por C.A. - Quarta-Feira, 30 de Julho de 2008, às 12:11
Carlos Andreazza, directamente de Pequim
Estive na descomunal Vila Olímpica de Pequim. Agendara, na véspera, uma visita aos alojamentos que receberão a delegação brasileira e, apesar da quase hora de atraso e da má-vontade geral [a simpatia dos chineses é propaganda enganosa], pude confirmar: os confortáveis aposentos, amplos e bem iluminados, são perfeitos para quem viaja a passeio.
(Não à toa, a primeira equipe pátria a se instalar foi a do remo).
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Conversei – brevemente – com os remadores brasileiros. Simpáticos e muito agradecidos…
Estão, aliás, encantados [deslumbrados] com o ar-condicionado da Vila – e, claro, agradecem. (Agradeceram-me, por exemplo, por lhes ter elogiado os quartos onde ficarão, tal qual fossem os arquitetos responsáveis).
Acho fantástico quando um atleta agradece a deus e a todos os santos pela sorte de estar numa Olimpíada, assim quase como se se sentisse culpado por participar dos jogos a passeio, por fazer apenas número, volume, sei lá, por ocupar tamanho espaço – e de graça.
Atleta que agradece demais assume a sua condição de turista.
(Teremos uma romaria brasileira em Pequim).
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Tenho me havido bem com o metrô da cidade. Todo sinalizado em inglês, os seus quase duzentos quilômetros de extensão ainda não me enredaram num labirinto. O teste, porém, ainda está por vir: espera-se uma média de 28,8 mil passageiros por hora durante os jogos – e isto apenas na linha construída especialmente para a Olimpíada.
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Pela primeira vez nesta cobertura olímpica, lamento, falhará a minha imaginação, uma vez que não encontrei referência brasileira para o metrô de Pequim.
Em termo de custos, a Cidade da Música – talvez.
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As pessoas acham que o mundo jornalístico se divide entre Veja – com seus milhares de anunciantes privados – e Carta Capital, receptáculo maior [único?] da publicidade pública. Só podem decorrer desta polaridade midiática os dois e-mails que venho de receber, ambos com o mesmo conteúdo – uma pergunta, na verdade: sob os auspícios de quem, afinal, estou aqui na China?
Não mentiria se declarasse que cá me encontro por conta própria – ou alguém acredita que mantemos esta Casa há tantos anos [e sem publicidade] de graça? (Fiz um pé de meia)…
Os tribuneiros, mui felizmente, têm um mecenas deveras generoso, investidor particular e reservado ademais, que aposta nas idéias, na nossa independência e coragem, que acredita simplesmente no talento, daí porque esta nota tenha a única intenção de instigar a curiosidade do leitor.
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Lembremo-nos, aliás, de que esta é a segunda cobertura olímpica, in loco, dos tribuneiros: Rafael Simi, sob condições muito mais modestas [na raça mesmo], esteve em Atenas [2004], quando a Casa não contava ainda um ano de vida.
Um pouco de ousadia costumar fazer a diferença.
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A notícia de que o técnico de ginástica da China, Sr. Huang Yubin [o Bernardinho chinês], promete se atirar de um arranha-céu caso sua equipe não supere a marca de Atenas – uma medalha de ouro e dois bronzes – repercutiu muito positivamente aqui em Pequim.
O governo central chinês a recebeu como prova de amor pátrio – e assegurou que cuidará de todo o esquema de segurança caso o Sr. Yubin tenha mesmo de honrar a palavra.
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Os chineses espalharam – em duas semanas – quarenta milhões de flores por Pequim. Sem gota de planejamento. Muitas, então, já se esvaem sob o calor, murchas e carcomidas, assim como, num paralelo bem grosseiro [e injusto para com os chineses], esses canteiros hediondos que o alcaide Cesar Maia cuspiu – a esmo – pelo nosso tão ressecado Rio de Janeiro.
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Arrependi-me de ter praguejado contra o futebol nos jogos olímpicos. Afinal, antevejo numa semifinal entre Brasil e Argentina o fim do dunguismo – e medalha de ouro igual não pode haver.


Quarta-Feira, 30 de Julho de 2008, às 14:51
To sentindo falta de mais porrada nos comunas.
Quarta-Feira, 30 de Julho de 2008, às 14:53
Andreazza, vc tem um talento incrivel para escrever. Eh bem informado e tem uma ironia fina. Da ate para perdoar que nao perca uma oportunidade para bater no Cesar. Eu tinha desistido de ter ler por isso, mas durante as olimpiadas, nao estou resistindo. Te dou uma colher de cha ate o fim dos jogos, ta bom?
Quarta-Feira, 30 de Julho de 2008, às 14:54
Achei estranha a informacao de quem vcs ja cobriram outra olimpiada. Alem de duas olimpiadas, vcs cobriram outros eventos? Quem paga a conta? O Marcos Valerio?
Quarta-Feira, 30 de Julho de 2008, às 17:05
Ô, gente medíocre! (né, Pim?)
Com uma cobertura que, já nas primeiras impressões, se prenuncia como divertidíssima, as pessoas preocupadas com quem tá pagando a conta, como se o espaço privado não fosse.