por C.A. - Quinta-Feira, 27 de Marco de 2008, às 14:09
O prefeito Cesar Acuado Maia, francamente abatido [perdido?], enfim reapareceu. Para ele, insistente, não há epidemia de dengue no Rio de Janeiro, com o quê, afinal, concordo: epidemia havia faz uma semana, duas talvez; hoje a coisa evoluiu e talvez, otimista, se a possa nomear por desastre. O desastre da dengue. A barbárie, o massacre da dengue neste tão vilipendiado Rio de Janeiro.
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Perguntado pelos motivos de seu desaparecimento público num momento de flagelo [de erosão] da população carioca - que o elegeu, três vezes, sob epidemia de estupidez -, o alcaide se saiu com um inédito verniz para qualquer cara-de-pau invejar: “Sou um político muito conhecido e a visibilidade que se consegue com o contato físico coberto pelos meios de comunicação eu não preciso”, declarou.
Do que fala este senhor? Com o que ele está preocupado? Enlouqueceu de vez?
Ninguém se preocupa aqui com as necessidades pessoais do prefeito, com as coisas de que ele precisa ou não. Como indivíduo, dono de RG e CPF, ele simplesmente não interessa e, com sorte, será desprezível. (De preferência, num futuro eleitoral bem próximo). Ninguém aqui quer que o cidadão Cesar Maia apareça ou não porquanto sua imagem esteja mais ou menos exposta. Ele é o prefeito deste pântano em que se chafurda o Rio de Janeiro e tem de botar a cara na rua. Em suma: que se dane a imagem pública do político - de qualquer um.
A questão é muito simples e muito mais importante - e nada se tem a ver com a cobertura desnecessária da mídia sobre um homem público de fato plenamente conhecido, negativamente conhecido, por seu descaso e por sua arrogância: num sistema de saúde calamitoso e sob absoluto descontrole, em que a irresponsabilidade municipal é evidente e soberana, o mínimo que se espera é que o prefeito seja o primeiro a ir às ruas, a arregaçar as mangas, a dar declarações, a pedir desculpas pela prevenção e pelos investimentos que não fez, e a se mobilizar imediatamente e se comprometer inteiro com o trabalho cabível a esta altura, qual seja, o de minimizar, da forma máxima possível, o sofrimento das gentes laceradas por esta doença primitiva, de cujos índices atuais são inaceitáveis para uma cidade com quase duzentos anos de urbanização [perdida].
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Cadê o hospital de Acari, prefeito!?
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Ele diz que investiu R$40 milhões no combate à dengue. Não sei se é verdade, ainda que a este valor some dinheiro gasto com buracos tapados na rua. E tampouco me interesso, agora. Verdade é que, a observar a barbárie que esta doença impôs à cidade, R$40 milhões terão sido insuficientes. Ponto final.
Ele diz não se pode esquecer do trabalho rotineiro da Comlurb em relação à água parada. E está certo: não se pode esquecer mesmo. É muito importante que a população se lembre deste péssimo serviço na hora de votar para prefeito.
Ele diz que o quadro epidêmico, se existe, concentra-se apenas numa região do município, a Zona Oeste, pontualmente em Jacarepaguá, lá onde, é inacreditável, o alcaide tem historicamente amealhado os tantos votos que o mantém à frente da municipalidade. É triste e dorido que tenha de ser assim - mas quem sabe não seja esta expressão epidêmica do abandono público o estopim para um basta eleitoral?
Por ora, enquanto as urnas não vêm, espero que a Defensoria da União leve mesmo a efeito a ação civil pública de dano moral coletivo contra as autoridades federais, estaduais e municipais de saúde, em benefício dos parentes das vítimas da doença. E torço para que surjam logo ações criminais, especificamente contra o prefeito - o inimigo público número 1 do Rio de Janeiro.


Quinta-Feira, 27 de Marco de 2008, às 15:13
Preciso do início ao fim!!!
Quinta-Feira, 27 de Marco de 2008, às 15:19
CA,
nesses R$40 milhões que ele menciona, estão todos os gastos da municipalidade com a Conlurb (que não são poucos), que como sabemos não tem como atividade fim o combate à dengue. Não se trata, portanto, de valor efetivamente empregado no combate e prevenção da doença. Se bobear ele deve ter incluído na conta todas as obras de recapeamento em vias públicas que supostamente impediram a formação de poças. Haja óleo de peroba!
Quinta-Feira, 27 de Marco de 2008, às 20:14
Que este prefeito morra picado pelo mosquito da dengue ou de tanto chorar com seu time Botafogo.É isso que ele merece
Quinta-Feira, 27 de Marco de 2008, às 20:27
Parabéns pelo texto. Verdadeiro, preciso e objetivo.