por Felipe Moura Brasil (Pim) - Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 05:18
Marta Suplicy não gosta que falem mal da criminalidade brasileira. Ontem, na Feira Internacional de Turismo, em Madri, ela rebateu a uma pergunta sobre a insegurança nacional com um patriótico piti: “O Brasil pelo menos não tem terrorismo”. Você já viu esse filme. Em novembro de 2007, em Zurique, o eterno presidente da CBF, Ricardo Teixeira, fez o mesmo. Defendeu nossos assassinos para uma jornalista canadense. É uma mania oficial. O recurso mais chinfrim em qualquer discussão. Quando não se têm argumentos para contestar, tenta-se carregar o outro para o mesmo buraco. Mesmo que o outro seja o Canadá.
Desde criancinha, eu sou capitalista. Não precisei conhecer a “mão invisível” de Adam Smith, nem a mão forte de Margaret Thatcher, muito menos - do outro lado - as mãos assassinas de Stalin e Fidel para concluir que a esquerda não me servia nem para a masturbação. A competição já fluía no meu sangue quando joguei minha primeira partida de bolinha de gude. Eu pulei o comunismo. Ele, o Posto 9, o Baixo Gávea e congêneres. A única estupidez ideológica que me contaminou um pouquinho mais foi o patriotismo. Pois é. Eu já fui como Marta Suplicy e Ricardo Teixeira. Se um italiano chamasse o Brasil de cara de abacaxi, eu chamava a Itália de cara de mamão. Se um americano chamasse o Brasil de cara de melancia, eu chamava os Estados Unidos de cara de mamão. Eu não gostava de mamão.
O problema é que ficou cada vez mais difícil defender o Brasil. Mais do que difícil. Ficou ridículo. Se você já tentou explicar o poder dos traficantes nas favelas a um estrangeiro civilizado, sabe do que estou falando. Eles não estão lá? Vocês não sabem onde é? Por que não os prendem? Ora, são perguntas muito difíceis para um brasileiro patriota responder. Ainda mais para mim, que comecei a gostar de mamão. Então concordei. Moro num abacaxi. Moro numa melancia. Foi libertador. Montaigne teria me endossado: “o sábio deve, no íntimo, afastar sua alma da multidão e mantê-la com liberdade e poder para julgar livremente sobre as coisas”.
Nossa ministra, até hoje, não aprendeu a lição. Irritada em Madri, desandou a falar as maiores barbaridades: “O que acontece no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, vira imediatamente manchete e uma tragédia”, “O Brasil não é um país mais violento do que os outros”, “O Brasil vive no imaginário como essa coisa enorme de insegurança”… Deve ser mesmo muito criativo o imaginário internacional: “inventou” que o Brasil tem 50 mil assassinatos por ano (umas 50 vezes mais do que as realizações do ETA, o grupo separatista basco, em 4 décadas), numa taxa de 27 assassinatos (que, no Rio, é ainda maior) por 100 mil habitantes (sendo a do Canadá de 1,85 e a da Espanha de 1,2).
Se o patriotismo é o último refúgio dos canalhas, como definiu o inglês Samuel Johnson lá em 1775, o que dizer do recurso da ministra à natureza? Para Marta, o Brasil é o “turismo internacional do século 21”, porque “os europeus podem criar muitos monumentos, mas lugares de beleza natural como Foz do Iguaçu, ninguém pode inventar”. Eis nossa propaganda turística. Um atestado de incompetência administrativa.
Henry Miller, por volta de 1940, perguntava por que, na América, as grandes obras de arte eram todas obras da natureza: por que, afinal, só havia obras utilitárias, como diques, pontes e estradas, e não “monumentos duradouros criados pela fé, pelo amor, pela paixão”, como as catedrais da Europa, os templos da Ásia e do Egito? Não sei. Aqui mal chegaram as utilitárias - contra as quais, aliás, nada tenho. Eu trocaria dez Grand Canyon por uma Ponte Rio-Niterói. Ou dez Chapadas Diamantinas por uma Golden Gate. Mas o Brasil faz o que há de pior: na falta de segurança e infra-estrutura, apela para as fontes murmurantes, onde a lua vem brincar. Até porque as florestas ninguém sabe se daqui a pouco acabam.
Ricardo Teixeira, Marta Suplicy, petistas e esquerdistas são todos uns caras de mamão.


Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 11:49
Vejam esta maravilha de cenário…
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 12:37
PIM, QUE TEXTO SENSACIONAL!
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 12:43
Caro Felipe,
Imagine o local - Feira Internacional de Turismo.
O que os participantes deste evento fazem lá? Promovem os pontos turísticos de seus países, certo?
O que diria um ministro francês se perguntado sobre os distúrbios que ocorreram em Paris com os imigrantes que não tem oportunidade de emprego?
