por C.A. - Terca-Feira, 12 de Augosto de 2008, às 10:30
Carlos Andreazza, directamente do Cubo D’água, Pequim
O menino Thiago Pereira, nadador brasileiro, está francamente desnutrido – ou como se explicará o cansaço renitente com que, aos frangalhos, termina toda prova? (Os seus cinqüenta metros finais são um ai-jesus – e por vezes temi que se afogasse na disputa dos
Sem dúvida, desabonadora propaganda para o Fome Zero do presidente Lula.
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Thiago Pereira é uma espécie de Michael Phelps do Piscinão de Ramos.
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É de uma anti-esportividade gritante que o Comitê Olímpico Internacional não permita que os nadadores brasileiros compitam com as suas habituais boinhas de braço.
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As competições de natação vão chegando ao fim, os brasileiros por pouco não se afogam – mas os comentaristas [torcedores?] pátrios aqui em Pequim não se constrangem em dizer que o melhor do Brasil ainda está por vir…
Só se for no próximo Pan.
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(O nadador brasileiro fica em 22º lugar e os especialistas comemoram – é novo recorde sul-americano)…
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Cesar Cielo é, sem dúvida, o melhor nadador brasileiro: classificou-se para as semifinais dos
(Para a natação brasileira, eis a verdade, vitória – medalha – é que nossos atletas consigam sair respirando da piscina).
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O fiasco da natação brasileira tem uma explicação muito simples: todo mundo está sempre muito satisfeito – e muito grato.
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As Olimpíadas só servem para exaltar a miséria dos jogos pan-americanos.
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O sujeito é profissionalmente obrigado a ver partidas de vôlei de praia – e ainda é adicionalmente torturado por uma trilha sonora que tem, por seu melhor momento, a “poeira” de Ivete Sangalo.
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Embora se diga empenhado na candidatura olímpica do Rio de Janeiro [2016], o terrível Oscar Schmidt, sem saber, trabalha por arruinar as pretensões cariocas.
As pessoas – e até os chineses! – fogem dele em Pequim.
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As arenas olímpicas andam meio vazias e o comitê organizador cogita “recrutar” novos escravos para o devido preenchimento das arquibancadas.
(Aqui na China há um eufemismo para escravo: voluntário).
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Veladamente, porém, os organizadores temem que alguns escravos se rebelem acaso postos a ver as disputas de vôlei de praia.
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O judoca Tiago Camilo ganhou mais uma medalha – de bronze – para o Brasil.
E daí?
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Temo que o dunguismo e o bernardismo representem a redenção [dourada] do esporte brasileiro nesta Olimpíada - e então terei de pedir asilo político.


Terca-Feira, 12 de Augosto de 2008, às 15:13
Caro CA
O que há de melhor nessa Olímpiada é sua cobertura, hilária.
Sobre a natação brasileira, o que me chama a atenção é que todos melhoram os tempos da eliminitória para a prova final, só os brasileitos pioram. Houve prova que o Thiago piorou 1,5 seg, não ocorresse este fato estranho ele pegaria o bronze.
E isso aconteceu com quase todos! Não houvesse controle de dopagem nas eliminitórias (possível melhor razão), eu diria que é amarelada braba ou, como vc diz, “satisfação de já estar ali”!
Abçs e parabéns!
Terca-Feira, 12 de Augosto de 2008, às 15:14
Caro Carlos,
Gostei dos textos escritos em Pequim (espero que esteja tudo bem por aí), mas devo dizer que não concordo com sua opinião sobre os atletas brasileiros, de que uma medalha de bronze ou um recorde sul-americano não tenha a menor importância.
Tendo como parâmetro o investimento medíocre em esportes no Brasil, salvo o futebol, por parte de empresários ou do governo, é muito bom o desempenho destes atletas. Acho que um atleta que consegue uma medalha de bronze deve comemorar sim, e muito.
Grande abraço,
Paulo Pilha
Terca-Feira, 12 de Augosto de 2008, às 07:09
Haa haa haa - subitamente melhorou meu interesse em acompanhar essas Olimpíadas… Aqui na Dinamarca não aparece tanta coisa sobre o Brasil, mas - voilá! - CA salvou bonito. Rindo muito aqui!
Terca-Feira, 12 de Augosto de 2008, às 11:46
O sofrível desempenho do Brasil é preocupante principalmente devido ao grande investimento feito pelo COB para formar uma gigantesca delegação, como diz o Andreazza, de turistas.
Esse dinheiro vai afinal pra onde? A Casa do Brasil aí em Pequim, meu amigo Andreazza, é como a Cidade da Música cá no Rio (nunca existiu tamanho elefante branco na história da nossa cidade). Os gastos com a delegação brasileira são incrivelmente maiores do que de países que realmente conseguem vencer mais.
A maquina olímpica brasileira tem deixado muita gente rica, enquanto judoca que ganha bronze precisa pedir dinheiro de parentes pra comprar o quimono.
Terca-Feira, 12 de Augosto de 2008, às 11:47
Andreazza, aproveite sua estadia em Pequim para analisar o desempenho cubano nessas olimpíadas. Que desempenho!