por João Paulo Duarte - Terca-Feira, 16 de Setembro de 2008, às 13:14
Dos cinco candidatos de que farei agora as considerações finais, Paulo Ramos merece destaque. Principalmente porque, anteriormente, nessaa cartas, citei que Alessandro Molon teria crédito por ser incorruptível na Alerj. É justo que se aplique o mesmo comentário a Ramos, que é deputado estadual atualmente e trabalha de forma coerente. Foi presidente da comissão da Assembléia que investigou os gastos no Pan. Em entrevista, disse que se criou um Propinoduto na reforma do Maracanã. Não há como negar. A obra, sem que se notasse mudanças estruturais relevantes, custou mais de R$ 250 milhões, enquanto a construção do estádio de Leipzig para Copa da Alemanha de 2006 – exemplo divulgado à época pela Folha de S.Paulo – valeu pouco mais do que o equivalente a R$ 240 milhões.
Paulo Ramos foi o único que divulgou opinião sobre a Cidade da Música que destoa do senso comum dos candidatos. Ele disse que vai vendê-la, assim que ficar pronta. Confesso que já imaginei muitas possibilidades para administrar aquilo e esta, até agora, é a única que me parece viável.
Dado pitoresco: o vice de Paulo Ramos é nada mais nada menos que Capitão do Tri. Sim! O famoso Carlos Alberto Torres, ex-lateral direito e – pensava eu – atual técnico de futebol, utiliza esta alcunha política.
Nesta segunda-feira conversei com Antônio Carlos Silva, do PCO. Salva-se na figura a sinceridade de quem não tem chance alguma. Todo o discurso dele se resume a dar o poder aos trabalhadores e a propor a revolta popular. Uma campanha sem intenção de ganhar, chegando até a admitir que a eleição não sirva pra nada.
O jovem candidato Filipe Pereira, aos 24 anos, do PSC, tem interesses marqueteiros. Teve votação considerável em 2006 (mais de 50 mil) e conquistou uma vaga de deputado federal.
Eduardo Serra, do PCB, e Vinícius Cordeiro, do PT do B, vêm na mesma levada, e me parece que vão tentar se juntar a alguém no segundo turno, pra depois ocupar um cargo no governo de quem for eleito. Aquela ladainha de sempre, que não merece mais linhas nesta carta.
Não se esqueçam, amigos tribuneiros, dos vereadores da cidade maravilhosa. E as coisas devem mudar muito por lá, afinal fecha-se o ciclo de César Maia e deve se iniciar a tomada [quase absoluta] do PMDB. A Câmara costuma ser curral do prefeito, e continuará sendo. (Tentem lembrar algum momento em que a Câmara se opôs à prefeitura. Eu não lembro. Pelo contrário, foi comum, em 16 anos, que tudo passasse sem a menor discussão dos representantes populares). Mesmo que Eduardo Paes não vença [é possível que não?], o município estará entregue a Cabral, Picciani e companhia. O mais provável é que Paes vença e leve consigo todos os indicados do PMDB e suas coalizões, ocupando a vaga de Jerominho e os outros comparsas. E, aqui, estou com o candidato do PCO, não há muito a se fazer.
Quantas vezes discute-se as mesmas soluções para a saúde do Rio? Médico de família, investimentos em salários, equipamentos e nas condições de trabalho, aumento do número de leitos, postos 24 horas para desafogar as emergências e por aí vai… E é por isso que tenho certeza que a saúde será o ponto principal da discussão entre os candidatos. Explico: todas as propostas acima surtirão excelente efeito imediato na atual conjuntura. A saúde neste município é deplorável e vergonhosa. O mínimo que seja feito trará melhorias exponenciais. Até esta segunda-feira, eu estava impressionado porque Eduardo Paes era o único que estava atacando tão forte a área. Primeiramente, ele não pode discutir outros problemas porque mexeria com máfias que não pode se meter. Perderia votos. Segundo, na saúde qualquer um dá pitaco, tamanha barbárie. E Crivella, que vem logo atrás do líder nas pesquisas, está mais preocupado em prometer obras em casas populares e convencer o eleitorado que tem o apoio do Lula. E assim, Eduardo continua disparando nas pesquisas…
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Na quinta parte da Carta, começarei a análise dos planos de governo dos principais candidatos. E tratararei do que se pode fazer com relação à segurança pública no âmbito municipal.


