por C.A. - Quarta-Feira, 23 de Maio de 2007, às 11:45
Outro dia, em corajosa crônica, Felipe Moura Brasil, o Pim 2.6, reconheceu o destino de todo grande escritor brasileiro, auge duma carreira literária de sucesso: indicar, com seu artístico rosto estampado, porta do banheiro, onde rapazes e moças devem fazer xixi e cocô.
Se admito ser este digno final, homenagem nobilíssima, cume de valorizar a obra, investi-me porém, embora para o mesmo fim empenhado, a caminho outro, desvio de que se dirá apelativo, baixo, vil, mas cujos passos, que não se duvide!, sucedem-se mormente sacrificiosos, doridos, penosos na devoção-privação arte, todos ao norte magnânimo de conquistar a eternidade para minha reputação literária…
Faz dois anos – ou mais? – que só como carne-assada no almoço, invariavelmente ladeada d´arroz, feijão e batata-palha. (Dois anos)!
Dona Márcia, a senhora que me prepara e traz a quentinha (R$4,50), pensa que sou maluco – obsessivo, ela diz, coisa d´escritor, povo esquisito –, mas, desprovida de ambições até o derradeiro dente d´alho, jamais compreenderá qu´assim, franciscanamente, apenas persigo (e justifico) a homenagem qu´ela me fará em breve, a maior que terei já recebido, e qu´encontrar-se-á impressa e imortal em seu saboroso cardápio A-4 preto-e-branco, de respeitável circulação aqui neste edifício comercial: “Carne-assada do Andreazza”.
Uma cousa de gostoso – direi então.
(E quem me julgará se, abrindo mão de ver meu barbudo rosto enquadrado pelos toaletes da vida, ganhar o leitor pela boca – quem)?
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Tive, a propósito de minha alimentação, pesadelo violentíssimo noite última, quando, a pedir um simples filé com fritas, vieram-me essas não só no odioso formato “smile”, mas, eu juro, com os contornos do que logo identifiquei ser o rosto de Ernesto Guevara – o que me fez gemer os sucos gástricos.
Lembrei-me, então, já desperto, que, certa vez, de passagem pela Costa Brava, convidaram-me a jantar num restaurante catalão chamado El Bulli, lá onde o chefe, badaladíssimo engodo, transformava comestíveis sólidos em espuma – e assim me pretendiam atrair.
Obviamente, não fui. (E porque os que convidavam não me conheciam, em branco terá passado o texto de meu olhar, mais ou menos o seguinte: que bosta é essa de comer espuma, porra)!? Não me recordo, porém, se terei gorgolejado em seguida. Não importa.
Preocupa-me agora, eis a verdade, explicar porque, enquanto presentemente escrevo, vêm-me cabeça, insistente, entre tantos enganadores possíveis, a face de dois tipos charlatões mais desprezíveis que açaí – e talvez me ocorram, será isso?, porque equivalentes artísticos perfeitos do alquimista culinário da Catalunha, Ferran Àdria o nome do picareta: o farsante Jackson Pollock (com a cara do Ed Harris, paciência), que sofria de gonorréia em seu pincel, e Paulo Coelho, o mago, ele que, sou capaz d´apostar uma garrafa de morango-com-cacau, já esteve no El Bulli.
Esta gente, é sabido, identifica-se logo, algo a ver com Warhol, com o legado pop etc. – e sempre dá um jeito de se encontrar. (Mas isso só porque há quem pague caro para lhes forjar alguma identidade).
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Eu, de minha parte, pagaria caro para ter agora, diante de mim, sem testemunhas, a portentosa rabada da Aparecida, sobre a qual, desta vez já íntimo, plantaria tufos indecentes de agrião.
Aí, então, senhoras e senhores, a felicidade plena!, em seguida da qual, é provável, talvez me viesse a dar com a cara de Felipe Moura Brasil enquadrada por aí…
(E não terá o artista também o papel de nos trazer de volta realidade)?


Quarta-Feira, 23 de Maio de 2007, às 21:37
eu queria uma cronica humoristica mais mesmo assim gostei muito dos seus sites