por Pim - Quarta-Feira, 24 de Setembro de 2008, às 17:03
Merecidíssimo - cousa muito rara - o Prêmio Jabuti 2008 atribuído ontem para o romance O filho eterno, de Cristovão Tezza, que já citei alhures como “belíssimo” e aqui recomendo com entusiasmo ao leitor tribuneiro.
Da relação (relutante) entre um escritor desiludido e seu filho com Síndrome de Down, Tezza (cuja biografia foi matéria-prima para a obra) tira uma prosa absolutamente fascinante, impecável - e mais não digo, a não ser o destaque para a memorável cena de pai e filho assistindo a uma partida de futebol.
Se o Império Serrano tivesse me ouvido, e baseado o enredo “Ser diferente é normal” em O filho eterno, em vez de em Páginas da Vida, decerto não teria sido rebaixado em 2007… Pena que ficou muito em cima.
Seguem trechos:

“(…) a derrocada de se entregar ao casamento formal assinando aquela papelada ridícula num evento mais ridículo ainda vestindo um paletó (mas não uma gravata, ele resistiu, sem gravata!), a falta de rumo, uma relutância estúpida em romper com o próprio passado, náufrago dele mesmo, depois o curso universitário com a definitiva integração ao sistema, mas nenhuma de suas vantagens, desempregado indócil, escritor sem obra, movendo-se na sombra ensaboada de seu bom humor - e agora pai sem filho. (…)”
“(…) O filho é a imagem mais próxima da idéia de destino, daquilo de que você não escapa. Ou daquilo de que você não pode escapar? Por quê? Por que eu não posso tomar outro rumo? - será a pergunta que fará várias vezes ao longo da vida. Porque eu já tenho uma essência, ele responde, que eu mesmo construí. A minha liberdade é uma margem muito estreita, suficiente apenas para me deixar em pé. (…)”


Quarta-Feira, 24 de Setembro de 2008, às 18:21
Pim, eu acabei de ler esse livro há poucos dias. Não consigo tirá-lo da minha mente. Foi pra mim uma leitura arrebatadora. Eu grifei o livro inteiro.
“Eu não posso ser destruído pela literatura; eu também não posso ser destruído pelo meu filho - eu tenho um limite : fazer, bem-feito, o que posso e sei fazer, na minha medida. Sem pensar, pega a criança no colo, que se larga saborosamente sobre o pai, abraçando-lhe o pescoço, e assim sobem as escadas até a porta de casa”
Achei essa comparação tão forte! Como tudo no livro.
Quarta-Feira, 24 de Setembro de 2008, às 19:08
Olga, divina, não precisa tirá-lo da mente - ela, como de hábito, está em boa companhia.
Quarta-Feira, 24 de Setembro de 2008, às 22:19
Que coincidência boa! Comprei esse livro ontem e com tantos elogios tenho certeza que vou adorá-lo!
Obrigada pela dica!
Quarta-Feira, 24 de Setembro de 2008, às 12:05
Um raro, raríssimo, caso de prêmio Jabuti merecido.