por Felipe Moura Brasil (Pim) - Quarta-Feira, 28 de Marco de 2007, às 13:18
Pediu ao carcereiro uma almofada. Tinha bom comportamento, ele ficou de providenciar. Na mesma noite, conseguiu. Eufórica, pegou a almofada e tentou pela primeira vez. Olhos abertos, o carcereiro no teto. Nada. Olhos abertos, o carcereiro na parede. Nada. Olhos fechados, o carcereiro numa praia deserta. Nada. Olhos fechados, dois carcereiros. Olhos fechados, dois carcereiros e a vizinha de cela.
Olhos abertos, a mão da vizinha de cela na grade. Pernas cruzadas, duas mãos na cela. Pernas abertas, o carcereiro na grade. Olhos fechados, o carcereiro na cela. Olhos abertos, o carcereiro nas pernas. Olhos fechados, a almofada na boca. Mãos algemadas, o carcereiro nos seios. Seios no chão, o carcereiro na sela. Cotovelos no chão, os joelhos abertos. Dentes no chão, as mãos nas costas. Olhos abertos, meias almofadas. Olhos fechados, a alma na boca. Boca fechada, a fada na praia. Cabelos nas mãos, cabelos ao vento. Joelhos fechados, o cavaleiro na sela. Dentes abertos, o sol na fada. Mãos livres, o sol na grade. Olhos abertos, o carcereiro na grade. Olhos fechados, a alma na fada.
E dormiu.


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