Não devemos tapar o sol com a peneira, a violência existe no Brasil e é grave. Deve ser combatida com rigor e seriedade. Estamos mal neste matéria.
Agora pelo que entendi você gostaria que a Ministra do Turismo do Brasil, em um evento internacional, pedisse aos promotores e participantes que não venham ao país por causa da violência.
Piada né?
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 13:26
Hahaha, muito bom!
Mas eu definitivamente ainda não consegui me desfazer desta “estupidez ideológica” do patriotismo!
“Nosso céu tem mais estrelas, nossas várzeas têm mais flores, nossos bosques têm mais vida, nossa vida mais amores”…
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 13:28
Vocês tiraram aquelas estrelinhas pra classificar o texto?…
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 13:44
Tiramos, Fernanda. Não cabiam dez estrelas…
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 14:20
Falar mal do país, é que nem falar mal da família: só eu posso meter o pau, se algum estranho mete o bedelho, mando catar coquinho! Agora, “O Brasil pelo menos não tem terrorismo”, é de um amadorismo inexplicável.
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 14:57
A melhor coisa que ela poderia ter dito seria “relaxa e goza na HELP” iria atrair muitos turistas.
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 15:48
Pior do que a Marta, Pim, só o Ectrodátila Lula, que, desdenhando os (apocalípticos?) dados sobre aumento do desmatamento ilegal da Amazônia, disse aos jornalistas, na tevê, que esses dados são como “coceirinhas que pouco incomodam, que logo passam”.
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 17:19
Desde criancinha, eu sou capitalista = desde pequeno, eu sou rico.
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 18:01
Pim, vendido ao sistema ianque!
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 18:39
Como assim “vendido”, C.A.? Eu fui de graça…
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 19:12
oi felipe, concordo muito com voce. criticas construtivas sao sempre bem vindas e responder a uma pergunta sobre nossas fraquezas voltando para a dos outros eh puro atestado de imaturidade tb. mas nao acho que isso se deve a ser ou nao capitalista/comunista. e sobre a chapada vs golden gate, sei nao, vc jah foi lah? :)
mas acho que o assunto brasil-abacaxi-mamao deve continuar sendo explorado para a gente sempre melhorar nosso pais e nao ficar jogando os traficantes para debaixo do tapete. isso seria um tiro no pe. bjos, flavia.
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 19:27
Eu não sabia que se podia colocar carinhas com risinhos etc. aqui no site - e não sei se gostei…
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 20:53
PIM,
Só uma observação ao seu texto: daqui a pouco, a Ponte Rio-Niterói vai estar obsoleta. Vai haver a Avenida da Guanabara, que vai fazer a ligação entre as duas cidades por terra mesmo.
O Governo do Estado vai ressarcir a Barcas S.A e começar a alugar o porto que o Eike está construindo lá pras bandas de Guaratiba.
Ótimo texto.
Um abraço,
Gomide.
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 22:27
Acabei de tomar conhecimento deste blog, através de um comentário no blog do Reinaldo Azevedo. Já está adicionado nos meus favoritos.
Muito bom este artigo! Parabéns!
Um grande abraço.
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 23:36
LULA É UM MITO, UMA FANTASIA COLETIVA
THEODIANO BASTOS
O povo brasileiro parece procurar um Messias. A expectativa de um messias é um modismo comum que ocorre em países com alto índice de desigualdade social, baixo grau de escolaridade da população e descrédito das instituições ou tremendamente injustos como é o caso do Brasil, onde existe a fantasia de que cada parto, se esteja dando a luz a um messias… Elegeram Getúlio Vargas em 1950 vendo nele o “Pai dos Pobres” e que deixou a presidência cometendo suicídio em 24.08.1954. Elegeram Jânio Quadros em 1960 e que renunciou em 08.08.1961 como Homem da Providência e depois em 1989 elegeram Fernando Collor de Mello como o Salvador da Pátria e na quarta tentativa elege como Presidente da República Luís Inácio Lula da Silva como o Messias, é o mito do Operário Salvador, e que consta no livro de minha autoria O Triunfo das Idéias. “Quanto mais um país depende de pessoas, e não de instituições, menos republicano ele é”, diz Roberto Romano, da Unicamp.
