por Bruna Demaison - Sexta-Feira, 5 de Setembro de 2008, às 10:47
A altura que a felicidade te eleva é exatamente a mesma que você vai cair quando ela acabar, mas isso não envolve escolhas.
Nunca escolhi que meus olhos te seguissem, eles seguem por conta própria. Enquanto meu pescoço batalha por outra direção eles fogem para te buscar mesmo sem encontrar os seus. Porque encontram dão uma festa. Nunca planejei perder a fala e se falo como metralhadora é pra não dizer o que eu penso. Invento histórias para te entreter porque quando você sorri é um deleite. Perder o sono amansando borboletas no estômago nunca foi minha opção, é a iminência da sua presença que as deixa assim, bêbadas descontroladas.
Se mergulho em litros de vodka é porque a sua mão na minha cintura paralisa meus músculos e não sei se tenho mais medo de me quebrar naquele instante ou dissolver no seguinte, quando seus dedos passam pelo meu pescoço para encostar nossos rostos transformando um cumprimento qualquer em uma exaustão.
Sua mania de seduzir qualquer coisa pelo caminho me desafia a te torturar só para ter toda a sua atenção de volta para mim. Despertar o seu desejo é meu vício mais inebriante. Então você faz uma cara de cachorro perdido e eu finjo que caio, é a sua cena de bom moço e a minha de inocente. Você finge querer mais do que isso e eu faço uma cara de quem só quer por uma noite, e nas nossas mentiras tem tanta verdade que ninguém mais sabe o que é ensaio ou improvisação.
Acordar com seu cheiro no meu travesseiro atropela o meu receio. Odeio seu dom de arrasar meu não tão sólido princípio de ser correta. E é por desestruturar meu ato, bagunçar meu quarto e me deixar sem chão que eu treino exaustivamente um jeito blasé de te mandar embora e torço sem muito querer pra logo te esquecer. Porque a paz traz um tédio que você aniquila com um beijo mesmo que nem chegue a tocar meus lábios, se só de te ver me olhar eu já adivinho seu desejo e deixo o resto por conta da imaginação.
Se tanta precaução vira nada no momento da sua chegada pra quê, meu deus, eu insisto em determinar hipocritamente dia, hora e lugar onde essa história vai acabar? Todos os dias tento convencer essa louca atarantada pela sua boca que ela devia ter piedade de mim porque quando vem o dia e você parte eu morro e esfrego na cara dela a sua indiferença e ela gargalha com pena de mim. Fico na cama arrasada, solitária, jurando jamais repetir e ela me arranca dali como se nada tivesse acontecido provando que isso também vai passar.
Nunca escolhi nada. Sem querer, ela acorda feliz.


Sexta-Feira, 5 de Setembro de 2008, às 15:23
Uau! Que texto maravilhoso!
Sexta-Feira, 5 de Setembro de 2008, às 15:32
Pois é Bruna, mais um texto maravilhoso seu. Que sorte tem o cara que te inspira!!! Parabéns, pena ter que esperar para ter outro etxto seu!
Um beijo e que passe logo!
Sexta-Feira, 5 de Setembro de 2008, às 16:23
Nem a chamada do texto (num fôlego só, sem pontuação, uma coisa!) nos prepara para essas linhas.
Bruna, a salvação da lavoura!!
Sexta-Feira, 5 de Setembro de 2008, às 17:23
Bruna, dá vontade de imprimir e guardar pra mostrar ao sujeito na hora… dá vontade de ter escrito também!
Sexta-Feira, 5 de Setembro de 2008, às 17:27
Bonito mesmo.
Sexta-Feira, 5 de Setembro de 2008, às 19:53
Lindo!
Sexta-Feira, 5 de Setembro de 2008, às 00:48
Maravilhoso, como aliás, tudo que você escreve. Mas esse é ainda melhor!
Parabéns, Bruna, sou sua fã. Se um dia lançar um livro só seu, não se esqueça de avisar. Aliás, você está perdendo tempo. Já deveria ter lançado um livro individual há tempos!
Bjs,
Mariana
Sexta-Feira, 5 de Setembro de 2008, às 22:37
Nossa…estou sem folego. MARAVILHOSO …..Ana
Sexta-Feira, 5 de Setembro de 2008, às 08:43
Ufaa, acabou !
Emoção demais stupid… beijos
Sexta-Feira, 5 de Setembro de 2008, às 16:27
Parabéns! Amei.
Escreve logo esse livro, Bruna!
Beijos
Sexta-Feira, 5 de Setembro de 2008, às 17:50
ca-ce-te.
senti tudinho, junto.
parece até que (haha) já vivi igual.
parece até.
muito bom!
aliás, é o ‘ruim’ mais ‘bom’ q alguém pode passar, rs.
e passa.
Sexta-Feira, 5 de Setembro de 2008, às 18:26
Bruna, realmente lindo!