por C.A. - Segunda-Feira, 25 de Junho de 2007, às 11:50
Recebo com surpresa violento e-mail do leitor Marcelo Alcântara, habitante de Rio Branco, capital do Acre, naturalmente em defesa de seu estado, que considera por mim ofendido na segunda edição do “Bate-papo com os tribuneiros”. Marcelo, fã do Pim, chama-me de “elitista vendido” – esta, a menor das agressões, talvez a única merecida.
A minha surpresa, porém, é de constatar que há internet no Acre. (Deve ser já a tal prosperidade aludida pelo ministro da fazenda). Daí porque, embora me tenha ele escrito vinte e sete linhas, com exatos treze xingamentos, quinze se formos mais exigentes, tão-somente lhe respondi: “Prezado Marcelo, por favor, me mate a curiosidade jornalística: tua conexão é em banda-larga”?
Haverá, é claro, quem leia deboche em minha resposta-questão. Será injusto. Sem réplica ainda, desde já registro que desejei apenas obter informações sobre o desenvolvimento do Brasil profundo, o que reputo dever incontornável dum formador d´opinião da minha estirpe, sempre tentado-desafiado pelo lascivo comodismo deste vanguardista eixo Rio-São Paulo.
Marcelo me há d´entender agora – e assim teremos aparado nossas arestas duma vez: não considero o Acre um mero sobrevivente, um acaso territorial, um fardo para a nação, um suor sem fim, um monótono seringal, distante chão de pistoleiros (e do senador Sibá Machado), zona de pilhagem por vocação, fruto duma vaidade diplomática do passado etc. Não. Mesmo fronteiriço de Bolívia e Peru, ladeado também das beiradas mais defloradas das florestas do Amazonas e de Rondônia, mesmo abrigando até reservas indígenas e, logo, índios, reconheço o quase-milagre de o estado ter conseguido, apesar dos cocares, oferecer sociedade brasileira, para além de Glória Perez e Armando Nogueira, entre outros tantos, Jarbas Passarinho e Enéas Carneiro. Tudo isso, acreditem!, em apenas 104 anos como território nacional.
(Não citei Chico Mendes porque incorreria assim no clichê – coisa extremamente dispensável, lê-se, quando se tem o Estado do Acre por objeto).
******
Venho de ser informado, com atraso, de que João Donato também é acreano - o que faz, em tempo, o estado galgar valentemente inúmeras posições, superando já com folga os irmãos federativos Roraima, Amapá, Piauí e Tocantins.
É o poder da bossa-nova, leitor.
******
Eu também pensava que sim, não saberei por quê. Mas não. Zuenir Ventura não é do Acre.


deixe seu recado