por C.A. - Terca-Feira, 5 de Augosto de 2008, às 13:46
Carlos Andreazza, directamente de Pequim
Faço uma pausa na cobetura olímpica para anunciar que o G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro, segunda maior escola de samba do universo [depois, claro, do glorioso Império Serrano], deu início ao seu concurso de sambas-enredo para o carnaval de 2009 - e o fez com 38 postulantes, entre eles uma pérola que quero exaltar, construída toda em tom menor [como sói aos imortais do gênero], de autoria do grande imperiano Luiz Antonio Simas e de Alberto Mussa [em parceria com Edgar Filho, Gari Sorriso e Bené] .
O enredo é “Tambor” e o samba, seguido de sua letra, pode ser ouvido abaixo:
Canto uma herança
Da humanidade primordial
De árvores tombadas um tom grave
Deu a cadência original
A idéia de um gênio anônimo,
Meu ancestral
Caçador que na mata uma fera enfrentou
Quando sua vitória quis anunciar
Pôs o couro esticado, bateu, repicou
Ôô ôô, ôô ôô
Festa na aldeia,
Lua cheia, um clarão
Tem batuque a noite inteira
É magia, adoração
De ocidente a oriente
Em diferentes formas se multiplicou
Qual é o povo
Que não bate o seu tambor?
Quem cruzou o mar
Encontrou um som guerreiro
E desde então o baticum não quer parar
Zambê, zabumba, ilu-abá
Angoma, tumba, candongueiro
Batá-cotô no meu terreiro
Põe na roda o tambozeiro
O Brasil nasceu de mim
Inclusão, cidadania
Furiosa bateria
Coração que bate assim
Menina, quem foi teu mestre?
Um batuqueiro
Que arrastava
O povo do Salgueiro
********
E apenas porque o Império Serrano também está na parada, este samba-enredo do Salgueiro, acaso vitorioso, será o segundo melhor do carnaval de 2009.
Quer saber sobre o samba enredo do Império? Aqui.


Terca-Feira, 5 de Augosto de 2008, às 15:06
O Salgueiro tambem eh minha segunda escola e de muita gente que conheco. Por que sera?
Terca-Feira, 5 de Augosto de 2008, às 15:08
Samba em tom menor, acho que ha muito nao vejo. O samba da Porto da Pedra sobre Africa do Sul acho que era em re menor. Mas nao lembro de outros recentes.
Terca-Feira, 5 de Augosto de 2008, às 15:13
O samba eh legal. Vai ficar maravilhoso na voz do Quinho. Mas destaco dois defeitos. Tem uns probleminhas de metrica nas primeiras estrofes. Outra coisa. A babaquice populista chegou ao samba (provavelmente, sim, porque a Mangueira vai falar de Darcy Ribeiro)? Que chatice essa historia de inclusao, cidadania…
Inclusao social, pra mim, eh penetrar em festa…
Terca-Feira, 5 de Augosto de 2008, às 15:26
Gabi, rapidamente [porque a conexão é cara e lenta]:
- a respeito de métrica etc., samba-enredo é samba-enredo; e não poesia [graças a deus, aliás].
- o da Porto da Pedra era em tom menor, sim; mas, de tão acelerado na avenida, perdeu-se.
- a babaquice populista, suponho, deve ser uma exigência da sinopse.
- nenhum samba fica maravilhoso na voz do Quinho [e quanto mais se a gravação original for do Rixa].
- eu não tenho segunda escola; sou Império Serrano.
Terca-Feira, 5 de Augosto de 2008, às 16:11
Acho que esse “inclusão” foi uma forma de falar no axé e nas baianidades (que constam do enredo) de forma beeeem discreta (rs). Um achado!
O Rixah, um de nossos melhores puxadores, só pecou no segundo refrão desse lindo samba, de longe o melhor na disputa salgueirense. Não sei por quê ele acabou provocando um problema de prosódia (”Meniná”) que não havia na composição original…
Em tempo: a exemplo do C.A., só tenho uma escola.
