por C.A. - Segunda-Feira, 18 de Augosto de 2008, às 17:32
Carlos Andreazza, directamente do Ninho do Urubu, Pequim
Claro está que a sétima medalha de ouro de Michael Phelps – nos 100m borboleta – resultou de uma grande fraude esportiva.
O nadador sérvio venceu. Mas, e daí?
Aos organizadores chineses muito interessava ter um tamanho recorde de medalhas – tremenda marca histórica – batido nas águas de Pequim. E assim foi. Ponto final.
(E decerto que souberam fazer com que Milorad Cavic, calando-se por vice em nome do espírito esportivo, compreendesse a importância do momento)…
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A vitória de Cesar Cielo em Pequim nada tem a ver com os tantos [e tão mais propagandeados…] investimentos públicos no esporte olímpico brasileiro – e só se deu, afirmo sem medo de errar, porque ele foi treinar bem longe do Brasil.
Ainda assim – repetindo o que fizera com Robert Scheidt em Atenas [2004] –, o presidente Lula, cara-de-pau solene, encontrou um jeito de trazer para si aquela onda que deveria ser surfe absolutamente alheio e, representando o grande patrono esportivo que o Estado julga ser, telefonou para o campeão sob a mais cafajestes das intenções, de maneira a reforçar, de público, o peso da farsa segundo a qual estávamos diante de uma vitória do país, da natação do Brasil, do esporte olímpico nacional, da política esportiva pátria.
Mentira. Mais uma.
A vitória foi de um brasileiro – de um grande brasileiro, mais um que precisou deixar seu país para encontrar meios de desenvolver o talento.
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(E é só mesmo neste país que a vitória de um brasileiro pode não ser a vitória do Brasil – mas, antes, a evidência de seus equívocos).
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Thiago Pereira – sempre no “quase” – tem a cara do esporte olímpico nacional.
Para ele, porém, Lula não telefonou.
Ele foi quarto.
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Os atletas que treinam sob o paternalismo brasileiro – e que dependem do dinheiro público para sobreviver – talvez precisassem, antes, de um profundo tratamento psiquiátrico.
Afinal, é só esporte – e ninguém morreu.
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Afinal, é só esporte brasileiro - e ninguém venceu.
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Não quero que um atleta – qualquer um – me venha pedir desculpa pelo seu fracasso.
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Afetivamente, os meus jogos olímpicos sempre se ancoram no tripé natação, judô – e sobretudo atletismo.
E para o leitor tribuneiro, quais esportes têm a cara de uma Olimpíada?
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A grande contribuição esportiva do velocista Usain Bolt passa longe dos recordes – ou haverá algo mais fantástico do que um atleta descontraído, jovem, midiático, brincalhão, debochado e [afinal] vencedor nesses tempos politicamente corretos em que só a concentração [só o Bernardinho] resulta?
O cara voa e ainda se nos oferece um amplo domínio cênico da cousa, como se fosse também ele o responsável pela colocação das câmeras na arena.
Um gênio.
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Usain Bolt: o Tarcísio Meira do atletismo.
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O grande feito de Fabiana Murer em Pequim foi, também, um quase feito. Nada a ver com a prova do salto, em que nunca teve chances de medalha olímpica – mas com o sumiço de sua vara.
Por instantes, vendo-a parada no meio da pista, protestando, interditando o movimento das demais atletas, pensei que ela fosse levar adiante a postura grevista de impedir que a competição continuasse até que lhe devolvessem a vara – mas, lamentavelmente, ela recuou, cedeu e acabou por abrir campo às concorrentes.
Perdeu ali a oportunidade de entrar para a história como a primeira grevista dos jogos olímpicos. (E assim perdeu, também, um telefonema solidário do presidente Lula, certamente saudoso das paralisações no ABC de outrora)…
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Em tempo: muito simpática e tal, Fabiana Murer fez fiasco apenas para aqueles que se iludiram. Olimpíada não é pan-americano, ela, repito, nunca teve chances de medalha olímpica – e muito fez em se classificar para as finais.
Com Jadel Gregório, que o leitor tribuneiro não se iluda, será igual: fez o nono tempo nas eliminatórias, diz que se poupou etc., mas não tem muito mais a dar. (A não ser aqueles seus gritos constrangedores).
É bravata.
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Aposto, porém, numa medalha para Maureen Maggi – com quem venho de conversar longamente.
Como se diz, está focada.
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Que não me venham com este papo de falta de afinidade, de pouco entrosamento etc. Jogassem juntas há cem anos, fossem mais que amigas, sei lá, e Ana Paula e Larissa não venceriam Walsh e May.
O motivo é simples: a dupla ianque é muito melhor.
E o mesmo serve para as bravas Renata e Talita – as próximas vítimas: neste que é o esporte mais chato da história, o conjunto norte-americano é insuportável.
Coerência é isso.
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A participação brasileira nestas Olimpíadas só é ridícula para quem acredita na tevê Globo e nos resultados dum Pan ordinário.
Sob um olhar honesto, a cousa é justa – e a delegação brasileira, esforçada, não poderia mesmo ir além. Fez-se, em detrimento da qualidade, uma opção [errada, de novo] pela quantidade, pelo volume da presença do Brasil em Pequim – e poucos brasileiros cá não vieram a passeio.
Ainda mais que a natação, as competições de atletismo, exemplares da miséria brasileira, têm apresentado atletas pátrios de um nível inacreditável até para quem é habituado à farra turística sob os auspícios públicos.
Esta política, nem que por uma questão de economia, precisa ser revista – já.
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Para olímpico desespero do COB, a salvação dourada do esporte brasileiro pode vir pelos pés da CBF.
(Para olímpico desespero meu, a salvação dourada do esporte brasileiro em Pequim pode vir pelo engenho de Dunga)…
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Não é verdade que um mui amargurado ginasta brasileiro, em busca de consolo, esteja por trás do misterioso sumiço da vara de Fabiana Murer.
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Esta coluna vai ao ar com muito atraso – e por conta de um contratempo [lamentável] que acabo de superar.
Amanhã, se minha advogada autorizar, eu revelo.


Segunda-Feira, 18 de Augosto de 2008, às 17:56
Tá vivo, graças a Deus. Aliás, vivíssimo!
Advogada do Andreazza, autoriza, por favor.
Segunda-Feira, 18 de Augosto de 2008, às 18:00
Acho que o J.P. já revelou nos comentários do post anterior… Mas ainda falta o nome do contratempo.
Bem que Cesar Cielo poderia levar Thiago Pereira para treinar nos EUA.
Ao seu tripé, acrescentaria apenas as ginásticas rítmica e artística.
E acho que Fabiana Murer tinha chances de medalha, sim. Faz uns dois meses que ela conseguiu saltar 4,80m, marca obtida pela norte-americana que ficou com a prata. É inacreditável que uma vara tenha sumido nos Jogos Olimpícos, coisa que não acontece no GP Caixa em Belém do Pará.