por Felipe Moura Brasil (Pim) - Quinta-Feira, 27 de Marco de 2008, às 17:41
[Nota dos Tribuneiros: Para não pensarem (ou para terem certeza, quiçá) que o Pim é louco, a Casa recomenda ler primeiro as crônicas Quero um Uribe pra mim e Chamem o Noblat.]
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- Esse mosquito é seu.
- Não, é seu.
- Não, é seu.
Ninguém queria o mosquito. Nem César Maia, nem Sérgio Cabral, nem José Gomes Temporão, muito menos Lula. Deixaram o Aedes crescer. Deixaram o Aedes ficar de autos. Facilitaram a vida dele. Agora ele veio com tudo. Quando o inimigo vem com tudo, o jeito é botar as tropas na rua. Temporão sabe disso. Disse que as Forças Armadas atuarão contra a dengue até o fim do ano. Nada de retirar as tropas antes de controlar o inimigo. Todo mundo concorda. Todo mundo cobra atitude das autoridades. Todo mundo quer se livrar do terrorismo voador. Não é possível. Algo está errado. Algo está faltando. Ninguém vai defender o mosquito?
Se ninguém vai, eu vou. É evidente que não posso admitir uma coisa dessas - uma unanimidade tão estúpida. Nada mais absurdo que matar mosquitos. Nada justifica essa agressão. Achacar pode, reagir não. Essa é a cultura mundial. Colômbia, Israel, Estados Unidos e Brasil têm que ser picados caladinhos. Essa é a nossa cultura. Precisamos preservá-la. Seu vizinho não quer fechar a caixa d’água? Da janela você vê uma porção de ovinhos de Aedes depositados ali? As fêmeas estão se multiplicando a olhos nus? O disque-denúncia demora a atender? Cada segundo de hesitação é um risco para você, sua família e seus condôminos? Azar o seu, seu bocó! Como assim você quer pular o muro com um inseticida? E daí que é rapidinho? De jeito nenhum! Nada justifica a violação do território.
A OEA disse, está dito. Ela sempre zelou pelo nosso bem. Até o início do século XX, no mar, a soberania das nações tinha o limite de três milhas (ou 1.852 metros), o alcance de um tiro de canhão partindo do litoral. Depois, alargamos as fronteiras para doze milhas, dando um chega-pra-lá nos franceses, que vinham roubar nossas lagostas. Quando o ditador Costa e Silva (seguido de Médici) quis chegar a duzentas milhas, porque já haviam descoberto jazidas de petróleo na plataforma litorânea, o Brasil ignorou a ONU, deu um jeito de convencer a OEA e ainda levou de brinde Fernando de Noronha. Isto sim é causa nobre para aumentar a soberania territorial. Mosquito, não! Nem quando ao alcance do estilingue. Nem quando ao alcance do spray.
As melhores heranças da ditadura foram o petróleo, Fernando de Noronha, a Ponte Rio-Niterói e o reforço da confusão entre autoridade e autoritarismo. Precisamos mantê-la. Precisamos chamar de autoritários aqueles que resolvem exercer sua autoridade alegando autopreservação. Precisamos remetê-los aos ditadores. Quando a esquerda tomou o continente, o autoritarismo migrou para a oposição. Agora está sempre mais na reação do que na ação. Os canalhas que reagem devem ser ridicularizados. Eis o xingamento que inventamos para eles: reacionários! Usemo-lo! É inacreditável que o Rio de Janeiro, ainda que aos poucos, tenha se transformado num exército de reacionários contra os mosquitos. Mosquito é como filho: devemos ser bonzinhos, sem jamais exercer nossa autoridade, para que eles cresçam incapazes de reconhecê-la em qualquer instância. Só assim chegaremos à revolução!
A América Latina já tornou ilegítima, sim, a legítima defesa - mas só em território alheio. Falta constitucionalizá-la por dentro. É hora de aumentar a soberania da ilegitimidade. O Conselho Sul-Americano de Defesa, proposto por Nelson Jobim, é a melhor saída. A defesa contra a reação! Os EUA não têm o direito de matar nossos mosquitos. Levamos décadas para produzi-los em massa. Pouco importa, companheiros, se dessa vez também somos vítimas. Não podemos cair nessa armadilha. Muito menos o povo brasileiro. Não bastasse o uso homicida de repelente, há muita gente usando calça para se defender do Aedes. Nada mais reacionário que usar calça num país quente como o Brasil. Precisamos atacar o símbolo dessa gente. Aquele que usa calça e barba no verão. O Império está por trás de tudo.
- Abaixo o Papai Noel!


Quinta-Feira, 27 de Marco de 2008, às 21:17
Reacionário!
Quinta-Feira, 27 de Marco de 2008, às 21:17
PIM, você me lembrou meus amigos aqui da faculdade que agora deram para gastar dinheiro com um adesivo de fundo prata e com os seguintes dizeres: “Queremos festa no IFCS (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ)”.
Em tempo: ANDREAZZA, como você cresceu!!!! Saiu do mesmo tamanho do PIM no Caderno “Ela” d’o Globo desse último sábado!!!
Nada como uma foto tirada do alto hein! Espertinho!!!!
Quinta-Feira, 27 de Marco de 2008, às 15:37
Olga, são seus olhos…
Quinta-Feira, 27 de Marco de 2008, às 18:32
Pim, adorado, releve, pois os meus olhos têm o peso da hipermetropia.