por C.A. - Segunda-Feira, 2 de Julho de 2007, às 11:46
Sem solução financeira capaz d´alimentá-lo, fruto do desinteresse (e também da crescente falta de condições) de patrocinadores e anunciantes privados – somado ao caráter independente, avesso publicidade oficial como suporte econômico principal –, saiu definitivamente do ar, na sexta-feira última, 29 de junho, o site NoMínimo, pioneiro do jornalismo autoral na internet.
É lamentável a perda, leitor. É grave, porém, o que ela antecipa. Gravíssimo.
Nestes tempos em que se discute liberdade d´expressão e se identifica novos acessos de censura, mormente a propósito da Venezuela do espetaculoso (e pouco sutil) Hugo Chávez, mau não seria se nossos senadores, do alto da tribuna, antes de se meterem com a soberania alheia, discursassem contra a dependência estatal absoluta que se faz já regra aqui no Brasil também no que se refere imprensa – e cujo fim de NoMínimo perfeitamente exemplifica: empresa de comunicação alguma, de Veja a Carta Capital, sobreviverá sem dinheiro público, a Globo inclusive, eis a verdade.
(Questão rápida, afinal: bateria o leitor em quem lhe dá o pão)? (Uns tapinhas, no máximo, e se ingrato – né)? (E não seria esta, portanto, uma elegante forma contemporânea – ao modo do livre mercado – de censura)?
À contra-mão do razoável, quanto mais for poderosa a máquina publicitária oficial, e esta cá o é, a cada dia mais, progressivamente pobre será a privada, enxugada de sua capacidade investidora até o nada restar. (Quanto mais fracos forem os invetimentos privados, mais fraca será a imprensa). Em outras palavras: só o Estado salva…
Sem ele, no entanto, mesmo deixando órfãos cerca de 150 mil assinantes, coisa pouca se considerados os três milhões de visitantes mensais, NoMínimo fecha as portas virtuais por não ter logrado ser, antes de jornalismo de altíssima categoria, um bom negócio financeiro.
Hoje, no Brasil, em francas palavras, jornalismo independente é coisa de maluco – ou de maluco rico, acaso pensemos na revista Piauí e no suporte do Unibanco, sujeito até este necessidade d´alguma sorte de retorno comercial, embora, talvez, com maior tempo de carência, que seja ao menos o pagar-se em dois, três anos, vá-lá.
É uma exceção.
Sob qualquer outro investimento privado, de fôlego naturalmente limitado em curto ou médio prazo, alternativa não há, dinheiro jogado fora será – e portas cerradas virão. (Isto serve também a variadas formas de produção cultural, como se sabe: cinema, teatro, música e até literatura, se esta se pretender bem editada, tudo depende de dinheiro público).
No país do futuro, se me faço Orwell, o jornalismo, ou aquilo em que se transformar, será logo-logo uma imensa “Voz do Brasil”.


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