Lula elegeu-se prometendo a mudança, e no governo praticou o continuísmo, mas mirando o bolso dos ricos e a barriga dos pobres. E segundo Paulo Arantes (Idéias JB 10/03/07), ao falar do colapso do petismo e da falência do governo Lula, diz: “o petismo sucumbiu ao pior tipo de capitulação, a capitulação sem combate e a adesão prévia ao programa do inimigo. A vitória de Lula foi uma derrota acachapante da esquerda”, conclui “Sem um núcleo de formulação de estratégia econômica, mas incontida ambição pelo poder”. Segundo Reinaldo Gonçalves, competente intelectual que pediu desligamento do PT, em entrevista ao Jornal do Brasil de 06/02/05, diz: havia ausência de diretrizes. O objetivo passou a ser, não a transformação, mas a chegada ao poder… e centralizar os esforços na reeleição. E é isso que está ocorrendo. A consolidação de estruturas retrógradas e a quebra da esquerda brasileira. Racha-se também o movimento sindical e a sociedade civil organizada. A herança de Lula, nesse sentido, pode ser pior que a do FHC e conclui: o partido não estava preparado para ser governo e, ao mesmo tempo, manter a sua identidade. Não havia maturidade e força política suficientes. O PT seria o único partido capaz de clamar por mudanças. E Lula autodenominou-se “uma metamorfose ambulante”…
Com a eleição de Lula, o mundo inteiro (menos os que sabiam), julgou que o Brasil iria mudar para melhor, pois acreditavam no que alguns petistas pregavam de que só eles eram honestos e conheciam todos os problemas e a solução, que dariam um salto para frente, mas nós saltamos para trás. diz Fausto Wolff. Já Felipe Pigna, escritor e jornalista argentino diz: “O triunfo de Lula deixou contentes os progressistas argentinos. Lamentavelmente, logo Lula se mostrou mais preocupado em acalmar as inquietações do governo direitista dos Estados Unidos e mostrar-se como um muchacho confiável para o poder econômico mundial”. O país vai mal, eticamente mal. O futuro do país está conturbado e nebuloso. 20 mil famílias, em 2005, ganharam R$ 105 bilhões, graças aos juros obscenos que o governo do PT pagou, ao passo que apenas R$ 7 bilhões para os 8 milhões de beneficiários das bolsas-esmolas, segundo estimativas de Márcio Pochmann. Também a respeito do Governo Lula, diz o pensador César Benjamim, ex-integrante da cúpula do PT, vice na chapa de Heloísa Helena: “Temos 83% da população brasileira nas cidades, bloqueamos a mobilidade social e o Estado Nacional tornou-se refém do sistema financeiro. Estamos em vôo cego pois não temos uma teoria contemporânea do país”. O governo Lula, em números concretos, distribuiu R$ 530 bilhões para remunerar os rentistas e apenas R$ 30 bilhões para o Bolsa-Família, destinados aos mais pobres. “Os ricos nunca ganharam tanto dinheiro como no meu governo”, diz Lula com razão. O PT e Lula eram até há pouco
tempo, considerados uma certa reserva da nação, mesmo por seus adversários.
“Lula foi uma falsa chegada do povo ao poder. Lula foi uma fantasia coletiva, a encarnação do líder que ia comandar essa transformação fomos nós que criamos, porque precisávamos disso. Lula nunca foi isso, nem sequer foi um reformista, sempre foi conservador. O Lula é um tremendo equívoco. Um equívoco tão grande que não sei responder qual o efeito desse equívoco sobre o povo brasileiro. É um episódio meio patético, meio dramático, e que terá um impacto grande porque a decepção com Lula é muito mais profunda do que as decepções anteriores e sem limites éticos”, conclui César Benjamim.
VEJA TAMBÉM NO BLOG OFICINA DE IDÉIAS: theodiano.blog.terra.com.br
“OS LÍDERES MESSIÂNICOS” e “O FENÕMENO LULA”
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 15:17
Este site foi recomendado no blog do Reinaldo Azevedo? Minha nossa…
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 15:36
Ih, se está no blog do Reinaldo Azevedo daqui a pouco o site será invadido por petitstas inconformados…
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 15:46
Pedro, este site costuma ser muito indicado. Se o foi no do Reinaldo Azevedo, terá sido apenas mais uma vez. Abraço!
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 16:07
Ana, eles já estão por aqui…
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 16:19
São todos, não custa dizer, muito bem-vindos!
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 16:21
Amei Pim!
Excelente, ainda mais em início de carnaval. Só mostra que vc está sempre sensível a reflexão até em tempos que a maioria só pensa em ter uma skol na mão.
bjos, Rapha.
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 16:50
É engraçado que ainda haja esta confusão entre “esquerdistas” e “petistas”, como se tudo fosse a mesma coisa. Como se o Lula e seus amigos do PMDB fizessem algum governo de esquerda e o consultor José Dirceu sonhasse com alguma revolução socialista.
Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2008, às 15:37
Adorei o texto!
Em minha opinião não existe nada mais patriota que informar o povo! E mesmo que escrevemos com toda a nossa indignação sobre o descaso dos nossos governantes, diante da violência e insegurança do nosso País… Somos ainda mais Patriotas!!!