por C.A. - Quinta-Feira, 17 de Maio de 2007, às 11:47
O prêmio Tim prestou ontem justa – justíssima – homenagem a Zé Kéti, e isso a despeito de reproduzir alguns velhos-típicos desvios de foco quando o assunto é o grande sambista (e sambistas de modo geral, registre-se), falecido em 1999: para muito além de sua posição política no auge da ditadura, de sua participação cult no teatro Opinião, de sua presença na gênese do cinema-novo, de seu diálogo com a bossa-nova, de sua atuação no Zicartola etc., tudo verdadeiro, sim, mas tudo também francamente estereotipado, de valor deveras exagerado, para além de tudo isso, a importância maior de Zé Kéti, que não nos esqueçamos!, é musical e está ali, evidente, na obra dele, nas músicas que criou, nas marchinhas, nos sambas que compôs, alguns clássicos atemporais, que resistirão aos carnavais infinitos, todos eles, ainda que o mesmo não se possa afirmar (graças ao bom deus) dos filmes e palcos onde boa parte dessas canções terá aparecido pela primeira vez.
(Apenas para listar um punhado, são de Zé Kéti, sozinho ou com parceiros como Nelson Cavaquinho e Élton Medeiros, “Malvadeza Durão”, “Máscara Negra”, “Leviana”, “Mascarada”, “O meu pecado”, “Diz que fui por aí” e, sim senhor, “A voz do morro”).
Sem jamais tirar o mérito de reconhecimentos públicos como o de ontem no Theatro Municipal, póstumos que sejam, é mister lembrar: Zé Kéti não precisa de “muletas” e tampouco de justificativas externas, diminuições-diluições por fim, para uma homenagem – ele será sempre mais interessante quanto mais absolutamente ouvido.
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“Vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é carnaval”…
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A homenagem ao grande Zé Kéti poderia, a propósito, resultar no milagre d´encontrarmos nas melhores casas do ramo os dois discos-solo que gravou: “Sucessos de Zé Kéti”, o primeiro, e “Zé Kéti”, o segundo, ambos já em CD.
Mais fáceis d´achar são os também dois do conjunto A Voz do Morro – e isso não por sua causa, mas antes pela presença no grupo dum outro integrante, então no início da carreira: Paulo César Baptista de Faria, o Paulinho da Viola, alcunha artística criada por, ora, Zé Kéti.
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A respeito da premiação em si, comoveu-me a vitória de Tantinho da Mangueira – melhor disco de samba com seu referencial “Memória em verde-e-rosa”.
Igualmente difícil d´encontrar, o vi outro dia, dando sopa, na Livraria da Travessa do Leblon. Bom pácas!
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Curiosa a participação musical (voz e violão) do Ministro da Cultura, Sr. Gilberto Gil Moreira, ontem no Theatro Municipal, ali defronte Biblioteca Nacional, lá onde, de repente me lembrei, os funcionários estão em greve…


Quinta-Feira, 17 de Maio de 2007, às 14:52
Faltou falar q ele torcia para a melhor escola de samba do Rio e do Brasil.