por C.A. - Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 17:58

Tem mais é que provocar mesmo. (E eu gostaria que o Souza, foto acima, provocasse ainda mais, se por conseqüência de mais e mais gols). Desde que a bola rola - e não mais as cabeças - é assim.
O futebol, esta força da natureza, tem cem anos de provocações - e boa parte da paixão que move [e que lhe dá futuro] vem daí, felizmente irracional: da rivalidade inconseqüente, do deboche saudável que transborda nas ruas, moleque, farrista, e do qual se vai à forra depois, na bola e na verve, porque sempre há um depois no futebol, qual seja, uma vitória redentora. (Registre-se que, em relação ao Flamengo, o Vasco configura clamorosa exceção a esta regra da forra inevitável).
E se o futebol perdeu um bocado de sua graça nos últimos anos - e perdeu, sim -, não foi apenas pelos craques que rarearam, mas também pelo rarear empobrecido da expressão deles [dos jogadores, craques ou não], poucas vezes genial, é verdade, porém, outrora livre, improvisada, bem-humorada etc., e hoje controlada, imposta e mesmo impedida por agentes e assessores e puxa-sacos e o escambau.
O futebol emburreceu. Virou profissional no que pode haver de pior e mais estúpido à profissionalização: o fim [ou, assim torço, a omissão] do que é pessoal, do que é íntimo, individual, espontâneo, orgânico - do que é humano, porra.
O futebol, esta força da natureza, virou - é isso! -, virou uma imensa entrevista coletiva…
Do Dunga.
(O resto é chororô e/ou me engana que eu gosto).
********
Associo, aliás, a violência nos campos - e entre as torcidas, nos estádios - também aos limites fincados pelo politicamente correto no esporte. Não se fala mais. Não se pode falar. (A não ser que sob estudada cartilha, certinha, medidinha). Guarda-se tudo, porém. Represa-se os sentimentos todos… (Para a explosão - de raiva - posterior)?
Tudo quanto seja livre pensar, risco será - risco terá… Tudo é insulto, ofensa. E não se pode mexer com o adversário, brincar, tourear. Não. Nada. Provocar, no futebol, é desrespeitar os códigos de ética mais profundos da profissão… (E avento, então, o que seria, por este decoro atlético, o carrinho por trás, cuspido a torto e a direito nos relvados do mundo)?
As pessoas - é inacreditável! - já não mais encontram estímulo nas palavras alheias. Já não mais buscam forças de se superar no desafio lançado por outrem. Já não entram mordidas no campo, com ganas de vencer e dispostas a reverter em triunfo os deboches ouvidos. Não. Provocar é insultar… Provocar é injuriar - e suponho que seja mais fácil assim.
Opinar - ter opinião - virou menosprezo. Ter confiança em si, crime. (Quase). Preferir virou desprezar. As palavras de provocação e confiança sempre desrespeitam - e ponto final. Agridem…
Agridem, enquanto a porrada come solta nos gramados e arquibancadas, livre-livre tanto quanto natural, e subprodutos da expressão humana, os créus da vida, fazem passar por engraçado o que é a mais baixa baixaria.
********
Eu, como sabido, prefiro provocar, numa boa, e queria dizer, por fim, que o problema do Botafogo Futebol e Regatas, para resumir e diagnosticar, é médico - caso clínico mesmo: o clube está muito doente.
A propósito, vem de me ocorrer: aquele rapaz Marcelo, do Big Brother, não é psiquiatra?
(Além de solucionar o problema de cabeça alvinegro, seria, também, extraordinária jogada de marketing).
********
Para ler uma opinião contrária, ademais excepcionalmente bem construída, recomendo o referencial site do escritor Marcelo Moutinho - e precisamente o post Pensamento único: www.marcelomoutinho.com.br


Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 19:05
Isso não se aplica só à provocação, mas também ao drible. Se Garrincha jogasse hoje, ficaria sem joelhos aos 19 anos.
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 19:08
Justamente porque, incompreendido profundamente, o drible é hoje recebido como provocação.
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 20:23
Eu não poderia concordar mais.
