por João Paulo Duarte - Quinta-Feira, 13 de Setembro de 2007, às 16:19
“Tive, sim/ Outro grande amor antes do teu/ Tive, sim/ O que ela sonhava eram os meus sonhos e assim/ Íamos vivendo em paz” [Cartola; “Tive, sim”].
Você acorda linda. O sol que se esquiva da cortina ilumina o bastante. Você engatinha na cama e procura o meu peito pra acabar de acordar. O jornal amassa um pouco quando eu me livro dele pra você deitar. Me rouba um trago.
Vai andando devagar. Eu já decorei cada movimento do seu corpo.
Com o indicador da mão direita você procura um CD. Eu prefiro “My funny valentine”, mas o que toca é o disco acústico do Kid Abelha. Eu quero te encontrar. Você olha pra trás e quando sorri me resume o amor.
Pode andar de um lado pro outro; decorei tudo, mas não me canso. O que eu quis ontem eu quero pra sempre. Toda hora eu esqueço que te amo só pra sentir o calafrio da primeira vez. E já se vão seis anos. Eu não te esqueço porque não quero.
Você é cheia de estripulias, de confusões, de lutas, de família, de dificuldades, de trabalho. E o tempo que resta é todo o tempo. É pelo seu corpo que eu acordo, pelos seus olhos que eu escrevo, pela sua pele que eu volto do trabalho.
Na boate – lotada de nós dois –, você dança pra todo o meu mundo. Sussurra verso qualquer da música que não me importa. Me importa a sua boca. A gente volta e o trajeto é curto. O amor que de tão bom o coração aperta. Liga o ar que tá quente. Eu te amo tanto que esquenta ainda mais; vou te olhar mais um pouco.
O seu corpo é o paraíso das minhas mãos, da minha boca. Enquanto você toma banho, eu sirvo mais uísque, acendo mais um cigarro e invado o banheiro. A fumaça da água quente, o boxe embaça, a fumaça escura do cigarro, mais um gole. Mais uma dose. Eu também te amo. Eu te amo mais.
Quando volto do banho, você está de boxer e camiseta branca. Só tem uma luz do quarto acessa, bem fraca. Você colocou Jorge Ben.
“Com ela eu sou mais eu
Com ela eu sou um anjo
Com ela eu sou criança
Eu sou a paz, o amor, a esperança”.
Eu sou mais você que eu. Você deita, se mexe, aconchega e puxa meus braços. Eu te aperto, meu queixo esfrega no teu pescoço: teu cheiro de banho só seu. Tento acompanhar sua respiração. E quando você fecha os olhos, eu sei que posso dormir também.


Quinta-Feira, 13 de Setembro de 2007, às 12:51
Que lindo isso!
Quinta-Feira, 13 de Setembro de 2007, às 19:34
Nossa, quem é a felizarda?
Sensacional!