por Bruna Demaison - Quarta-Feira, 18 de Abril de 2007, às 13:14
Virgínia Tech, Darfur, China, entre outras mil és tu, Brasil, que me atormenta. Isso está uma merda, com todas as letras e com toda a força. Se não posso falar do país inteiro, quero que o Rio, e com esse eu posso fazer o que quiser, vá para o inferno. Com sua falta de perspectiva, sua péssima qualidade de vida, seus aluguéis caríssimos e salários vergonhosos, sua polícia mal-preparada, seus esquemas paralelos, seus projetos circenses, sua falta de foco, sua mania de soluções em curto prazo, sua hipocrisia e principalmente com as suas pessoas sem um pingo de vergonha na cara. Para mim já chega, e não vou escrever “Basta” em nenhuma janela idiota blindada ou insulfilmada, não vou votar em Cristo nenhum, não vou acreditar que somos um país jovem de gente que não desiste nunca. Não somos porque aqui não existe o somos, mas o eu sou sem nenhum senso de coletividade, e não somos porque essa gente não desiste nunca é de se dar bem.
Eu quero me dar bem porque conquistei esse direito com braço forte, preparo e dignidade. Eu quero metrô, educação, oportunidade, quero ter escolha e não ter que me virar para sobreviver, quero saúde pública, direito de ir e vir, quero poder escrever sobre isso e ninguém pensar “ai, que saco, isso não tem jeito”. Eu sei, não tem jeito, tem um caos aéreo que nos impede de fugir a qualquer hora, melhor se planejar. Eu vi gente chorando, gente tremendo, vi gente contando normalmente que saltou do ônibus porque a rua estava fechada e foi andando para o trabalho no meio do tiroteio, vi gente fazendo piada, vi gente, tanta gente. Gente deitada eternamente em berço esplêndido sem fazer nada. NADA.
A própria morte desafia o nosso peito em cada esquina. Penhor de que igualdade? Nos distingue o saldo no exterior, o dever de cada dia e nos distingue o caráter. Será que foram teus filhos, ó Mãe Gentil, que te traíram, ou por ti se sentem traídos a cada amanhecer de tiroteio no Morro da Mineira? A cada desvio de verba? A cada escândalo, tantos que nem temos os nomes? Paz no futuro. Quando? Glória no passado. Quer mesmo falar de passado? Chega de sonhar, eu quero realizar.
Anda desanimada a criança que corria em teus risonhos lindos campos. Um filho teu não foge luta, mas não necessariamente luta por ti nem contigo porque sim, teme a morte. Teme a morte quem tem o que perder. É por isso, ó Pátria Amada, que teus filhos não temem mais nada? Daqui a pouco a raiva passa de novo e a criança segue mais uma vez. Mas que diabos o teu futuro espelha?


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