por Felipe Moura Brasil (Pim) - Quarta-Feira, 12 de Dezembro de 2007, às 15:13
Juveninho não sabe onde passar o Réveillon. Escolher aonde ir numa noite que só acontece uma vez por ano é muito difícil. Qualquer erro, e puf: só ano que vem. O sonho de Juveninho era estar presente em todas as festas da cidade ao mesmo tempo. Como a bateria da Mangueira. Como o DJ Marlboro. Como o Open Bar. Mas Juveninho não são trezentos. Juveninho só tem um, e tem horror a DJs. Não sabe por que os cientistas e os governos gastam tanto tempo e dinheiro com pesquisas de clonagem e células-tronco. Para Juveninho, os DJs têm a resposta há anos. Mas escondem.
A maior diversão de Juveninho nos últimos dias tem sido falar mal dos DJs e de todas as festas de Réveillon da cidade. Nenhuma noite no mundo, diz ele, vale 400 reais. Isto porque, dizem os amigos, ele não tem 400 reais. Se Juveninho tivesse 400 reais, seria o primeiro a pegar o bondinho da Urca para comer os “frios volantes” e os “quentes volantes” do bufê. Como não tem, fica maldizendo os volantes que, não satisfeitos em infestar o futebol, agora vêm contaminar nossa comida. Quanto menos volantes no mundo, segundo Juveninho, melhor. Um bufê na retranca não pode ser bom.
Juveninho tem passado dia e noite na internet procurando defeitos em cada evento. Nenhum vai ter um bufê de verdade. Só buffet. Se tivesse um show de balé, seria ballet. Essa gente é muito provinciana, ele diz. E adora uma exclusividade. Lounges exclusivos. Spas exclusivos. Wraps exclusivos. Tudo exclusivamente para duas mil pessoas. Juveninho, exclusive. Há até áreas exclusivas em festas exclusivas. Como o Espaço Lagoa, no Jockey, onde Juveninho só não é “bem-vindo” porque, no site, faltou o hífen. Já a Hípica fica numa das “áreas mais exclusivas e nobres da cidade”. Quando não é (só) exclusiva, é nobre. Juveninho passa por lá todo dia e não sabia disso. Para ele, só os banheiros deveriam ser exclusivos. Mas nunca são.
O site preferido de Juveninho é o do Réveillon do MAM. “Uma super produção [sic] jamais vista”. É verdade. Juveninho jamais viu superprodução separada. “A contage [sic] regressiva já começou!”. É verdade também. O eme já se foi. “Record [sic] absoluto de público”. O “e” foi junto. “Num dos locais mais nobres do Rio de Janeiro”. Mas não exclusivos. O MAM está por fora. Juveninho, aliás, contou 11(!) DJs no evento. Cada um com seu currículo. Coisas da arte moderna. Para ele, passar 8 horas com 11 DJs é pior que buffet na retranca. Para compensar, haverá uma “Bateria de escola de samba”. Só não se sabe qual. Eis o mundo encantado, segundo Juveninho, das festinhas de Réveillon. Onde bateria é tudo igual, e DJ é tudo diferente.
É de opinião, Juveninho, que o mundo e as pessoas andam ecléticos demais, laicos demais, gays demais. Que trilha sonora é como “buffet volante” ou bordel de luxo: você paga por toda uma variedade que não vai comer. Não vale a pena. Ver a bola gigante cair em Nova York deve ser melhor. Ouvir as doze badaladas em Madri deve ser melhor. Pior que 8 horas com 11 DJs, só a Avenida Paulista. Os amigos de Juveninho dizem que ele vai acabar em Copacabana. Que é a única noite do ano que Juveninho passa em Copacabana de graça. Ele não nega. É lá mesmo que se sente mais à vontade. Olhando de longe, ainda consegue distinguir de qual país é cada moça. Se cantar Auld Lang Syne, é inglesa. Se comer lentilha, é chilena. Se usar calcinha vermelha, é espanhola. Se usar amarela, é colombiana. Se não usar, é brasileira.
Juveninho não tem 400 reais. Mas reza a lenda que nunca abriu mão de uma exclusiva.


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