por C.A. - Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008, às 21:09
Não compreendo o Pim. Ele que, ontem, durante faustoso almoço, queixou-se do assédio decorrente da fama. E atente o leitor para a ingenuidade do grande escritor, o pobre, surpreso ainda por lhe terem pedido um autógrafo [dois, na verdade] à Bahia, durante as imerecidas férias que vem de gozar. Então, o sujeito escreve o clássico internético Um sóbrio em Salvador, publica-o em livro, e pensa que as gentes do mundo inteiro o lêem, exceto, naturalmente, os baianos?
Somos lidos na Tailândia, meu caro. No Acre!
Ninguém escapa impunemente do lançamento dum livro, ademais se excelente, num país de leitores como o Brasil. (País onde há cento e cinqüenta milhões de críticos literários). Veja o meu caso: proibido de ir ao glorioso e supracitado estado do Acre, jurado de morte que estou, despachei, ainda assim, quase cem livros tribuneiros para Rio Branco – a cosmopolita capital. (Noventa e três mentes que, ao encomendarem a edição, admitiram total incompreensão sobre meus escritos)…
Somos lidos na Tailândia, no Acre, em breve na Bolívia e, não obstante, almoçávamos para discutir o contrato [aceito] que uma editora chilena viera de nos oferecer – e o grande escritor insistia na cegueira de não reconhecer a própria fama.
De minha parte, aviso, lavo a égua. Sem livro, todo o escritor é blogueiro. Com livro, ainda mais se um genial, todo o escritor é o que quiser. Eu sou metido, marrento, escroto, babaca e o escambau – por ora. (Depois, mudo). (Pra pior).
Procurado, faz pouco, por um playboy feito ator global, interessado em adaptar para o teatro um texto meu, pedi que mandasse a proposta por e-mail, de resto pífia, apenas para responder como sempre imaginei: “Estude Shakespeare antes”.
Sou, também, um franco-atirador. A porteira editorial se abriu, não sei o que por ela farei passar, mas desfruto irresponsavelmente da expectativa alheia e do salvo-conduto que a estréia literária recente me enseja. Para cada um que me pergunta sobre livros futuros, solto um projeto diverso. Antes do carnaval, por exemplo, declarei a um jornalista que, em parceria com a Beija-Flor, trabalhava no texto de A história do Amapá. Ele publicou. Publicou, também, que nasci em Paris, como fiz aparecer no meu perfil impresso em Contra a juventude. Não foi o único. (E já imagino que me tenham por aí na conta de um excêntrico aventureiro – cara nascido em Paris que se dedica a pesquisar o Amapá –, o que absolutamente não sou).
No próximo livro, dir-me-ei parido em Macapá – e assim de lá serei. Ou talvez me imprima nascido em Macondo. (Em jornalismo, lê-se ainda menos do que se apura)… Quando, no futuro, me admitir carioca, de Botafogo mesmo, ninguém acreditará – e a glória literária terá servido para alguma coisa se, afinal, entenderem-me sob um inédito surto de humildade.
A respeito de minha fama literária, pois que me chovem prestigiosos convites, revelo definitivamente quão grande e presente ela é: desfrutei em verso e prosa do camarote carnavalesco da Nova Schin na Sapucaí sob a alcunha de Felipe Moura Brasil. Na saída, disse à promoter que tudo estava uma merda.
Escritor de verdade é assim.


Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008, às 21:30
Carlão, você já foi mais humilde. abraços
Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008, às 12:15
Ah! Ele voltou a escrever!!!!
Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008, às 12:34
Será que voltou mesmo?
Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008, às 13:47
Decidam, por favor, se voltei ou não, e depois me avisem - ok?
Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008, às 13:47
Porra, estou mais votado que o Wagner Montes na enquete deste site…
Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008, às 15:05
Voltou, não, mas aguardo pacientemente.
Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008, às 15:47
Concordo que o Pim está um tanto louco.
Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008, às 17:10
Carlos, já que você vai escrever um livro em parceria com a Beija-Flor, podia ser algo que explicasse o inacreditável nome do enredo da escola neste ano.
Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008, às 17:12
Ah, Rafael, no caso, sou eu.
Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008, às 17:14
Marcos, a humildade nunca fez bem ao Carlos. Não sei por que você deseja isso a ele. Meu sonho é vê-lo ainda mais famoso, seguindo sua inevitável carreira política.
Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008, às 19:24
Acho que é um bom começo…
Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008, às 21:27
VOTE Carlos Andreazza - Pra botar ordem na casa!
Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008, às 01:27
Putz!
Concorrentes fortes hein …
Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008, às 15:37
Diga-me, Carlos, ha Primavera dos Livros apos a fama? (aqui o que nao ha sao acentos).
Nada como matar as saudades do Rio lendo Tribuneiros.
E voces serao lidos na Inglaterra, se os correios permitirem.
Quarta-Feira, 20 de Fevereiro de 2008, às 16:19
Luiza, ainda falta muito para a Primavera 2008 - mas, se o sucesso não nos tomar a cabeça, são boas as chances de estarmos lá, ehheheeh…
E obrigado pela leitura internacional!