por Bruna Demaison - Segunda-Feira, 29 de Setembro de 2008, às 14:42
Não é fácil o que tenho a dizer, há dias penso em como contar a vocês, depõe contra mim, espero sinceramente que isso não enfraqueça nosso relacionamento. Corro o risco de desapontar todos os que esperam meu surto ou no mínimo uma crônica cheia de pensamentos ácidos e neuroses irônicas, mas o que eu vou fazer? Não estou abalada. Faço trinta anos em poucos dias e nada, nenhuma crise. Não sei como isso pôde acontecer, é uma tragédia.
Seria muito mais divertido – e útil – estar péssima. Quem escreve um texto pra dizer que está tudo bem? Gente bem resolvida não rende assunto! Vou desligar esse computador e rodopiar pela casa cantando canções de comerciais ridículos onde mulheres de cabelos lisos cheiram travesseiros antes de fazer a cama? Pelo menos achariam que comecei a me drogar. Estou um fracasso no quesito perturbação. Como meus questionamentos me abandonam logo agora? Isso lá é hora de ficar equilibrada?
Será que me doparam? Um complô do meu terapeuta com meus amigos que temiam uma avalanche de avaliações! Será que entrei em um processo de negação, finjo não ver a realidade para não precisar lidar com ela? Tentei mentalizar - conta corrente de cliente da Ricardo Eletro, nenhum marido, sem nome escolhido para os futuros filhos, estrias e celulites democraticamente distribuídas pelo corpo, litros de corretivo para disfarçar manchas na pele, geladeira com vodka e requeijão, profundo conhecimento de homens tipo “a gente precisa conversar”, um tanque entupido porque prendeu um Perfex no buraco – se não é Prozac que me mantém calma, só pode ser autismo.
Será que estar em crise há trinta anos evitou que eu acumulasse paranóia em uma só data? Aos vinte eu tinha certeza de que a falência era meu caminho, aos vinte e cinco vislumbrei meu destino solitário em uma casa cheia de gatos, não economizei nada para sofrer nesse marco da vida feminina. Se eu estiver zen no reveillon alguém alerta os meus pais?
Não se deve sair por aí contando isso, mas como nunca fui boa em matemática a minha conta deve estar errada e tenho fé que alguém vai me convencer a entrar em desespero. Calculei que se pretendo viver até uns oitenta anos, trinta não são nem a metade do caminho, logo, não poderia ter tudo resolvido mesmo. Socorro, quem é essa falando? Fui abduzida! Quem tirou minha ansiedade do lugar? Que inferno, sobre o que eu vou escrever agora? Consigo pelo menos um discurso defendendo que mulheres de trinta são mais seguras de sua sexualidade e mais firmes em suas opiniões? Ri. Nadinha. Nenhum pânico.
Querido Balzac, eu que sempre achei que fossemos ter muito a debater… Você é legal, só não deposite tanta expectativa sobre nós, será que realmente “conhecemos toda a extensão dos sacrifícios que temos a fazer”? Concordo que não mais cedo, escolho. Mas de vez em quando, mesmo que precise culpar o álcool ou a solidão, posso ceder? Porque às vezes a tal jovem de vinte anos cheia de ilusões aparece aqui e aí… já viu. Agradeço os seus elogios. Não sei se “a mulher de trinta satisfaz tudo”, mas em tudo busca satisfação. E não buscando aprovação, há o que se comemorar!


Segunda-Feira, 29 de Setembro de 2008, às 10:11
Ameeei!!! Já tava reclamando que não tinha nada novo (de novo) no seumartin! Marca uma comemoração pq aquele dia era aniversário do Décio e acabou não dando para irmos ver você.
Beijosss
Segunda-Feira, 29 de Setembro de 2008, às 11:26
Não se abale, Bruna. Até quando escreve dizendo que está feliz, você consegue ser irônica, ácida e hilária. E a crise dos 30, aguarde, não vem aos 30, e sim no intervalo entre 30 e 40, dependendo da situação da pessoa. É tudo uma questão de estar ou não casada, se casada, feliz ou infeliz, estar ou não bem na carreira, estar ou não numa situação financeira estável, ter filhos ou não e aí vem aquelas terríveis comparações com as amigas de longa data. Por exemplo: se você é a única solteira, é difícil conciliar as agendas. Caso contrário, também. Se você é a única que não tem filho, ou se contenta com os programas à tarde e conversas sobre a melhor mamadeira ou… Quer saber? O melhor de ser mulher de 30 é não carregar no drama nem levar nada tão a sério. Se não tem filhos, divirta-se com os perrengues das amigas que tem e aproveite as delícias de brincar com uma criança fofa sabendo que quando você estiver cansada, a mamãe entrará em ação e você poderá voltar pra sua vida despreocupada. E, na pior das hipóteses, se você não quer nada disso, sempre é tempo de fazer novas amizades!
Bjs da Mariana, 34 aninhos!
Segunda-Feira, 29 de Setembro de 2008, às 17:31
Querida Bruna (me desculpe a intimidade, é uma reação natural),também tenho 30 e sinceramente, sempre imaginei que quando este dia chegasse, eu seria e estaria em uma situação bem diferente. Projetei muitas coisas aos 20, mas 10 anos passam muito rápido. Muitas vezes queremos ser felizes mas confundimos felicidade com sucesso, coisas que não são, necessáriamente, excludentes, mas na maioria dos casos, sempre ocorre um ou outro. Então, resolvi deixar vida me levar, assim com prega o Papa Zeca Pagodinho! Deixar rolar, sem me preocupar, e se Deus quiser, um dia “encalho” em algum lugar e estabeleço morada!
Felicidades e que um dia vc consiga “encalhar” também, afinal, todos nós precisamos!
p.S.: Mariana, super incrível o que vc escreveu, concordo plenamente! Um beijo pra vc!
Segunda-Feira, 29 de Setembro de 2008, às 18:45
“E não buscando aprovação, há o que se comemorar!”
A melhor frase do texto só poderia vir, é claro, no final.
Na minha opinião, resume tudo.
Parabéns por aos 30 conseguir não buscar aprovação. E felicidades!
Segunda-Feira, 29 de Setembro de 2008, às 23:09
Tragédia seria não ter seus deliciosos textos. E nos 30 eu te desejo tudo o que prega o açúcar União!
Segunda-Feira, 29 de Setembro de 2008, às 00:13
Adorei… estou doido para fazer trinta….parabéns.