por Felipe Moura Brasil (Pim) - Sexta-Feira, 27 de Junho de 2008, às 14:33
Leio na Folha de S. Paulo que a “pirataria pode levar ao ‘fim do cinema’”. Viva a pirataria!, penso eu. Vou emburrecer menos. Não terei mais peso na consciência de perder o último filme do Van Damme no Nilópolis Square. Passado o arrebatamento, porém, penso com mais calma. Se a pirataria musical obrigou os artistas a dependerem menos de discos do que de shows, é natural que a pirataria cinematográfica resulte em mais teatro, em mais peças em cartaz. Não tem jeito. Eu que não vou perder O grande dragão branco no Shopping da Gávea.
Agora que a internet e as novas tecnologias democratizaram a produção e, principalmente, o consumo de conteúdo, restaria então aos artistas ganhar dinheiro com suas presenças físicas - com a execução de seus talentos ao vivo. Em julho, o escritor peruano Mario Vargas Llosa vai atuar numa montagem espanhola de As mil e uma noites. É sua terceira incursão teatral como ator. Não sei se ele está preocupado com os rumos da pirataria literária, mas eu, que não sou bobo, já me inscrevi em três cursos de impostação de voz da Fátima Toledo.
O importante – dizem - é falar pra fora. Se eu não der certo como ator de teatro, estarei preparado para a presidência da República. Vargas Llosa (cuja melhor obra foi a porrada que deu em Gabriel García Márquez, em 1976) tentou a do Peru em 1990, quando perdeu as eleições para Alberto Fujimori (aquele que, dois anos depois, deu um golpe de estado com apoio militar e instaurou a ditadura no país). Serei um Vargas Llosa às avessas. Um Ronald Reagan. Um Schwarzenegger. Primeiro ator, depois candidato. É mais eficaz. Caso ninguém me entenda tanto nas artes quanto na política, vou me consolar com o Sarney.
Meu sonho, por enquanto, é chegar ao patamar da atriz Stephany Brito, namorada do jogador Alexandre Pato, que passou a cobrar R$ 25 mil como “cachê de presença” em eventos - e ela só precisa fingir que está achando legal. Eu sempre achei que devia ser pago para freqüentar festas de quinze anos, rodeios e boates. Mas, por R$ 25 mil, eu interpretaria até a Sherezade em espanhol, lá no Arraiá da Granja do Torto, em Brasília, e brindaria meu casamento junino com a Dilma dizendo Te quiero, corazón. O mercado de presença já é o melhor investimento para grandes artistas como Stephany Brito. Mal posso esperar minha vez de achar tudo muito legal.
Se todas as previsões apocalípticas se concretizarem - e os meios cinematográficos, eletrônicos, literários e virtuais se converterem mesmo num buraco negro, onde ninguém ganha um centavo -, se o mundo artístico, enfim, virar um grande site Tribuneiros.com, imagino que os meios teatrais e eventuais ficarão tão concorridos quanto o Alexandre Pato. Que cada musical do Miguel Falabella será um Coração Valente. Que cada Big Brother ganhará o Teatro Municipal. Que em cada sinal vermelho haverá um elenco de Malhação pedindo uma pulseirinha vip. Todo artista quer ter sucesso da noite para o dia, sem o mínimo de obra, sem o mínimo de lastro, principalmente quando a obra e o lastro têm que ser construídos de graça, quiçá nas horas vagas de alguma outra atividade rentável. Eu sou um deles.
E minha voz está cada dia mais bonita.
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Nota de rodapé - e esclarecimento: A Gabriel García Márquez, o maior garoto-propaganda de Fidel Castro, eu desejo, do fundo do coração, cem anos de solidão e cólera na cadeia, só com as memórias de suas putas tristes. Obrigado.


Sexta-Feira, 27 de Junho de 2008, às 16:50
“eu interpretaria até a Sherezade em espanhol” Rolei de rir, porque fiquei imaginando a cena. Algumas considerações são bastante pertinentes. Adorei.
Pim, se eu tivesse dinheiro eu bem pagava os $50 mil pra você dar pinta na minha festa de 50 anos, diga-se, falta ainda um pouquinho…quem sabe eu não enriqueço até lá. (rsrs)
Sexta-Feira, 27 de Junho de 2008, às 17:11
Olga, pra você eu faço por 25, e ainda levo um Andreazza de brinde.
Sexta-Feira, 27 de Junho de 2008, às 16:42
Fechado!
Sexta-Feira, 27 de Junho de 2008, às 12:24
Duvido que em pelo menos 5 anos vc não ganhe um programinha no GNT, PIM.
E pare de ser tão ríspidos com os colegas comunas!