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 21:39
Discordo do amigo. Não se deve confundir gozação com outras coisas. Gozação é de um torcedor com o outro, de uma torcida com a outra (como a engraçadíssima que fez ontem a rubro-negra com a espirituosa música do ‘choro’), e não pode, creio eu, vazar de dentro de campo para fora. O que um jogador faz no gramado reverbera, como todos sabemos, na massa irracional da torcida. Não há como se ignorar isso.
Portanto, um imbecil como o Souza pode até debochar dos botafoguenses, mas deve saber que conseqüências tal atitude pode ter. O que não pode, julgo eu, é inexistir qualquer reparo por parte dos mesmos jornalistas que criticam, criticam e criticam, a tudo e a todos, menos quando o assunto é Flamengo. Isso me parece emblemático, Andreazza. Qual a diferença do lamentável ‘Créu’ para o ato debochado do aprendiz de marginal (que acena para os torcedores com o símbolo do Comando Vermelho)? Não a vejo.
Triste é a postura cada vez mais chapa branca (no sentido de acomodada e acrítica) da imprensa esportiva. Me parece claro que a maciça presença de coleguinhas rubro-negros nas redações (num reflexo óbvio da maioria geral) começa infelizmente a turvar a cobertura. Esse debate a que vc alude, o bom debate das opiniões contrárias, por vezes radicalmente divergentes, dele eu tbm gosto, ele eu também defendo. Se lamento, é porque esse mesmo debate começa a sumir. E um dos motivos, além da praga politicamente correta que vc bem aponta, é a dimunuição do espaço para qualquer crítica que se levante contra a ‘maioria’.
Só os flamenguistas não percebem isso. Vi vários botafoguenses criticando a postura de jogadores e dirigentes após a final (o Simas foi um deles), mas não tenho visto nenhum rubro-negro condenar coisa alguma em vermelho e preto. As seqüenciais merdas que faz o Souza, por exemplo (e refiro-me apenas gestos e atitudes, não ao parco futebol dele). Nosso jornal mais representativo tem dois colunistas de futebol. Ambos rubro-negros. O registro de toda a editoria é flagrantemente parcial. Mas o pior é o tratamento ao contraditório: em vez de respeito democrático, desqualificação sob forma de sofisma (vc deve ter lido o que escrevi no blog sobre isso).
É evidente que sinto mais e defendo mais o meu Fluminense do que os outros clubes. Mas não querer, ainda mais se investido na função de jornalista, que meu ponto-de-vista solape os demais, em suma: que ele seja a única verdade.
Pensei muito antes de colocar aquele post no Pentimento. Tenho evitado comentar futebol justamente porque o debate se mediocrizou, virou um torneio de números: maior torcida, maior número de títulos etc. Sinceramente, isso pouco tem a ver com paixão.
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 21:40
Ah, sim: não sou, absolutamente, contra o drible. Qdo escrevo ‘ao que se faz dentro do campo’, refiro-me a atitudes, e não jogadas…
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 03:57
Mas vc ainda nao desistiu de dar pitaco sobre assunto que náo entende? Assim ninguem vai mais querer ler oq vc escreve. Percebe-se claramente a sua idolatria a probo Sr. Souza, que antes metralhava ao fazer gols, hj chora ao comemorar. Sugiro, além de vc parar de escrever sobre futebol, que é um assunto do qual vc realmente náo entende, que vc convide o dignissimo Sr. Souza para um chopp na seu “Espelunca chic”e debata com ele as ultimas noticias do Perú. Apenas para te corrigir, vc realmente acredita que esse tipo de provocação é sadia, e assim o futebol fica mais limpo, vc realmente acredita que as torcidas e os jogadores vão estar mais calmos e relaxados para o proximo jogo? ou infelizmente teremos mais uma batalha campal no gramado e principalmente nas ruas…deixo pra vc refletir um pouco. Outra, as suas tiradas não são engraçadas, o psicologo do BBB e o Botafogo não combinam nem um pouco, muito menos a sua frase de que o clube está doente, quem está realmente doente é o Brasil e a maioria da sua população que perdeu a ética, assim como os árbitros do futebol carioca, que apitam só para um lado enquanto ministros trocam panos de mesa de sinuca com cartão corporativo do nosso bolso. Faça um check up na sua consciencia e procure ver as coisas como elas são e não como Renatos Mauricios Prados querem que vc veja.
