por C.A. - Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 14:43
Talvez não seja de bom tom, para um escritor, revelar que o cinema que o interessa se projeta [bem] longe de pobrezas, misérias, problemas existenciais, questões políticas, revoluções de linguagem, inquietações [ou masturbações] intelectuais e outras angústias nacionalistas… (Para tanto, aí está sempre a literatura - mesmo a ruim).
O cinema que me faz sair de casa tem explosões monumentais, efeitos especiais inéditos, gentes muito saudáveis e bem-alimentadas, assassinatos bárbaros e breves sustos em seqüência [com destaque para Sexta-feira 13 e Brinquedo assassino], mocinhos e vilões claramente definidos e desfechos tão previsíveis quanto necessários [a exceção, aqui, seria a insuperável série Guerra nas estrelas].
Em suma, entretenimento puro - não raro sendo genial assim.
Eu acho cafona, meio ridículo até, cinema que se leva muito a sério. (O espectador, às vezes, deseja apenas se divertir com o filme e não quer se empenhar demasiado na “compreensão do tempo, da história e das limitações* de quem o realiza”). (Porra, o cara quer comer pipoca sossegado)…
Daí porque, ensejado pela esperada estréia do novo e já mítico Rambo, o quarto, listo alguns filmes memoráveis, formadores do notável intelectual que sou:
- Comando para matar
- O grande dragão branco
- Predador
- Karatê Kid
- Duro de matar
- 007
- Super Xuxa contra o baixo astral
Precisa de mais?
* “Limitações de quem o realiza”, Sr. Carlos Reichenbach? E os caras ainda esperam que o povo pague ingresso para ver a confissão de incapacidade dum marmanjo…


Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 16:37
Devo te confessar, Andreazza, que, dentre os filmes nos quais consolidei meu intelecto, “O último dragão” - produzido pela Motown, em 1985 - foi o que mais me influenciou. As cenas nas quais Bruce Leroy, envolto por uma aura amarela, finalmente derrota o Sho’ Nuff (”Quem é o mestre, Leroy?”) e, após fingir-se de morto, tira sarro com a cara de seu algoz, o produtor Eddie Arcadian - que o atirou -, mostrando a bala entre seus dentes, francamente, superam qualquer Godard, Truffaut…
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 16:49
Bezerra, você capturou aqui, em palavras, toda a história do cinema. Fantástico, moleque-capoeira-tribuneiro!
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 17:37
Carlos, não mete essa, porque você gostou muito de “As invasões bárbaras”.
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 18:42
Eu?
Nem a pau, juvenal.
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 19:01
Desculpe, era outro Carlos: o Reichenbach.
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 19:10
Ok. Eu também me confundo às vezes.
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 21:00
Olha, eu fui ver outro dia “4 meses, 3 semanas, 2 dias”. Não me diverti, saí angustiado (seria a tal angústia renitente) e a pipoca desceu mal pra caramba. Era um dia de carnaval e saí um pouco incomodado com isso. Mesmo assim, não vejo por qual motivo o cinema não possa servir para questionar, incomodar, refletir, etc. Mas respeito a opinião, ainda mais por ter sido bem defendida.
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 23:52
Amigo Bezerra, você é um cara inteligente (não o conheço, mas percebo pelos comentários), mas, às vezes, cai nas ciladas do humor do Carlos. Esse mesmo C.A que se faz de bobo, citando “Karatê Kid” e “Super Xuxa”, na verdade, é um cara de gosto refinado, capaz de discorrer sobre todo o neo-realismo italiano, o expressionismo alemão, a nouvelle vague (em francês), etc, e, em 2003, escreveu um texto elogioso sobre o filme “Glauber, o filme - Labirinto do Brasil”.
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 23:55
Essa ode ao cinema bobo é apenas uma manifestação de uma crença do Andreazza: a de que os cineastas se levam a sério demais, notadamente os brasileiros, que ainda usam dinheiro público para isso. Mas o C.A está longe de ser burro e de odiar filmes inteligentes. Caso ele odeie mesmo, fica a dúvida: quando ele, certa vez, me chamou de Foca Allen, estaria ele me menosprezando? C.A odiava tanto os filmes do Woody Allen quanto os meus textos no Tribuneiros?
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 23:57
O que acontece é que Andreazza é um gênio e os gênios não entregam as coisas de bandeja. Eles dizem uma coisa querendo que você descubra de verdade o que eles querem dizer.
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 00:01
Inclusive, essa coisa de “o cara quer comer sua pipoca sossegado” vai contra as grandes conquistas deste site. Este espaço, na teoria, seria freqüentado por gente que quer apenas descansar um pouquinho do tédio do trabalho e ler coisas divertidas. Sendo assim, ninguém iria gostar de literatura na internet, e sim de bobagens, notícias rápidas, fofocas. Mas não. O site já completa 4 anos e meio de textos inteligentes para pessoas que, às vezes, só têm cinco minutos entre um compromisso e outro para ler.
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2008, às 16:31
Te entendo, Foca.