Terca-Feira, 16 de Setembro de 2008, às 14:52
J.P, muito boas as suas cartas. Só acho que elas começaram a ser publicadas um pouco depois do ponto. Tivessem começado há um, dois meses, seriam ainda melhores.
Terca-Feira, 16 de Setembro de 2008, às 14:59
Concordo com o Ivan: publicadas um pouco antes e teriam alterado os rumos destas eleições!
Terca-Feira, 16 de Setembro de 2008, às 15:08
Ivan, concordo plenamente. Infelizmente não foi possível, ainda mais porque tirei férias em julho. Mas acredito que as cartas servem agora como ponto de partida de um bom debate, não acha?
E muito obrigado pelo elogio!
Terca-Feira, 16 de Setembro de 2008, às 15:10
Estas cartas são, sem dúvida, o hit tribuneiro do inverno.
Terca-Feira, 16 de Setembro de 2008, às 17:55
João Paulo, o Paulo Ramos também foi o único candidato que se colocou categoricamente contra a gerência da LIESA no Carnaval.
E essa sua carta me deu um desânimo, por conta da triste realidade, claro!
Terca-Feira, 16 de Setembro de 2008, às 18:11
A verdade é que o Paulo Ramos me parece um político bastante coerente.
Terca-Feira, 16 de Setembro de 2008, às 00:47
João, permita-me dar alguns pitacos do texto:
O primeiro é de que o Eduardo Serra vai tentar se juntar a alguem no segundo turno pra conseguir alguma coisa. Isso é impossivel. o PCB tem uma coerencia, tem uma historia de vida e nunca se juntaria a candidatos como Crivella, Eduardo Paes, Solange, Gabeira… talvez com o Chico, num segundo turno eles estivessem juntos. Na verdade o certo seria apoiar o Chico no primeiro turno, mas eles preferiram, por estrategia nacional de divulgação do partido, lancar candidatos proprios em varias capitais.
Outro é que o Eduardo Paes ja tem ao seu lado vários candidatos a vereador de vários partidos, principalmente do PSDB do Gabeira, do DEM que ja admite o velório da Solange, e dos nanicos como PTdoB e PSC.
Alguns chegam a ser escandalosos, como Patricia Amorim, e a milionaria (nunca vi uma campanha tão rica na minha vida) Andrea Gouvea Vieira, que até tem colocado umas placas com a foto do Gabeira ao lado, mas só pq tomou um puxão de orelha de cima.
Até candidatos do PT, como o Babu Irmão claramente não faz campanha do seu candidato. Vejo isso em muitos partidos (no PT vi em varios), que seus candidatos a vereador escondem o candidato a prefeito nas placas e panfletos.
A camara do Rio da proxima legislatura corre sério risco de ser pior do que a atual.E olha que piorar isso é que nem ser reprovado no vestibular da Estácio(nada contra quem estuda lá, por favor), tem que fazer muito esforço.
As eleições para vereador estão muito estranhas. Não se ve mais as campanhas nas ruas, panfletando. São poucas as campanhas que se dispõe a ir a rua enfrentar o eleitorado,e a que eu tenho feito, do Eliomar, é uma dessas poucas.
Os currais tomaram mesmo conta desse pleito. Isso é muito perigoso
Um abraço
Terca-Feira, 16 de Setembro de 2008, às 10:30
Tiago,
Sobre o Eduardo Serra, pode até ser. Mas prefiro não colocar a minha mão no fogo. A candidatura me parece vazia, típica de alguém que quer se aproveitar da conjuntura futura. Não imagino como pode ser diferente.
As campanhas dos vereadores, concordo, são ainda mais inócuas e tenho certeza que a situação vai piorar. O apoio adiantado de candidatos de outros partidos ao Paes é o principal sinal disso. Fidelidade? Isso não existe faz tempo, meu amigo.
E tenha certeza que suas opiniões são sempre muito bem-vindas por aqui.
Abraço!