Sou engenheiro e não escrevo bem como vc, mas sem deselegancia e principalmente sem citar o nome do seu clube deixei meu recado, e caso vc perca a empáfia e me responda algo construtivo posso até explicar o porque da sua escolha pelo seu time.
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 13:02
Fred, li o teu comentário. (Li e reli). Tive a seguinte impressão, de início e, também, por fim: a de que você é um daqueles que levam uma caneta na pelada e logo derrubam ou puxam a camisa do driblador…
Em todo caso, Fred, uma coisa com a qual não devo - felizmente - me preocupar é com leitores. Eu os tenho, muitos, e, curiosamente, eles sempre tornam a me ler - mesmo os que não gostam, como você. (Curioso, isso, aliás). (Decerto, porém, que os cultivo bem).
Outra coisa com a qual não devo me preocupar é com o assunto sobre o qual escrevo: não importa - sou lido sempre, a despeito do tema, e mesmo quando escrevo, sei lá, sobre a BR-163. Este post, por exemplo, foi lido, até agora, por 284 pessoas - número que me permite dizer que entendo do que faço e falo. (O resto é incômodo e recalque)…
Ou seja: não tenho o menor interesse na tua opinião - e acho isso fantástico.
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 13:05
Marcelo, meu amigo, permita-me dizer que, apesar de discordar um bocado [hehehehe!], achei excepcional o teu último post no Pentimento, ademais excepcionalmente construído e escrito.
O resto a gente resolve depois - na porrada.
Saudações imperianas!
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 13:06
Aliás, minha gente, eu o recomento mais uma vez - o site do escritor Marcelo Moutinho: http://www.marcelomoutinho.com.br
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 13:28
Caro blogueiro e tribuneiro,
não foi minha intenção deixa-lo nervoso com meu comentário, não sou de puxar camisa de ninguem, nem na pelada nem em qualquer lugar, mas pela sua resposta penso que vc deve ser aquele zagueiro que se irrita facil quando leva caneta e abandona a pelada. Vejo que o assunto do futebol sumiu e por isso não tenho mais interesse em emitir a minha opinião, mesmo que vc não tenha o menor interesse. A sua empáfia como torcedor pelo jeito tirou a sua humildade até de ouvir quem um dia se interessou em ler oq vc escreve,e mais uma vez vou ser elegante com vc, diferente de como vc foi na sua resposta e deixa-lo com 248 leitores.
Saudações cordiais,
Fred
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 13:30
É engraçada essa história de “maioria rubro-negra nas redações dos jornais”. No jornal que eu trabalhei, o editor era vascaíno roxo e o sub, botafoguense. Além disso, o diretor de redação é um alvinegro fanático.
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 13:35
Fred, eu tive de parar de jogar bola cedo, castigado que foi a canhota pelas inescrupulosas entradas de vis zagueiros. Minha história no futebol, abreviada, é muito sofrida, passa por duas operações, e peço perdão se me fiz nervoso e agressivo diante de tão doridas lembranças. É difícil…
Em tempo: são 284 leitores para este post - e não 248.
(Agora, aliás: 291).
Abraço!
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 13:47
Ahahahaha. Mas te digo: o Fluminense não costuma ter problemas com o Flamengo, não…
Foca: vide O Globo (ou vc acha que existe concorrência no Rio?)
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 16:54
O C.A é bom de polêmica, como mostra a reação do leitor Fred. Ele tem escrito sobre os mesmo temas que o Pim, só que com uma repercussão bem maior. O Pim escreveu sobre o futebol comportado e vem o C.A e fala de provocação; o Pim escreve sobre cinema e o C.A vem falar sobre “cinema sério”. São rigorosamente os mesmos assuntos, mas o C.A tem o dom da polêmica. Ele escreve e consegue sempre tirar algum leitor do sério.
