por Pim - Segunda-Feira, 26 de Maio de 2008, às 17:45

CANNES, França. É o Chiclete by night do Riocentro? É a XXXperience de Guapimirim? É o Oktoberfest de Blumenau? É a Parada Gay de São Paulo? É um sábado qualquer da Baronneti? É uma eleição para o grêmio da PUC? Não, senhoras e senhores, é a Palma de Ouro do Festival de Cannes!
A regra era clara: a equipe que batesse a primeira palma após o aplauso regulamentar levava o título. Não deu outra: ponto para a equipe amarela! O elenco do filme escolar multi-racial francês Entre les murs, de Laurent Cantet, ensaiou durante dois anos com seus colegas americanos do High School Musical, e acabou batendo o recorde de Palma de Ouro mais rápida da história cinematográfica (1 elevado a menos 187 segundos, segundo o relógio digital do Cassinho) - recorde que já pertencera a Chong Li e agora pertencia a Frank Dux, de O grande dragão branco.
Jean-Claude Van Damme, em Cannes para promover seu novo filme teen, JCVD, não quis comentar a perda, mas prometeu filmar O grande dragão branco II - Missão Miami Vice para reaver o trono.
Melhor Atriz Centroavante

O futebol masculino de Walter Salles, em Linha de passe, mais uma vez perdeu para a França de Zidane, e teve que se consolar com o prêmio de Melhor Atriz Centroavante para a nunca dantes convocada Sandra “Roseli” Corveloni. Há quem diga que o problema de Linha de passe foi de marketing, que, se o filme se chamasse “Quatro filhos de Francisca”, seria barbada. Sandra deixou o pai de Zezé di Camargo e Luciano no chinelo ao botar toda sua prole para correr atrás da bola na periferia de São Paulo, driblando o Mano Brown, a Rita Lee e o Caldeirão do Huck.
Melhor Ator Sujinho

Como já era de se esperar num festival adolescente, o Prêmio de Melhor Ator Sujinho foi para Benício Del Toro, pelo papel do sujinho-mor, Che Guevara, em Che.
- Agradeço a [Steven] Soderbergh, pois foi ele que nos incentivou a colocar este projeto de pé. E preciso agradecer ao próprio Guevara, por tudo o que fez – disse Del Toro, paradoxalmente limpinho.
O filme vai da revolução cubana à morte de Guevara, de modo que, juntando sua juventude em Diários de Motocicleta, de Walter Salles, os interessados em “Como se tornar um homicida sem tomar um único banho” já têm um manual cinematográfico completo. A caixa com os três DVDs está sendo disputada a tapas pelas distribuidoras Deca e Celite, e estará à venda, em breve, no BG, no Posto 9 e na Lapa.
Obrigado, Che, por um mundo mais sujinho!…
Melhor Imitação

O diretor Quentin Tarantino levou o prêmio especial do júri por sua perfeita imitação de Souza, do Flamengo.
Melhor Casal Jurássico

Apesar dos esforços de Clint Eastwood e Catherine Deneuve, Madonna e Sharon Stone foram insuperáveis.
Troféu Tribuneiros

Leitora ávida dos Tribuneiros, Natalie Portman só andou em Cannes de vestido, e assim foi eleita por unanimidade como a mais digna representante da Casa no mundo teen cinematográfico.
Ao saber da premiação, a mais jovem integrante do júri subiu ao palco do Grand Théatre Lumière e, não se lembrando (não de cor) das prosas delirantes de Carlos Andreazza sobre o assunto, optou por recitar (em francês) um soneto adolescente de um autor menor, publicado aqui há alguns anos.
Em homenagem a ela e às demais moças de vestido, eu o reproduzo (no original) - e assim encerro, por ora, a gincana Cannes 2008:
Oração pelo vestido
Felipe Moura Brasil (Pim)
Conservai, ó senhor, literatura
Nos corpos femininos ressentidos
De graça, patrimônio da candura,
E em máscaras e sombras denegridos.
Contra o império do olhar, erguei tecidos
Que os olhos cumprimentem com mesura;
Bordados, estampados e floridos,
Delgados, se possível, na cintura.
(Do blush e dos esmaltes cintilantes
Livrai-nos, ó senhor, o quanto antes;
Jamais a falta foi tão oportuna.)
Adeus, fivelas, zíperes, presilhas!
Mais leve a moça e nus as panturrilhas
Enquanto a camisola for diurna…


Segunda-Feira, 26 de Maio de 2008, às 18:27
Pim, querido, com todo respeito e a despeito de concordar que um vestido será sempre bem-vindo, estes do post são muito feios.
P.S: Se a Natalie tivesse lido o texto do Andreazza (um dos seus melhores), O vestido, com certeza o festival (tão avacalhado por você) teria um ganho, ah, teria!
Segunda-Feira, 26 de Maio de 2008, às 18:47
Avacalhar, Olga? Você sabe que eu jamais faria uma coisa dessas…
A propósito: mais vale o vestido feio da Natalie que a cinta segura-seio da Sharon, não?…
Segunda-Feira, 26 de Maio de 2008, às 18:53
Ah, Pim, não avacalha as coroas não! Pra sobreviver precisamos lançar mão de alguns artifícios, Pim… (rs)
Segunda-Feira, 26 de Maio de 2008, às 11:17
Os vestidos são lindos estão de parabéns e as cores são um espetaculo.
Segunda-Feira, 26 de Maio de 2008, às 11:26
Muito obrigado, Mary. O Pim é mesmo um estilista muito talentoso, sobretudo no uso das cores.