por C.A. - Quarta-Feira, 20 de Augosto de 2008, às 11:26
Carlos Andreazza, directamente do Ginásio Capital, Pequim
Porquanto se deva ver para crer, cá estou, afinal, disposto a acompanhar, in loco, o voleibol masculino brasileiro.
A partida, contra a China, leva o vencedor à semifinal.
Em condições normais, segundo me dizem os especialistas, os fanáticos do bernardismo, ignorando a pressão da torcida caseira [que não existe…], atropelarão o “valente” – o fraco, sem eufemismo – time chinês.
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Eu esperava ter mais a observar e escrever sobre esta seleção brasileira de vôlei – mas: o jogo vai correndo e é tudo tão certinho, tão perfeito, tão careta…
Desconfio.
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Automática o tempo todo, fanaticamente ensaiada, incansavelmente treinada – com efeito, a seleção brasileira de vôlei, sob a fé bernardista, funciona e avança.
Falta, porém, o que sempre lhe fez diferente: o gênio, o improviso, o imprevisível de um Ricardinho.
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A torcida chinesa, não importa a modalidade, lota todas as arenas – mas parece não ter a mínima idéia do que se passa nelas.
E se diverte.
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Marcelinho é muito bom levantador, parece-me especialmente concentrado e sério – mas é comum.
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Não entendo coisa alguma de voleibol – prova inconteste de meu bom gosto esportivo –, mas o levantador reserva do Brasil [Bruno], que entrou muito mal neste jogo facílimo, se me afigura bem abaixo da média.
Aos 12 anos, porém, tem muito a evoluir.
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O fraco time da China, que teria dificuldades nos jogos intercolegiais do Rio, de fato foi presa fácil para os pastores de Bernardinho.
Aguardemos, então, pela semifinal – em que, paciência, terei de me fazer presente.
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Nada é mais representativo do esporte olímpico brasileiro em Pequim que a participação pátria – vergonhosa – no atletismo.
Uma delegação que padece do mais infecundo gigantismo, formada por atletas indigentes, que correm muitas vezes sem meios físicos de sequer completar uma prova – assim como constrangedoramente se deu com Zenaide Vieira, que abandonou, por cansaço, uma medíocre eliminatória dos três mil metros com obstáculos, a sua primeira e única aparição nesta Olimpíada.
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Nas provas de pista, por exemplo da miséria, os brasileiros não formaram largada para uma semifinal sequer, embora sejam apresentados, os pobres, como atletas de alta performance.
Não são – e não se enganam: quando questionados sobre os seus pífios resultados, sem esconder a vocação para o intercâmbio estudantil [modalidade didática de turismo], dizem sempre que cá estão para acumular experiência, assim como se quatro anos de prévia preparação não existissem. (E terão existido, afinal, esses quatro anos de treinamento)? (E o tal ciclo olímpico completo, sustentado pelo dinheiro público, serviu de quê)?
Equívoco absoluto. E caro.
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O único investimento público em atletismo minimamente aceitável é precisamente aquele que não há: o que beneficiaria o desenvolvimento do esporte nas escolas, entre as crianças, como complemento à educação e estímulo ao estudo.
Daí, cidadãos já formados, tanto melhor se um ou outro atleta vingasse. Seria lucro.
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Em matéria de atletismo, a evolução da espécie se faz notar, hoje, na prova dos
A retardar a completude desta evolução, entretanto, aqui estão, mui empenhados, os atletas brasileiros – que correm a distância na luta por superar [sem sombra de sucesso] a marca conquistada pelo vovô Zequinha Barbosa nos jogos de 1992 [Barcelona]…
É a definição precisa para retrocesso.
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A única medalha do atletismo brasileiro em Pequim virá com Maureen Maggi, no salto em distância.
(Jadel Gregório, no salto-triplo, terá de pular e gritar como nunca para lograr, no máximo, a irrelevância de um quarto lugar).
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Usain Bolt, o Tarcisio Meira das pistas, é um gênio do esporte – e raríssimo nestes tempos politicamente caretas [corretos]: ele ri e dança e provoca e se diverte e nos diverte e vence, com facilidade, sempre.
Um artista completo, aos 21 anos.
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Juliana Veloso, dos saltos ornamentais, ofereceu-nos, faz pouco, uma notável série de barrigadas à piscina – muito bem traduzida pela nota três [3] que levou.
Turismo de aventura, leitor tribuneiro, é isso aí.
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A coluna de amanhã será escrita – directamente – do Estádio do Trabalhador, onde verei a glória dourada do futebol feminino brasileiro.


Quarta-Feira, 20 de Augosto de 2008, às 16:44
Fantástica, amigo Andreazza, a cobertura tribuneira em Pequim!