por Pim - Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008, às 15:00
“Renunciou? Ah… Pensei que tinha morrido”. Foi assim que reagi a notícia da renúncia de Fidel. Com decepção. Ela coincidiu com a pior dor de barriga que já tive. Eu esperava mais, muito mais. Queria ligar a TV e ver flores, orações, caixão, cortejo fúnebre, o teatro inteiro. Seria melhor para o mundo e para o meu intestino. Mas não. Só vi os bobos da corte de sempre exaltando meio século de ditadura assassina. Niemeyer, Lula, essa gente. Os amiguinhos vermelhos.
Tentei escrever a respeito, em tempo real. O problema é que o banheiro me chamava de dois em dois minutos. Precisei deitar. Como todo mundo escreveria sobre Fidel antes de mim, passei o dia inteiro na cama tentando relacionar a renúncia com meu intestino. Cheguei, modéstia à parte – e sempre à parte -, a conclusões formidáveis. Como eu ia falar mal do regime de Fidel, meu intestino me censurou e me torturou. Meu intestino, portanto, é cubano. Ou pior: é castrista. De modo que eu, refugiado na cama, tive que fazer um embargo. Nada de torrada. Nada de queijo minas.
Deu certo. Primeiro, meu intestino grosso renunciou, alegando cansaço. Mas eu, que não sou bobo, e sabia que o cansaço nada tinha a ver com o embargo, fingi que não vi. De nada adiantaria que o grosso saísse do poder, se o delgado continuasse funcionando. Apesar das pressões do resto do meu corpo (órgãos, músculos e ossos reivindicando, afoitos, a abertura da porteira), meu cérebro sabiamente resistiu. Ele esperava mais, muito mais. Queria que meu intestino ajoelhasse diante de mim, pedisse desculpas por 17 mil diarréias sumárias, 100 mil prisões de ventre, e clamasse por socorro. Foi o que aconteceu. Meu intestino acaba de se render.
Agora sim já posso pensar em lhe dar uma torrada. Queijo minas, não. Só se ele se comportar direitinho.


Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008, às 19:41
Pim, você anda muito anti-vermelho! E que tantas dores de barriga são essas, escritor?
Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008, às 20:31
Olga, qualquer dia eu escrevo uma crônica de esquerda pra coluna da direta.
Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008, às 12:18
João Paulo, que esse dia não demore, por favor!
Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008, às 17:07
A diarréia, pelo jeito, foi toda despejada no texto.
Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008, às 01:31
Esperava mais do texto…