por C.A. - Quarta-Feira, 30 de Abril de 2008, às 16:49
O poderoso carrossel botafoguense, liderado pelo craque Túlio e empurrado pela massa alvinegra que nunca lhe falta, é mais favorito hoje ao título estadual do que era antes de a primeira perna decisiva, cumprida no domingo passado.
Está na cara, futebolístico leitor tribuneiro…
Eu sei, eu sei: o Flamengo a venceu, 1 a 0, mas eu preferia tê-la perdido. (Ou goleava, ou abria dois, três gols, ou perdia). Ficou ruim… Incômodo. Ilusório. Imagine, pois!? Ganhar o primeiro jogo, pelo placar mínimo, lograr vantagem miúda, simples, e ainda assim assumir que, de três resultados, dois lhe resolvem a vida – é trágico!
(A responsabilidade é insuportável, eu diria; e ousaria dizer também que, se a tivessem, a providência do empate, tampouco os botafoguenses a festejariam, antes dela desfazendo como ora faço)…
Negando suas características ofensivas essenciais, postando-se inevitavelmente a defender o empate triunfal, não vislumbro como a frágil linha de beques rubro-negra possa conter o ímpeto atacante e a movimentação teatral fulminante, agudíssima, de Jorge Henrique, Diguinho e companhia. (Ainda mais com o retorno de estrepitoso lateral Alessandro, um azougue).
E agora, Joel?
O segundo jogo – o verdadeiramente decisivo, o que se aproxima a galope – foi entregue pelo Flamengo, eis a verdade, dado de lambuja e inapelavelmente, quando venceu o match de domingo último, amealhando o falso direito de empatar, benefício de desafiar a histórica vocação flamenga: a de se superar. (É perspectiva terrível, a de domingo, e eu sinto o fracasso a se avizinhar)…
A isto, some-se o cansaço incontornável de uma viagem longa e turbulenta à Cidade do México, poluidíssima localidade, onde o alquebrado escrete rubro-negro, a dois mil e quinhentos metros de altitude, ademais, enfrentará o tradicional e temível América – e sabe-se lá, a considerar o estupor de um provável fracasso na Libertadores, sob quais frangalhos emocionais chegará ao Rio de Janeiro, à véspera de mais uma decisão, a limitada delegação do Flamengo, meu deus do céu?
(Fato é que chegar a decidir tantas paradas, a disputar, com sucesso, tantas competições, é cousa assaz indesejável, pleito maléfico, que não se pode querer, em sã consciência, para o clube do coração).
O genial estrategista Cuca [o Rinus Mitchel que deu certo], tenho calafrios só de pensar, decerto que saberá explorar cada pormenor do fastio rubro-negro, uma vez que, é sabido, atletas de alto nível jamais conseguem superar o cansaço acumulado, e principalmente se para uma derradeira disputa – e já antevejo o massacre, a movimentação fulgurante de garrinchas alvinegros por todo o relvado, balé [aquático?] imperceptível às fatigadas vistas flamengas, de jogadores plantados, enraizados ao chão, os pobres, mais mortos que inanimados, incapazes de reação, e o dilúvio incontornável de tentos botafoguenses então, um, dois, três, quatro, cinco; a glória de mais uma conquista para este elenco tão corajoso, unido e vencedor. É o destino - o óbvio ululante.
E parabéns ao Botafogo de Futebol e Regatas!


Quarta-Feira, 30 de Abril de 2008, às 18:27
Boa estratégia, Andreazza. rs
Quarta-Feira, 30 de Abril de 2008, às 18:50
Êta, ferro, mas a pena pesou no deboche!
Se levarmos em consideração o seu último sentir furado, domingo que vem teremos chororô. Se eu fosse botafoguense, após a leitura desse post, capricharia na reza, mas uma reza forte!
Quarta-Feira, 30 de Abril de 2008, às 19:07
Estratégia nenhuma, Marcelo. Humildade. Reconhecimento das próprias limitações, isto sim. Aos flamengos, só nos resta a fé!
Quarta-Feira, 30 de Abril de 2008, às 19:09
Deboche nenhum, Olga. Sinceridade. Coração aberto para uma situação de fraqueza, de inferioridade evidente. Aos flamengos, só nos resta a fé!
Quarta-Feira, 30 de Abril de 2008, às 19:32
Então tá, Andreazza, e o Daniel Day-Lewis desgostoso com o ramo do cinema e de sapatos, resolveu tentar a vida por aqui, logo ali na Tijuca.
Quarta-Feira, 30 de Abril de 2008, às 19:45
Seja lá quem for este rapaz, Olga, desejo-lhe boa sorte!
Quarta-Feira, 30 de Abril de 2008, às 19:56
Sorte seria a minha em tê-lo flanando pelo meu bairro, mas a possibilidade de isso acontecer é igual a de você está sendo sincero, tanto em relação ao Botafogo quanto ao improvável desconhecimento do ator inglês.
Quarta-Feira, 30 de Abril de 2008, às 20:05
Foi a maior secada nelsonrodrigueana dos últimos tempos. Oxalá funcione!