por Bruna Demaison - Sexta-Feira, 9 de Maio de 2008, às 04:13
Você está no bem bom, quentinho, acolchoado, nem repara que as cores do útero lembram um pouco a Casa da Luz Vermelha. De repente é expelida tal qual um cravo, tem muita gente ao seu redor e é entregue a uma mulher totalmente suada e exausta. Opa, já ouviu essa voz antes! Por que ela está com esse olhar enfeitiçado? O que vai ser de você agora?
O primeiro passo é checar em qual categoria você se encaixa:
Primogênito – Também conhecido como cobaia, a diferença entre você e a boneca que sua mãe jogou fora quando casou é que, se for esquecida no armário, você morre.
Filho do meio – a mãe acha que já tem total domínio da função (afinal, seu irmão/irmã mais velho sobreviveu até aqui) e você vai sofrer na pele a teoria de que mais pessoas batem de carro perto de casa por acharem que o perigo já passou.
Caçula – se ela confundir seu nome, releve. É filho demais para os tempos de hoje, sua criação deveria ter sido trabalho da governanta.
Filho único – você está perdido. Será o homem da vida dela ou a mulher que ela sonhou ser e desistiu ao amadurecer.
Passado isso, deve ter percebido que ela já fez planos para você, e não me refiro só ao quarto rosa onde você foi instalada sem opinar. Ela definiu seu nome (e pode ter usado critérios bastante questionáveis), vai cuidar do seu figurino e gerenciar sua alimentação. Vai enfiar você em um collant, calçar sapatilhas e dizer – dança, filha! Vai te obrigar a dividir brinquedos com crianças detestáveis. É assim mesmo, descubra como tirar o melhor proveito - ela se preparou para isso. Você, não!
Em uma primeira fase mães vêm com acessórios que incluem fralda, um paninho onde você pode babar, chupeta para calar a sua boca e mamadeira para quando ela cansar de ser sua refeição. Nessa etapa ela tem a função balanço e vai te sacudir um pouco até deixá-la meio zonza e, portanto, quieta. Aproveite enquanto dura. Com o tempo novos apetrechos vão aparecer: lencinhos de papel para suas lágrimas, cartão de crédito, detector de mentiras e casaco para os dias de sol em que ela jura que vai esfriar. Braços abertos são originais de fábrica, assim como uma quantidade inacreditável de palavras que podem te levar à loucura. Muitos modelos vem com frases prontas: esse cara não presta, aquele outro era um amor, você não está comendo direito, isso não é hora de estar na rua, não sou sócia da Light, você já pensou no que fazer sobre isso, deixa que eu resolvo e a melhor: vai ficar tudo bem.
Uma das atribuições das mães é ensinar, mesmo que às vezes você cobre e não veja o diploma que a qualifica para o papel. São boas também como apoio, guarda-costas, secretária, confidente e médica. A função número um é te amar, o que elas fazem com um pé nas costas (e você pode lembrá-la disso quando estiver em maus lençóis, elas tendem a se sentir culpadas diante de qualquer acusação de mau funcionamento).
Há um considerável risco de mães causarem dependência ou alergia, mas ambos os casos são tratáveis, ainda que não definitivamente, e perfeitamente compreensíveis. Em caso de superdose existem pai, avó, amigos, cônjuges, outros prédios na cidade e avião. O resto você aprende com os anos: elas são carentes e um pouco psicóticas, você vai ter que dar o braço a torcer, mesmo com tantos planos você vai surpreendê-la. Na verdade vai passar a vida buscando isso e exigindo a cada segundo uma nova prova de amor. Espertamente o comércio vai criar um dia para que você retribua. Seja do contra: não compre nada nesse dia e abrace ela em todos os outros!
Feliz dia das mães, da filha que está oficialmente falida.


Sexta-Feira, 9 de Maio de 2008, às 12:57
Sâo duas filhas então!!!
Podemos voltar para aquela parte do cartão de crédito, conta conjunta etc…hein Fufus?
Feliz dia das mães!!
Sexta-Feira, 9 de Maio de 2008, às 15:37
Bruna,
Adoro seus textos, não só pela narrativa e ritmo, mas principalmente pela visão que você tem da vida. Ainda não tenho filhos, mas já estou me planejando para isso. Coincidentemente, eu e meu marido decidimos que se for menina, ela se chamará Bruna. Tomara que ela tenha esse mesmo espírito criativo, bem-humorado, irônico, inteligente e sensível que tem a única Bruna que eu “conheço”: você.
Feliz dia das mães!
Sexta-Feira, 9 de Maio de 2008, às 18:43
Oi Mariana, que a minha xará seja muito bem-vinda!
um beijo, Bruna
Sexta-Feira, 9 de Maio de 2008, às 19:25
Lá vou eu dizer que adorei de novo…
Quando eu vi lá artigo sobre mãe, me lembrei que nessas datas especiais - do pai, da mãe, da mulher, dos namorados, enfim - é sempre bom dar uma olhada nos seus textos, pq vc sempre tem um ótimo, “bem-humorado, irônico, inteligente e sensível”.
Beijos!!
Sexta-Feira, 9 de Maio de 2008, às 18:38
Que maravilha de texto !!!! É muito bom poder admirar uma pessoa sensível, inteligente, brilhante e LINDA. Sorte a minha… assinamos o mesmo sobrenome !!!
Muitos e muitos beijos,
Tia Jackie
Sexta-Feira, 9 de Maio de 2008, às 04:04
Eu não sou sócia da Light, está presente em todos os modelos, de ambos os sexos (pai ou mãe) e, arrisco afirmar, naturalidades (mesmo a Light sendo carioca)!!
Sexta-Feira, 9 de Maio de 2008, às 13:24
Isso porque ela não deixou o pão frances na portaria? haha..
Sexta-Feira, 9 de Maio de 2008, às 14:34
No quesito falida, pode me incluir!
Somos 3! PELO MENOS NESSE MÊS! ESPERO!
Putz, acho que a Fufus se deu mal nessA!
FELIZ DIA DAS MÃES, FUFUS!
POR TODOS OS DIAS!
bEIJOS
Sexta-Feira, 9 de Maio de 2008, às 02:03
A bula explicativa mais divertida que eu já li!
Sexta-Feira, 9 de Maio de 2008, às 17:33
Em breve (exatos 23 dias) serei mãe.
A minha pequena virá para me fazer compreender melhor esta coisa magica e louca que é ser mãe.
É como ganhar o brinquedo mais genial de todos os tempos porém sem manual do proprietário.
A graça talvez realmente esteja em descobrir dia a dia cada nova função que ele (ELA) pode te proporcionar e ajudar a mostrar que dentro de si existe uma infinitude de possibilidades.
uum abraço,
Deborah