por Bruna Demaison - Segunda-Feira, 10 de Marco de 2008, às 15:18
A obra em casa não tinha avançado – assim como o trânsito –, o verão mostrava seus dentes me fazendo odiar mais o sol do que ter que trabalhar tão cedo e o crachá brincava de esconde-esconde na bolsa. Era mais um dia onde eu estava – como em todos os outros – atrasada. Até que ele parou na minha frente e me ofereceu uma rosa. Ele me ama! Pisquei os olhos à la Minnie Mouse: ele me ama! Ei, também ama essa sirigaita? Ama todas as outras da fila do elevador? Ele não ama ninguém, bobinha, ele é o entregador de rosas da empresa no Dia Internacional da Mulher. O primeiro de cinco com quem esbarrei durante as comemorações.
Ouviram o que o Bonner disse no Jornal Nacional? Que as mulheres maduras estão a cada dia namorando mais homens jovens. Mulher madura é quem já desistiu, quem chutou o balde ou quem atingiu o nirvana? Bonner, se as maduras estão com homens mais jovens e as novinhas voltaram a acreditar no casamento isso significa que elas não têm conversado ou que a nova geração quer pagar para ver? Mulher é um bicho confuso, hein! Um amigo precisou comprar presente para a namorada senão ela brigaria por não ganhar nada no dia 8 de março.
São muitas mulheres nesse agora comercializado dia delas. A chinesa e a muçulmana, a tia do samba e a popozuda do funk, a indiana e a upper-eastern de Nova York, a sobrevivente de Darfur e a brilhante candidata à presidência que ganhou votos por ser corna com dignidade. (Assisti a um documentário onde ela confessava que se não empurrasse Bill todos os dias ele nem sairia da cama. É, companheira Hillary, alavanca é um papel feminino desde antes da revolução industrial).
Hoje estou aqui fazendo a minha pequena parte: reclamo todas as vezes em que um brutamontes faz aquele barulhinho nojento de sugar a saliva ao olhar uma bunda passar. Ok, essa não é a minha parte nobre, mas quis registrar a indignação. Faço a minha parte na irmandade que é o mundo feminino decidindo quando vou pausar o trabalho para ser mãe, dividindo o tempo entre o curso de pole dance e o de planejamento estratégico, pensando em suicídio a cada príncipe encantado que foge e não deixa nem o cavalo, dançando com as mãos para cima e os olhos fechados e aprendendo a não chorar no trabalho.
O tal do 8 de março parece um dia bobo, na terceira rosa eu já estava mais cansada dele do que da chegada da família real, mas basta um minutinho comparando quatro gerações de uma família e já penso que algumas mulheres merecem a comemoração.
Tenho para mim que essas – as que conquistaram um lugar melhor ao sol – não cantam hinos de guerra no dia-a-dia. Cantam alguma coisa mais parecida com “o que seria de mim, meu Deus, sem a fé em Antonio?”. E que todas querem a surpresa de uma rosa inesperada. Assim elas vão. Mais algumas revoluções e derrubam outros paradigmas. Algumas. Outras não.


Segunda-Feira, 10 de Marco de 2008, às 15:29
Pode confessar - não chorar no trabalho é bem mais dificil que pole dance!
Segunda-Feira, 10 de Marco de 2008, às 16:07
Muito legal, Bruna. Só achei que a Hilary devia perder votos por ser corna com dignidade. Acho que uma pessoa que é corna com aqueles requintes de crueldade (com charutos e tudo mais) só mantém a dignidade se mandar o marido para o espaço.
Segunda-Feira, 10 de Marco de 2008, às 22:40
Bruna, um negócio que eu estava pra dizer há alguns textos: vc é ótima em dar títulos para as suas crônicas! Eles costumam ser criativos, sugestivos e atraentes, por mais simples que pareçam…
Segunda-Feira, 10 de Marco de 2008, às 18:46
Adorei, para variar.
Eu nem sei o que eu penso deste dia, mas não ganhei nenhuma flor e qdo fui, de brincadeira, perguntar para o Décio se ele sabia que dia era, ele “ihh, hj é dia 16?” e ensaiou uma comemoração de aniversário de namoro…pois é!
Bjs
Segunda-Feira, 10 de Marco de 2008, às 18:42
desses dias coletivos estipulados, um dos que eu menos lembro é o da mulher. só qd recebo a flor no “sirviço” é que me toco que mereço um parabéns.
todas nós merecemos. apesar do poder de decisão, acabamos escolhendo todas as alternativas. precisamos ser bonitas, inteligentes, gostosas, cultas, sexies e ainda saber pole dance… ufa. isso cansa, não acham?
e viva nóis!
Segunda-Feira, 10 de Marco de 2008, às 14:23
nao sei se concordo plenamento com o seu discurso… precisamos mesmo de um dia para sermos lembradas?! nao gosto dessa historia nao…
Segunda-Feira, 10 de Marco de 2008, às 16:20
Bruna, dia da mulher é bom para fantasiar, revelo a minha: “um banho de Cleópatra, um bom perfume, um vestido de arrasar quarteirão e ficar à espera do telefonema do George Clooney, que ele prometeu, ontem, que ia ligar… Só não disse quando…”
Segunda-Feira, 10 de Marco de 2008, às 16:24
Ah, a “fantasia” peguei emprestada de uma blogueira tijucana, que assina pitanga doce.