por Bruna Demaison - Segunda-Feira, 21 de Julho de 2008, às 15:09
As Barbies podem destruir a vida de uma menina e devido a essa certeza eu incentivo todas as minhas sobrinhas a jogarem futebol: entra em campo, chuta a canela do moleque, xinga a mãe, acaba o jogo e é capacidade total de abstração. Mas ela queria brincar de Barbie e lá fui eu com a boneca mentirosa que me coube para a casinha rosa.
- Esse é seu Ken, vocês moram aqui.
- Não posso morar sozinha?
Ela me encarou por alguns minutos e concordou.
- Didi, vamos brincar que estamos em uma festa e meu ex-namorado também está.
Minha Barbie dançava felicííííssima, gargalhava jogando os cabelos para trás, até beijou outro contando os segundos praquilo acabar.
- Tia, seu Ken ainda está sentado ali.
Pouco antes ela tinha me contado que um dos seus dois namorados (a infância é maravilhosa) não queria mais continuar, e a parte horripilante foi a frase – “mas eu vou namorá-lo de novo”. Decidi que aquela brincadeira seria a melhor hora para termos uma conversa séria.
- Meu Ken vai ficar ali, ele não me quer mais. Minha Barbie pegou sol, experimentou trinta roupas, ensaiou no espelho a conversa e ele não se importa. Eu sei, não é justo, mas acontece. Ele não estava confuso, não era coisa de momento, era falta de vontade mesmo. Até existem algumas pessoas que têm casos de amor tão intensos com suas neuroses que não agüentam a relação tríplice e te largam, mas pode apostar que logo esbarram com outra e quem acaba descartado são os problemas. Aí você chora, se culpa, pensa no que fez de errado, mal consegue ficar em pé. Provavelmente você não fez nada de errado com ele, mas pode fazer com você.
Ela me olhava estarrecida.
- São mais de seis milhões de pessoas nessa cidade, qual a chance daquele infeliz ser o único que serve? Mas você liga de madrugada, aparece nos lugares e por pouco tempo ele cede e vocês são felizes, passeiam de mãos dadas, esperam na fila abraçados, até que um dia ele acorda e pum! Dúvidas. Começa tudo outra vez. Existem segundas chances, existem até terceiras, mas existe uma chance que você precisa se dar – tenta outra coisa?
- Quer brincar de Lego?
É melhor, todas as pecinhas se encaixam em inúmeras combinações.


Segunda-Feira, 21 de Julho de 2008, às 15:31
Bruna, adorei o tratamento de choque!!
Segunda-Feira, 21 de Julho de 2008, às 17:25
Bruna, esse fds brinquei com minha sobrinha de restaurante e avião. Obviamente que ela era a garçonete e comissária, enquanto eu o cliente chato e o passageiro de executiva querendo vinho (suco de uva), serviço rápido, cobertor, fone e massagem nos pés. Eu, numa mesa de almofada e com um cardápio de almofada pedia nuggets com macarrão e omelete. Perguntei o destino do vôo e ela diz para minha surpresa “Berlin!”. Como assim??? Enfim…coitada, deixei-a exausta mas feliz. No final ela me fez prometer brincar de novo outro dia tudo igual.
Detalhe: não havia Playmobil, nem Barbies, nem Kens, nem Lego. Tudo muito mais simples que esses brinquedos de adultos…
Segunda-Feira, 21 de Julho de 2008, às 18:57
Definitivamente,vamos brincar de lego !!
Segunda-Feira, 21 de Julho de 2008, às 22:13
De mulher pra mulher, Marisa!
Segunda-Feira, 21 de Julho de 2008, às 00:09
Bru,
Cada vez mais eu tenho certeza de que sou eu KEN vai fazer você feliz.
Um beijo de quem vai fazer vc voltar a ter fé no gênero masculino.
Pian
Segunda-Feira, 21 de Julho de 2008, às 08:42
Ha ha ha maravilhoso isso.
Beijos!
Segunda-Feira, 21 de Julho de 2008, às 15:26
Genial, Bruna, como sempre!
Bjs,
Mariana
Segunda-Feira, 21 de Julho de 2008, às 21:12
Fabuloso!
Segunda-Feira, 21 de Julho de 2008, às 10:28
Excelente!!!!
Segunda-Feira, 21 de Julho de 2008, às 16:22
Brilhante!!!
uma filosofia a se cogitar…