por C.A. - Quinta-Feira, 12 de Abril de 2007, às 11:53
Não há motivo para otimismo – não há.
E que não me venham agora, de novo, cobrar participação em movimentos do tipo “Basta” etc. – porque acredito mais na ingenuidade do presidente-parati Lula que na generosidade da classe-média carioca. (Aliás, a única passeata de que participei, alienado de todo, a dos “caras-pintadas”, só legou – tradicional sociedade novaiguaçuense, ressalve-se – o escroque do Lindenberg Farias e a mim, pessoalmente, a lembrança duma menina gordinha, assaz fogosa, cujo beijo me dilacerou a língua). (Do histórico movimento estudantil, o de 1968, ao Brasil ficou – por melhor quadro! – o expressivo José Serra, destaque entre Vladimir Palmeira, Franklin Martins e Zé Dirceu). (Ou seja – se me consolo: dilacerada restou também a língua da nação)…
Mas, retomando: otimismo para quê? Para alimentar de verbas públicas – ad infinitum – estelionatários oficiais? Otimismo, leitor? Onde? Porque moro no Rio de Janeiro – e não em Nova Iorque ou Paris, porquanto isso seja questão de tempo. (Não serei o último a sair – mas posso, sim, apagar a luz). (A sacanagem sempre rola mais gostosa no escurinho, não é)?
A cidade, qualquer uma, é reflexo absoluto de suas gentes e o povo desta Guanabara, que urina penumbra das ruas e escarra no chão como se a pisar nos astros distraído, é miseravelmente desprovido da base mínima d´educação necessária a uma virada, digamos, cidadã.
A população do Rio de Janeiro, ignorante e entorpecida por décadas e décadas de farsantes marqueteiros como o prefeito-virtual Cesar Maia (este entusiasta de primeira hora das milícias suburbanas e velho parceiro dos bicheiros carnavalescos), é massa fresca a toda sorte d´enganações e enganadores, daí porque já-já virá o Pan, sonho honesto de muito poucos, mormente vaidade e golpe de politiqueiros sem escrúpulos, e cidade nada – nada! – será legado.
Absurdos, contudo, esses nos são oferecidos com antecedência olímpica…
Ontem, a propósito, o presidente-parati Lula, a pregar uma de Getúlio, esteve no Maracanã para a formatura de cinco mil jovens favelados, guias cívicos durante os jogos deste 2007, e enquanto clamava rapaziada que seguisse seu exemplo de vida, meu deus!, o pau comia nas arquibancadas do Mario Filho, pois que duelavam elementos – futuros guias cívicos, repito – de comunidades dominadas por facções traficantes adversárias, notadamente Complexo do Alemão, Rocinha e Vidigal.
Prudentes, líderes comunitários presentes cerimônia solicitaram Secretaria Nacional de Segurança que as facções faveladas rivais, sob risco d´enfrentamentos, não fossem misturadas – no que não foram atendidos. Bastou, então, para que vagabundos se pegassem no braço – e tudo, pertinentemente, sob as barbas do presidente-parati, segundo ele mesmo, modelo de formação a ser seguido, mas que permaneceu impassível, péssimo exemplo, como de hábito, diante do vergonhoso tumulto marginal-juvenil, quando deveria encerrar, de imediato, a solenidade, retirando-se, e cancelar esta palhaçada de guia cívico e o escambau, porque a cidade, sitiada, antes de perfumaria para agradar e justificar sociólogo de viva rio etc., precisa de escola básica para suas crianças, de segurança pública na prática, consistente, com policiais bem-treinados e equipados nas ruas, e de governantes que saibam se planejar em linhas mais responsáveis que aquelas, mui belas, dos cadernos de intenções, esses cujo destino é avolumar pilha e repousar poeira.
Exemplo, senhores prefeito, governador (é, está na hora do Cabralzinho pegar no batente, ora) e presidente, exemplo é trabalho – e por vadio, se me permitem a franqueza, não discrimino cafetão de van do de carro-oficial.
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Fico, de todo jeito, a imaginar dois jovens quaisquer, abandidados ambos, moradores de favelas comandadas por grupos traficantes adversários, treinados contudo para orientar civicamente as gentes visitantes da cidade durante o pan-americano – guias cívicos, insisto! –, encontrando-se, por acaso, nas ruas do balneário e se matando diante dum turista, sei lá, canadense, um idiota que acreditou ser o Rio capaz de receber turistas.
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Isto, claro, se o supracitado idiota canadense não tombar antes de dengue, como a campeã brasileira de duathlon Gisele Lisboa Ribeiro, 27 anos, que, pasmem!, treina na Barra e em Jacarepaguá, bairros que concentram boa parte dos centros esportivos do pan-americano…
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É típico dessa gente que governa o Estado do Rio de Janeiro inaugurar uma obra inacabada, como a do emissário da Barra, com coquetel e pose capaz até de dissimular o cheiro de merda no ar – e merda, convenhamos, para além do cocô propriamente dito…


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