preciso me estender muito nesse assunto: é algo óbvio.
Porém, meu medo maior é que essa visão romantica que cerca o “PUTA DEPUTADO” faça com que a sociedade carioca acredite em mudança que jamais virá.
Quanto ao Montenegro, concordo que, enquanto representante do IBOPE, ele deveria medir um pouco suas palavras.
Porém, enquanto alvinegro, suas palavras (mesmo quando desmedidas, viscerais e impublicáveis) são sempre bem vindas!
Quarta-Feira, 1 de Outubro de 2008, às 13:51
Pian, suas críticas ao Gabeira parecem justas. Entretanto, quase todas elas também não se aplicariam ao Eduardo Paes?
Quarta-Feira, 1 de Outubro de 2008, às 13:57
Dá-lhe Gabeeeeeeeira!
João Paulo, você, como sempre, sensato e preciso!
Quarta-Feira, 1 de Outubro de 2008, às 14:11
Olga, muito obrigado!
Quarta-Feira, 1 de Outubro de 2008, às 15:29
Ivan,
Minha única crítica ao Paes é aquela já unânime entre seus eleitores ou não: ser do mesmo partido que comanda a máfia do Rio de Janeiro.
Sei o quão perigosa é essa proximidade e sei também o quão difícil é dissociar uma coisa da outra.
Porém, caro Ivan, trabalhei com Eduardo Paes. Fui testemunha de todo seu trabalho enquanto Subprefeito (Não só da Barra, como gostam de dizer os críticos, mas da Taquara, Jacarepagua Gardênia Azul, Madureira, Tanque e áreas carentes da zona oeste), Deputado Federal (Sim, botando lenha na fogueira do PT que ele agora tanto precisa! Mas aquela promiscuidade toda tinha que ser delatada!) e de Secretário Estadual de Esportes (quem frequenta o Maracanã não pode negar as melhorias conhecidas até pelo mundo mineral, como gosta de dizer Mino Carta).
Apelar para o argumento de promiscuidade partidária de Eduardo é encontrar refúgio numa cretinice sem tamanho. As instituições políticas no Brasil são quase todas iguais. Honestos e corruptos dividem, já faz bastante tempo, a mesma legenda! Ou vais me dizer que Pedro Simon e Picciani (Jr ou Senior) são a mesma coisa?
Até o PDT do já saudoso Jefferson Perez se corrompeu!
A diferença, pra mim, está no caráter individual de cada um. Sei que no até no PT, partido responsável por esse ataque a máquina pública, existe gente honesta. O Molon é um belo exemplo!
Enfim, eu realmente acredito que Eduardo Paes seja uma melhor opção do que Fernando Gabeira.
Não enxergo no candidato verde a competência do Paes.
E tenho receio sim de continuarmos tendo nossa Prefeitura como órgão não alinhado com os demais níveis de poder.
Um grande abraço,
Pian
Quarta-Feira, 1 de Outubro de 2008, às 15:48
Pian, O buraco do Eduardo Paes é muito mais embaixo…
Quarta-Feira, 1 de Outubro de 2008, às 16:42
Pian,
Gostaria de ter essa esperança que vc demonstra no Paes em qualquer um dos candidatos. Não consigo deixar de enxergar o pemedebista como “mais do mesmo”.
Acho que a atuação dele como subprefeito está sendo um tanto supervalorizada. Claro que o empenho dele deve ter ajudado em algumas realizações, mas se dizer responsável por reforma de escola e asfaltamento de ruas é um tanto demais. Sem contar que o atendimento às demandas da Barra e arredores se deveu muito ao carinho especial que o César Maia lhe destinava.
Se Gabeira cresceu com o MR-8, Paes aprendeu quase tudo com o atual prefeito. Se o secretariado de Gabeira está comprometido com o tucanato carioca, o que dizer do possível gabinete do Paes, certamente cheio de representantes dessa máfia que vc mesmo lamenta?
Melhorias no Maracanã? Se não me engano, a última maquiagem no estádio foi feita em 2005. Sinceramente, como freqüentador, não noto melhoras significativas no Mário Filho. Os banheiros não têm sabão e papel nem mesmo em jogos para 10 mil pessoas. E a Suderj, embora certamente não seja a única, também é culpada por essa vergonha que é a venda de ingressos.
Espero estar errado, mas, se a mudança não vai vir com Gabeira, tampouco virá com Paes.
Meu voto ainda é do Molon. Mas a campanha televisiva dele é de amrgar. Quem não consegue se impor perante sua equipe de tv, não deve dar um bom prefeito.
Quarta-Feira, 1 de Outubro de 2008, às 16:56
Corre pelo Embalo Bar que este brilhante Rodrigo Pian será secretário do Paes.
A conferir.
Quarta-Feira, 1 de Outubro de 2008, às 18:01
Ivan,
Também acho que suas críticas ao Paes são justas.
Sei que é difícil estender confiança a quem divide legenda com essa corja toda.
Mas vi de perto seu trabalho e confio muito nele. Tenho sim a profunda esperança de que seu secretariado (ou pelo menos boa parte dele) será composto a partir de princípios meritocráticos.
Sei que posso estar sendo ingênuo. Mas é esperar para ver. Fico feliz por saber que vou ser cobrado depois por isso aqui nesta casa.
Ao contrário do que meu amigo imperiano de fina ironia diz, não estou esperando nenhuma indicação a nenhum cargo, apesar de pautar minha vida para futuros desafios como esse.
C.A, não acredite em tudo o que se ouve na Dias Ferreira! Esse pessoal do Embalo Bar adora um factóide!
Abs
Pian