Terca-Feira, 5 de Augosto de 2008, às 16:13
A pergunta que não quer calar é: como, enfim, se escreve Rixah (ou Richah, ou Rixa, ou Richxah…)?
Terca-Feira, 5 de Augosto de 2008, às 16:32
Tomara que o povo da minha querida Tijuca, e do meu querido Salgueiro, faça uma pressão forte, porque o samba é muito bonito.
Quanto ao Richxah, por que essa variação? Marcelo, será que o compositor Simas não sabe? Porque essa pergunta não quer calar há muito tempo. (rs)
Terca-Feira, 5 de Augosto de 2008, às 17:57
Segunda escola eh modo de dizer. A Olga, que eh da Tijuca, terra do America FC, talvez entenda melhor essa questao de ter uma paixao por uma agremiacao, time, etc, mas ter um lugarzinho no coracao para outra.
Terca-Feira, 5 de Augosto de 2008, às 19:25
É verdade, Gabi. Acho que posso entender isso sim.
Posso falar um pouquinho do Quinho? Tudo bem que ele não é nenhum Dominguinhos, mas o acho tão integrado ao Salgueiro. Adoro o “ai,ai,ai, arrepia Salgueiro, pimba! pimba!”. Eu me arrepio mesmo.
Terca-Feira, 5 de Augosto de 2008, às 20:21
Andreazza, valeu a força! Quanto ao nome do Rixa, Olga, a coisa tem ligação, me parece, com numerologia. Já em relação ao “inclusão, cidadania”, é exatamente o que colocou o C.A.
Abraços
Terca-Feira, 5 de Augosto de 2008, às 09:53
Valeu a forca!
Entendi…
Terca-Feira, 5 de Augosto de 2008, às 09:54
Essa numerologia do Rixa eh estranha, porque, quanto mais ele muda o nome, menos consegue vaga em alguma grande escola. Parece o Valdyr Espynoza.
Terca-Feira, 5 de Augosto de 2008, às 09:55
Gari Sorriso eh o Renato Sorriso?
Terca-Feira, 5 de Augosto de 2008, às 09:56
Com todo respeito ao leitor Simas, o que leva um grande imperiano a fazer samba para o Salgueiro, o Arlindo Cruz para a minha Grande Rio e o Gustttttttttavo Clarao para a Mangueira?
Terca-Feira, 5 de Augosto de 2008, às 10:18
No caso do Arlindo Cruz, Gabi, é fácil: para além de o Império não ter disputa em 2009, ele não admite perder [mesmo que para um samba melhor, como em 2008] - e a Grande Rio, digamos, é mais receptiva aos meios empregados por seus parceiros…
(Rixa não está em escola alguma por questões políticas, uma vez que é o melhor de todos, Neguinho incluído).
Terca-Feira, 5 de Augosto de 2008, às 12:06
Gabi, o que me levou a fazer um samba para o Salgueiro foi simples:
1- Um convite de grandes amigos salgueirenses - Edgar e Mussa - que sabem da luta que travo com o cavaquinho para fazer umas melodias. Esse motivo - a ação entre amigos - foi o fundamental.
2- A possibilidade de passar umas tardes divertidas no Galeto Columbia rabiscando umas notas e letras; o samba foi feito lá, pertinho do morro do Salgueiro.
3- O grande carinho que tenho pelo Salgueiro, que fica bem perto da minha casa. Gosto muito do Sal, a segunda maior escola de samba do planeta.
4- Não sou um sambista profissional - o samba foi mesmo uma ação entre amigos. E fazer samba enredo, como amador, é ótimo e divertido pácas. O chato é a disputa.
5- Minha relação com o Império, no carnaval de 2009, permanece intacta - estarei devidamente fantasiado defendendo, anônimo e feliz, as cores imperiais na Sapucaí.
Abraço.
Terca-Feira, 5 de Augosto de 2008, às 14:17
Simas, tai, vc resumiu o samba em sua explicacao: uma acao divertida entre amigos.
Sem mais.