por João Paulo Duarte - Quinta-Feira, 28 de Augosto de 2008, às 13:47
Ainda não conversei pessoalmente com todos os candidatos e, por isso, preciso escrever esta carta em partes. Até agora entrevistei Alessandro Molon, Fernando Gabeira, Jandira Feghali e Marcelo Crivella.
Apresenta-se, mais uma vez, uma sorte de candidatos incapazes de realizar mudanças relevantes, que possam melhorar um pouco a cidade. Alessandro Molon é, entre os quatro – e pelo o que acompanho de perto, dentro da redação, entre todos os onze candidatos –, o que começa a corrida com os sinais mais claros de que poderia modificar a forma de administração do Rio. Mas nada que, nem de longe, seja garantido.
O fato é que em seis anos de mandato na Alerj, Molon passou incorruptível, ainda que bombardeado de ameaças de todo tipo – das políticas às puramente criminosas –, colocando em risco até mesmo a família. Comandou a CPI dos Direitos Humanos, a que lhe coube no mar de CPIs de todos os âmbitos governamentais desse país, e conseguiu resultados até certo ponto louváveis. Bem, a carreira legislativa de um candidato a prefeito serve tão-somente para sabermos se ele merece o mínimo de confiança e, por isso, não me alongo neste assunto. Mas lembro que no último ato das pré-candidaturas, Molon levou uma rasteira da bancada do PMDB da Alerj que, em cima do laço, promoveu a candidatura de Eduardo Paes. Confio que, nessa rasteira, ele caiu pra cima.
Projetos expostos, Alessandro Molon é o candidato com idéias mais simples, diretas e, portanto, com mais chances de serem colocadas em prática. Passarei, com mais detalhes, aos projetos dos candidatos num próximo texto.
Em tempo, uma importante ressalva. Nos primeiros movimentos da campanha, o candidato do PT está mais preocupado em convencer o eleitor de que tem o apoio do presidente Lula (Paes e Crivella vêm na mesma levada) do que em apresentar soluções para o caos no município. É preocupante e lamentável essa decisão. Um início decepcionante, que ajuda a deixá-lo ainda mais longe do segundo turno.
Fernando Gabeira me impressionou muito pela sapiência e por toda sua conhecida serenidade. Ele vem fugindo do debate sobre a descriminalização do uso de drogas. A questão está afastando-o do eleitorado mais reacionário, principalmente da classe média histérica da zona sul. Gabeira, enquanto fugia do tema, me disse que, estudando o assunto, durante mais de 20 anos de vida política, chegou à conclusão de que o Brasil não está preparado para essa discussão. Em poucos lugares o tráfico é assim, comandado por exércitos em trincheiras nos morros, sob fiscalização torpe, e a população em meio à guerra urbana. O debate sobre o tráfico e o consumo de drogas nesse país é, como o da maioria dos problemas por aqui, inócuo e vazio. Chegar a esta conclusão é demonstração incontestável de que ele amadureceu politicamente. Do mais, Gabeira se baseia muito em projetos de sucesso no exterior que, “com adaptações”, possam dar certo no Rio. O problema está nessas adaptações e no que temos aqui. Essa arenga é mostra da falta de propostas. Nada mais recorrente.
Preocupa-me muito que poucas vezes os candidatos consigam chegar às discussões mais profundas sobre a cidade. O pior é que os problemas são estruturais, conjunturais e urgentes de solução. A administração César Maia deixou claro que maquiagem não serve pra nada. Repudio o apoio ao Favela Bairro. Oferecer habitações dignas não implica em urbanizar favelas. É urgente que se pense em transporte público [desligado das máfias que imperam nos ônibus e vans], em reurbanização, e que seja recalculado o imposto sobre moradias – mesmo os mais baratos. Estes são apenas três exemplos, entre centenas, do que pode causar a favelização. É muito fácil impor que obras em favelas resolvam alguma coisa. O pior é que todos os atuais candidatos são incapazes de criticar o Favela Bairro.
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Minha análise, ainda, não tem nenhuma relação com as pesquisas de intenção de voto divulgadas.
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Na parte II falarei sobre o maior dos elefantes brancos deixados por César Maia ao próximo prefeito: a Cidade da Música. E as primeiras impressões sobre Jandira Feghali e Marcelo Crivella.


Quinta-Feira, 28 de Augosto de 2008, às 14:06
Molon!
Quinta-Feira, 28 de Augosto de 2008, às 15:03
João,
Esperava menos superficialidade nas suas observações.
Quinta-Feira, 28 de Augosto de 2008, às 15:10
Pian, vamos aos poucos.
Não tenha pressa, ainda temos muito o que debater.
Este é o primeiro texto de uma série.
E espero tê-lo como leitor e debatedor nesse caminho. Como nos velhos tempos.
Quinta-Feira, 28 de Augosto de 2008, às 15:35
Terás minha companhia, pequeño rey.
Quinta-Feira, 28 de Augosto de 2008, às 11:44
João Paulo, você que parece estar informado, diga-me: e a história (história, não. Fato) de que o Paes saiu do cargo de secretário estadual depois do prazo legal? Todo mundo esqueceu ou já houve algum tipo de acordo? Não dá para a candidatura dele ser impugnada?
Quinta-Feira, 28 de Augosto de 2008, às 12:09
Factóide brabo esse…
Quinta-Feira, 28 de Augosto de 2008, às 12:16
Ivan, este será um dos temas da 3a parte da carta (a que escrevo neste momento). Vou falar disso e da manobra dos partidários do Picciani pela candidatura do Paes.
Quinta-Feira, 28 de Augosto de 2008, às 13:00
Não esquece de falar tb da triste decisao do Molon em continuar no PT.
“Orgulho de usar essa estrela no peito”.
