por C.A. - Terca-Feira, 19 de Fevereiro de 2008, às 14:07
Para quem, como eu, esperava que ele só deixasse o comando da Ilha morto, admito, foi uma baita surpresa. Positiva.
Depois de quase meio século à frente de Cuba, a renúncia, sem drama algum, é decisão de tremenda responsabilidade pública, conseqüência da saúde francamente debilitada, e demonstra, aos 81 anos, inesperado desapego ao poder - que, na prática, não mais poderia exercer.
Que o país agora caminhe, sem oportunismo [e sem ingerência externa], para eleições democráticas.
O tempo se encarregará de Fidel Castro.


Terca-Feira, 19 de Fevereiro de 2008, às 14:47
Sem ingerência externa? Piada, né?
Terca-Feira, 19 de Fevereiro de 2008, às 14:49
Admito, Pedro, que temo mais pelo populismo-oportunismo interno.
Terca-Feira, 19 de Fevereiro de 2008, às 14:49
Na prática, não muda nada, porque o irmão dele já era o governante de fato. Mas caso mude, vamos comemorar a transição de Cuba rumo ao destino glorioso de seus vizinhos Haiti, Guatemala e El Salvador.
Terca-Feira, 19 de Fevereiro de 2008, às 14:56
Pedro, não acho que deva ser necessariamente assim. Cuba tem meios - mais consistentes - de passar por uma transição democrática que não resulte num Haiti. A educação faz toda diferença.
Terca-Feira, 19 de Fevereiro de 2008, às 14:58
Enfim, a respeito daquela região, acho complicado supor que, ou se fica na miséria ditadura de Cuba ou se tomba na corrupção miserável de El Salvador.
Terca-Feira, 19 de Fevereiro de 2008, às 15:03
Olha, é preciso lembrar que boa parte da miséria de culpa, além, é claro, da corrupção e privilégios da classe governante e turistas endinheirados, vem de um inacreditável embargo econômico. O que justifica este embargo? Cuba é uma ameaça à paz mundial? Que direito um país tem de bloquear recursos vitais para outro, apenas por diferenças ideológicas?
Terca-Feira, 19 de Fevereiro de 2008, às 15:23
Sou contra o embargo, Pedro. Mas acho que Cuba, com pretensão, demorou a reconhecer que poderia ter nos países da América do Sul parceiros comerciais capazes de driblar os limites econômicos impostos pelos EUA. Fala-se muito pouco a respeito - mas Cuba teve, por anos, uma política externa tão vaidosa como de conseqüências terríveis para seu povo.
Terca-Feira, 19 de Fevereiro de 2008, às 16:17
Não sei se vaidade é bem o termo, C.A. Acho que no meio daquela histeria da Guerra Fria, ele não teve muito pra onde correr. Mas gostaria de ouvir mais suas idéias.