por C.A. - Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2008, às 16:40
Interrompo o inverno de minha prosa para escrever sobre o Império Serrano. Ontem, no Teatro Rival lotado, a escola – a escola! –, definitivamente, lançou os fundamentos para o que direi a seguir, em tópicos:
- Chega desta cretinice de pobre Império, miserável, coitadinho etc.. Pobre é quem não tem história e sequer quadra, no entanto fiando-se em funqueiro pop para lotar clube da Zona Sul. No dia [e este dia virá] em que precisarem de uma escola de samba, lembrar-se-ão do Império Serrano – e o Império Serrano não faltará.
- Pobre é quem não sabe reunir [e/ou valorizar], numa noite, o vento forte de Andréia Caffé, meu deus do céu!, o timbre do Jorginho do Império, de recriar, a cada verso, o canto a cappella, a contundência de Fabrício e a elegância da Velha Guarda, o jongo da Serrinha, meus respeitos todos, e a bateria de nos relembrar quem é quem nesta coisa de carnaval.
- O Império Serrano precisa de muito trabalho para ter a estrutura duma Grande Rio. É sabido. A Grande Rio, porém, nunca será o Império Serrano.
- Pobres são o prefeito e seus sócios contraventores – que privatizaram o carnaval e aprofundaram o fosso que separa o Grupo Especial do de Acesso. Decerto, porém, que não contavam com o Império. (Ou, de repente, rebaixaram-no, sob estranhas transações, pensando que a escola sumiria)… Com o Império não há fosso, senhor alcaide. Com o Império não dá pé, senhor bandido. Que vocês todos nos aguardem no sábado de carnaval. Mas com cuidado. Somos a última a desfilar – e os senhores que não cruzem o caminho da minha pernada. (Com a Coroa Imperial, entretanto, não se preocupem – ela não se vira pra baixo).
- Pobre coitado é quem acha que show de escola de samba, noves fora Mangueira, é festa beneficente. Uma instituição como o Império Serrano faz festa porque festa lhe é vocação. O Império Serrano se reúne s vésperas do carnaval porque tem a quem reunir. Tanto melhor que disto resulte, também, dinheiro. Há um carnaval para se colocar na rua, afinal. E, de dinheiro, todas precisam. A diferença é como o arranjam.
- Chega deste jornalismo preguiçoso e viciado segundo o qual o Império Serrano estaria em eterna crise. Falta de grana não faz crise numa instituição orgânica como o Império. Falta de grana traz dificuldade – o que sempre se resolve com trabalho e engenho. O Império ganhou nove inesquecíveis carnavais sem jamais nadar em dinheiro. O Império é esta força de permanência carioca sem nunca ter sido uma escola rica. Não há, porém, dinheiro no mundo que faça bancar um outro Império Serrano. (Mas que continuem tentando – é bom para o espetáculo)…
- A Portela passa o ano todo metida na beca superior de se distinguir – sou de Oswaldo Cruz. Mas quando vem chegando o carnaval, aí, bem, aí ela é toda sorriso pras bandas de Madureira. Não me engana. De Madureira é quem Madureira faz. De Madureira, em Madureira, sob o tempo e a tempestade que for, é e fica o Império Serrano.
- Chega desta postura jornalística escrota de “amigo da escola carente”. O Império Serrano não expia a culpa de ninguém e tampouco precisa de caridade. O Império não quer favor. Visitar a quadra e o barracão para deles sugar o que menos importa talvez valha um prêmio – mas comigo não cola. Quadra vazia s vésperas do ano-novo? Jura? E qual não estava? Barracão atrasado, com alegorias na madeira? O desfile do Império tem data marcada: 2 de fevereiro. Tudo estará pronto, então.
- O Império, eu juro!, tem muitas coisas boas, caros periodistas do apocalipse. Abram as páginas alheias, leiam as notícias bacanas que os colegas estão publicando, s vezes, bem ao vosso lado. O Império está vivo. Sábado próximo, por exemplo, em mais uma edição da Feijoada Imperial, receberá o escritor Ruy Castro, bem como a Estação Primeira de Mangueira. Cinco mil pessoas na quadra – com pessimismo. (Mas isto não interessa, né)? (É informação boa)…
- Eu desfilarei no Império Serrano no sábado de carnaval. Não desfilarei no Grupo de Acesso. Desfilarei no Império Serrano. Valor absoluto – e intransitivo.
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No dia 26 de fevereiro, o sábado antes do desfile, lugar de carioca é na quadra do Império, sob a força de São Jorge, por ocasião da 1a Festa do Imperiano de Fé. Mais informações, em breve, aqui. (E no mundo todo, aliás).


Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2008, às 17:07
Rapaz, eu ainda estou sob o efeito da noite de ontem. Que bonito ver tantos imperianos com os olhos em fogo de emoção. Que bom ver essa universidade do samba que é o Império Serrano desfilar toda sua pujança, sua força. Um ensaio memorável para o que há de vir…
Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2008, às 17:41
Xará,
Lendo teu texto lembrei-me de expressões cunhadas na mais pura emoção imperiana. Uma delas, citada em palco, resume toda a babaquice de se valorizar critérios absolutamente relativos e que não levam em conta a essência do que é a escola, ops, universidade do samba: Especial é o grupo em que o Império desfila.
Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2008, às 18:14
Essa frase - escrita originalmente pelo Luiz Antonio Simas lá no blog, logo após a notícia de nossa queda - é uma daquelas máximas que ficarão…
Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2008, às 10:23
Serrinha vem pedir respeito… Com o Império ninguém pode.
Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2008, às 10:29
Marcelo, noites imperianas inesquecíveis virão, agora, em seqüência - até o carnaval!
Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2008, às 10:30
Xará, a noite de terça no Rival criou aquele clima de que todo o imperiano gosta: o de esperança.
Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2008, às 11:00
Noite de quarta, né, Gil? A noite de terça, fantástica também, foi a do lançamento do livro tribuneiro. Que semana…
Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2008, às 14:28
Caramba!, sobrou até pra Portela. “Império Serrano faz festa porque festa lhe é vocação”, o velho e o bom Andreazza!
Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2008, às 14:56
Olga, olímpica, vou ser sincero: não sou muito fã deste papo de co-irmã, não. Durante o ano, vá-lá, até passa. Mas quando vem o carnaval, sinceramente, é que nem futebol…
Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2008, às 15:19
Andreazza, embora eu seja um imperiano mais-que-novato - um peralta ainda, né?, um moleque - sinto um otimismo danado com relação ao desfile do Império, neste ano. Tenho convicta fé na vitória da Serrinha, meu amigo.
Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2008, às 16:36
Bezerra, meu amigo, amanhã tem Feijoada do Império e teremos, para além de Ruy Castro, a presença do tribuneiro J.P. na quadra. Não te animas a vir conosco? É, desde já, meu convidado. Caso se interesse, telenone-me - ok?
Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2008, às 17:19
Fechado, meu camarada!
Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2008, às 18:08
Andreazza, o que me deixou irritado foi o silêncio absoluto da imprensa, inclusive dos sites de carnaval, sobre a espetacular festa que fizemos no Rival. Sou capaz de apostar que se, ao contrário de superlotar o teatro, tivéssemos problema de público, isso acabaria saindo aqui e ali. Começo a concordar com vc sobre certo viés depreciativo na cobertura. Vou escrever sobre isso na próxima segunda-feira…
Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2008, às 12:20
Andreazza,
Não tiro uma vírgula do que foi escrito. É isso aí, Império é Império, onde alegria é vocação; orgulho é tradição; bateria é coração; e, nós todos, pura emoção. Ô sorte…..
Que festa maravilhoasa. Que ESCOLA DE SAMBA!!!!!
Beijos
Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2008, às 14:49
E eu aqui, salgueirense, fico triste emvulglgo saber (e por isso divulgo) idiossincrasias da nossa cidade.
Relato de uma amiga num ensaio do Salgueiro:
O mestre grita: - Pára para para!!! Quem ta atravessando aih?
— Isso se repetiu váhrias vezes. Sabem o q era? Duas senhoras/senhoritas que estavam na bateria a manda do “chefe” do morro.
E lembrando q o samba q vai pra avenida esse ano tem como um de seus compositores uma figura do “movimento”.
Kd o seu Fu, presidente da escola que não ta vendo q bateria q atravessa no ensaio atravessa tb na avenida?
Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2008, às 14:35
ser IMPERIO SERRANO é uma dádiva de DEUS. sempre sempre -sempre IMPERIO SERRANO. UM FORTE ABRAÇO DA FAMILIA Imperiana de Angra dos Reis, e estaremos na avenida sim ,obrigado. rumo a apoteose final. muita sorte para todos.
Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2008, às 02:41
Nossa! É o seu segundo texto sobre o Império que eu leio e você faz questão de falar mal da Portela. Quanto despeito e inveja, não? Faz-me lembrar o choro dum vascaíno que procura desculpas para diminuir o time que lhe venceu.
Por que ao invés de escrever esses floreados, você não se pronuncia sobre a vitória duvidosa do Imprério neste ano, e a colocação da União da Ilha União da Ilha?
De que adianta escreveres bonito, se suas entrelinhas não passam de bichos peçonhentos?
Até.