Quinta-Feira, 28 de Augosto de 2008, às 13:23
Assim que eu conseguir relacionar isso com a eleição, meu amigo Pian, prometo que escrevo.
Quinta-Feira, 28 de Augosto de 2008, às 14:33
Ah, então não tem nada a ver com a eleição o fato dele se assumir, com muito orgulho inclusive, como integrante de um partido que saqueou o país?
É bom saber que uma coisa nao tem nada a ver com a outra.
Quinta-Feira, 28 de Augosto de 2008, às 14:50
Proponha, então, o fim do PT, Pian. A escolha do Alessandro Molon em manter-se no PT não tem nada a ver com a corrida municipal.
Quinta-Feira, 28 de Augosto de 2008, às 16:55
Seu chapa-branca maldito,
Como não tem nada a ver com as eleições?
Quinta-Feira, 28 de Augosto de 2008, às 16:11
Eu gostava muito, mas muito mesmo do Molon.
Acompanhei desde o inicio da vida parlamentar dele, quando logo de inicio votou contra o Picciani para presidente da ALERJ.
Fazia um trio otimo com o Chico Alencar e o Eliomar Coelho(dep federal e vereador), defendendo os interesses do Rio de Janeiro, e sempre sendo éticos, combativos, prestando contas e tudo mais.
Infelizmente, talvez por pressoes da Igreja (que influencia sim no seu mandato, inclusive em votações polemicas), ele preferiu continuar no PT, e desfez a parceria com Chico e o Eliomar que foram pro PSOL. Eles não sairam do PT pq quiseram, e sim pq o PT que saiu de si mesmo.
Depois o Molon foi só fracasso. Culminando com a ridicula aliança com o PMDB de Cabral e Piciani(e Garotinho, Jerominho,Alvaro Lins…), e que acabou tomando um Pezão na bunda e ficou que nem um “menor abandonado” na campanha.
É ridiculo ver ele, Crivella, Jandira e Paes brigando pra quem é mais amiguinho do Lula.
Não confio mais no Molon, pois ele mudou muito rapido.
Agora meu deputado estadual preferido é o Marcelo Freixo. Esse sim esta correndo serios riscos por enfrentar deputados da baixada, e principalmente as Milicias. Procurem saber sobre Marcelo Freixo.
Meu voto pra prefeito, é obvio: Chico Alencar, o unico sem rabo preso, sem esquemas de financiamento de campanha(não tem nem 200 mil pra fazer a campanha, enquanto os outros todos na casa dos milhoes), e com propostas concretas de governo
Quinta-Feira, 28 de Augosto de 2008, às 16:17
Chico Alencar, Tiago, será sempre uma boa pedida.
Quinta-Feira, 28 de Augosto de 2008, às 11:42
Tiago, o Molon vem se enrolando para tentar cargo no executivo. Preferiu continuar no PT e, por pouco, não começou a corrida ao lado do Picciani e cia (como você bem disse). Por isso, vale o debate: ´nessa cidade comandada por máfias, é possível governar e ser independente?
Quinta-Feira, 28 de Augosto de 2008, às 18:12
João Paulo,
imagine só a seguinte situação:
Molon prefeito do Rio, e Picciani (ou o filho deputado federal, ou algum parente) como secretário de trabalho.
Logo o Piccianni que tem varios trabalhadores em regime de escravidão em suas fazendas.
Como pode pensar em se aliar a um cara desses?
Acho que talvez uma coisa que mudaria todo esse sistema, seria a reforma politica.
Pontos como melhor divisão dos partidos, das propagandas e PRINCIPALMENTE Financiamento Publico das campanhas, iriam melhorar, e muito o quadro politico brasileiro
Até acho que o Molon tenha boa intenção em algumas coisas, mas não vai conseguir por em pratica se aliando, e ficando num partido que faz parte do governo Cabral, por exemplo.
Quando criticam por exemplo o PSTU, e assim criticam o PSOL por aliar-se a eles, eu posso até concordar em muitas criticas ao PSTU, tenho muitas sim, e reconheco. E até por terem divergencias, não sao um unico partido.
Mas é muito melhor votar no PSOL e quem sabe eleger junto com a legenda alguem do PSTU, ou ter alguem do PSTU em uma secretaria, do que votar num vereador do PT(que aliás, ja foi o tempo de bons quadros na legenda petista) e eleger o irmão do Babu, ou votar no PCdoB da Jandira, e eleger gente de partidos de aluguel(que nao servem pra NADA), como PHS e PTN. Alguem conhece algo sobre esses partidos? Só servem pra fazer tempo de tv e arrecadar dinheiro do fundo partidario, pois ideias, ideologia, gente competente, la nao tem, com certeza
E segue o debate, que assim que é bom, ao contrario do que vem ocorrendo nas eleições, mais gelada do que a Brahma do meu buteco favorito.
Alias, varios candidatos (entre eles, Jandira, Molon, Gabeira…), tem faltado varios debates que tem sido programados em entidades, sindicatos, espaços de cultura, igrejas, favelas… Vamos ficar atento para votar em quem não se esconde
Quinta-Feira, 28 de Augosto de 2008, às 11:04
Tiago, concordo contigo mais uma vez.
O Molon tem capacidade para um bom governo, mas, quando era pré-candidato, me preocupou o fato de aceitar alianças com a corja do PMDB (mesma aliança prontamente aceita pelo Paes).
Quanto a continuar no PT foi uma decisão que cada vez significa menos nesse país. O que é triste. Pior, Molon continuou no PT e demorou quase um mês de corrida eleitoral para parar de falar do Lula e começar a falar de propostas.
E tenho certeza que ele continua tentando a participação do Lula na campanha e, se conseguir, vai bombardear os eleitores com isso. Novamente.