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 17:00
O texto do Marcelo está bem escrito - como de costume - mas parte de uma impressão errada. Ninguém está censurando o Botafogo ou tirando seu direito de manifestar seu desagrado. O que acontece é que o time caiu em total descrédito, depois de reclamar o ano passado inteiro contra arbitragens, complôs, jogadores não-machos, etc. Se o Fluminense reclamasse da arbitragem, seria prontamente ouvido. Mas o Botafogo meio que já esgotou a paciência de todo mundo. Principalmente quando se analisa o argumento contra a arbitragem: “Ninguém marca aquele tipo de pênalti”. Ou seja: eles admitem que foi pênalti (Fábio Luciano ficou quase pelado), mas acham que só marcaram porque foi contra o Botafogo. Aí fica complicado, né?
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 17:01
No mais, parabéns atrasado ao Marcelo por ser um blogueiro que não tem medo de expor sua fronte calva na internet. Eu, por exemplo, nunca tive coragem de botar minha foto no meu blog, exatamente por não lidar bem com minha escassez capilar.
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 19:01
Foca: e eu lá vou ter vergonha de ter muita testosterona? ;)
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 19:20
Concordar ou discordar da comemoração do Souza é um direito que todas as pessoas tem. Embora a favor do gesto do Souza, por fazer parte da “gozação” do futebol, mas antes de tudo por ser contra o BÚatafogo, um time que quando perde sempre tenta esconder seus erros através de favorecimento nas arbitragens e tirando o foco principal que no futebol é a vitória ou derrota para algum fato que foi injustiçado.Dessa vez foi encarado como um vexame, vergonha e como disse o jornalista Fernando Calazans em sua coluna como o velório botafoguense.Nisso tudo o que não entendo são pessoas inteligentes, joranalistas, intelectuais e etc… colocarem a culpa no jogador que estes gestos podem incentivar a violência nas torcidas organizadas, entre os mais fanáticos torcedores e entre pessoas ligadas ao esporte ou mesmo as comuns. O que gera a violência é a nossa justiça, ou melhor injustiça, nossos politicos, a impunidade do nosso pais e principalmente a educação que nós temos.Se por aqui tivessemos um pingo de justiça, punição aos marginais e educação, nada disso seria questionado como um ato de incentivo a violência, até pq nos EUA onde as pessoas estão anos a frente do Brasil nesses quesitos, em jogos da NBA é possível ver enterradas(que no futbeol um simples drible de cabeça, já significa “deboche” do Kerlon do Cruzeiro) e jogadores provocando a torcida rivas mandando fazer silêncio, nem por isso na saida dos estádios existem mortes como aqui. Por exemplo o que mais incentiva a violência o gesto do Souza ou do torcedor do vice que matou um torcedor do Flamengo em um jogo de basquete, foi reconhecido pelas cameras de Tv, preso e já está em liberdade por um habeas-crpus? Um político que rouba e não acontece nada, ainda é visto pela sociedade como “bacana”, será que não pode incentivar pessoas a roubarem e cometerem crimes tão violentos qto o “gesto do Souza”. Por favor, isso é FUTEBOL e o Búatafogo de tanto chorar mereceu e MERECE essa linda comemoração, que aliás se fosse com o vice da gama, não teria graça pois nem lágrimas mais nossos jogadores iriam ter, nem para brincar.
Sds Rubro Negras
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 19:44
B.T., positivamente resolveu a questão e abriu o final de semana, salve-salve!
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 20:02
Foca, pra dizer a verdade o Marcelo é muito mais corajoso por expor o brinquinho e a tatuagem na mão. A careca é coadjuvante nesse enredo.
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 20:51
Pois é, Marcos: haja testosterona! rs
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 21:13
Valeu Souza!!!
Continue assim! Dessa maneira vc resgata a “mulekagem” do futebol, tão vista nas comemorações de Romário, Renato Gaúcho e Edmundo.
Torcida e time cansados de tanta frustração! Não tem competência (Perderam 3 gols feitos no domingo) pra vencer no campo e aí ficam pegando detalhes como esse.
Esperamos por novas comemorações e “mulekagens”!!! Isso é futebol, não é golf!
Toca e sai!!!