por Bruna Demaison - Quinta-Feira, 22 de Marco de 2007, às 13:21
Agora eu estou feliz! Transbordo otimismo. Provavelmente daqui a cinco minutos, quando efetivamente falar com você e tiver que encarar a realidade, tudo vai desmoronar, mas agora eu estou feliz. Agora meu coração bate barulhento, eu faço planos, saí de um banho de horas onde gastei meus mais caros sais, vesti um roupão felpudo branco como se fosse uma diva de filme antigo. Elas sofrem, as divas, mas agora estão na cena onde o tempo passa rapidinho e só toca música. Essa é a hora em que eu não sinto medo nenhum, nem penso se você vai atender o telefone, se vai falar oi ou ooooi, se vai sorrir ou passar a mão na testa, se vai perguntar que horas me busca ou inventar um compromisso. É a hora em que eu lembro e, sem perceber, fico sorrindo como boba. Encaixo você em todos os assuntos, listo opções de lugares para irmos, partes do seu corpo para beijar, planejo gastar mais horas naquele abraço que não aproveitei bem da última vez.
Faz quanto tempo? Nunca achei que fossemos nos reencontrar, no meu mapa você estava em outro continente para sempre e de repente… A sua volta trás de volta minha incrível capacidade de imaginar, criar uma pessoa e distanciá-la cada vez mais da realidade porque minhas criações são, quase sempre, muito melhores do que o ponto de onde partiram. Das minhas criações você foi a mais verossímil.
Esse momento volátil de felicidade me faz arrogante: posso provar que todos os céticos estão errados, ensinar ao mundo a desconfiar da máscara conformada da solidão. Ou… talvez você só não me queira. Se só não me quiser não gasta nem um segundo pensando no telefone que está tocando. Se só não me quiser atende e diz que não me quer. Eu desligo, choro, continuo em frente. Existirão outros momentos felizes assim. Mais contidos, mais calejados, mas potencialmente felizes. Eu lembro quando deixou de ser absurdamente maravilhoso - foi quando começou a ser estranhamente distante e sinalizantemente danoso.
Mas agora não é disso que quero lembrar, agora estou feliz! Lembra? Agora desembaracei o cabelo que você despenteou, olho na cama o vestido amassado, como faço para que esse sentimento não passe? O tempo está passando. Vou ter que ligar. Você vai destruir minha euforia? Precisa insistir que já não deu certo? Precisa conversar de novo e pesar prós e contras e agir como se fosse uma questão a analisar e não a sentir e viver e saborear? Podemos não falar sobre isso? Está bem, vou ligar. Pode atender, faz o que quiser, isso é mesmo tudo uma grande loucura da minha cabeça.
Eu poderia ser loucamente feliz se não vivêssemos nesse sanatório.


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