por Bruna Demaison - Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2007, às 15:48
Não estavam sentados olhando o mar enquanto a tarde caía arrastando os minutos de melancolia que ornamentam uma separação. Estavam matematicamente decidindo os termos dela.
– Você vem aqui no sábado, eu no domingo.
– No domingo eu ando de skate, tenho que passar por aqui.
– Então trocamos: venho sábado. Você já conversou com a galera?
– Já, ninguém vai contar nada do que souber, avisei que não quero ouvir seu nome.
– Bloqueei você no MSN.
– Eu também. E deletei seu Orkut senão sua foto vai aparecer na minha página.
– Pensei nos aniversários: quem for menos amigo da pessoa sai cedo e quem for mais chega tarde.
– Como vamos saber?
– Vamos saber.
– E a Guanabara?
– As madrugadas pares são minhas, as ímpares, suas.
– Então os cafés da manhã pares no Bibi são meus, nos ímpares você vai.
– Ok.
– E os garçons?
– Eles vão saber.
– Alguém pode avisar se um de nós quiser dançar na Matriz num fim de noite qualquer. – Precisamos ajustar esses fins de noite quaisquer.
– Vamos saber.
– Tem o celular.
– Se um ligar o outro nem atende.
– Ok.
– Você podia trocar de carro. Não quero tomar conta do seu carro por aí.
– Mas eu não tenho dinheiro agora.
Suspiro.
– Vou tirar os adesivos.
Ficaram calados. Ele comprou um biscoito Globo, ela um Matte. Ele ficou com sede, ela com fome, mas não ofereceram nada.
– E quando o Flamengo ganhar?
– Eu fico na calçada do Braseiro, você no Hipódromo.
– Ok.
– É isso?
– É isso.
– Se lembrar de alguma coisa manda e-mail. Mas escreve logo no “assunto” para eu não me assustar.


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