por Bruna Demaison - Sexta-Feira, 2 de Marco de 2007, às 13:27
Esse é um texto subjetivo. Todos são, mas esse é mais.
Porque eu não me apaixonei de cara, na primeira vez inclusive vi seus defeitos, e essa é a história de quem foi seduzida aos pouquinhos, conquistada dia-a-dia, de quem depois de poucos dias passou os seguintes a suspirar, a comparar aquelas sensações com o resto, a falar sobre o objeto compulsivamente. Pode ser ridículo, e sempre é. Mas é bom… Pode ser clichê, e sempre é. Mas não consigo ser original! Pode ser que passe, sempre passa? Mas vai ficar a lição de que não adianta fugir, o cérebro não explica o que nos encanta. Ufa!
Cheguei cedo e fui direto te encontrar no que lhe é mais óbvio. Torci o nariz, não falei que supervalorizavam? Uma poluição visual, cadê o charme discreto, a sutileza, o que eu vou ter só para mim? Nos conhecemos melhor, um dia eu sorri por alguma coisa cotidiana, no outro você me ofereceu o que sabia que eu já gostava, no terceiro eu quis um pouco mais, no quarto sentia que te conhecia intimamente. Como se alguém pudesse! Terá sido na pista de patinação ou nos corredores do Metropolitan? Nas suas grandes marcas que Narciso achou feio porque não era espelho ou no despojamento calculado da sua modernidade? Acho que foi um pouco de tudo - a admiração, o medo, a vontade de aprender, o sentir-se parte, as muitas críticas porque podia ser quase perfeito se isso fosse possível. Podia ser melhor, mais humilde, mais acolhedor, menos petulante e rancoroso. Podia ser mais europeu (risos). Mas não seria você.
Seja qualquer coisa, mas seja você. E, sendo sempre você, enfrente seus altos e baixos, se reinvente, jogue na cara de quem duvidou que não deveriam ter desconfiado da sua capacidade. Acho que foi aí. Ver que seis anos depois de dois aviões terem jogado abaixo seu símbolo máximo você voltou a ser Nova York me fez te respeitar. Sou tão pequena perto dos seus prédios! São mulheres tão poderosas e homens tão bem vestidos, idéias que sabem ir adiante, restaurantes de todos os sabores e lojas de todos os modelos, arte de todos os tempos, calças tão justas com botas tão longas, publicidade tão rica, limusines tão deselegantes, I wanna be a part of it, será que eu posso?
Sua gente não aprendeu a lição. Não entende a palavra Tolerância. Co-existência. Respeito. Tem o desenho de um Bob Esponja segurando a bandeira americana no que foi o World Trade Center! “O sol brilhava em NY em 11 de setembro de 2001″, diz a linha do tempo no canteiro da obra onde está sendo construído mais um arranha-céu. Já viram outros memoriais de guerra? Deveriam olhar para aquele chão.
“Viajar é fatal para preconceitos, para o fanatismo e para as mentes estreitas”. Mark Twain era um grande viajante. Para mim ainda falta um cruzeiro na Grécia, uma massagem na Tailandia, ir praia na Croácia, navegar pelo rio Amazonas, fazer um safári na Africa, passear em um mercado turco, dançar na Polinésia, passar uma noite no Four Seasons de Sidney, jantar em Capri, assistir ao balé Bolshoi, celebrar o Natal em Viena, ainda falta voltar a cada lugar por onde já passei para rever com mais calma, abandonar a ansiedade de mochileira entusiasmada. Ainda faltam tantas coisas! Em cada parada aprendo algo novo, e sempre redescubro que tudo é relativo e depende de um ponto de vista. Tudo ensina, e sempre existe uma outra maneira.
Manhattan me apaixonou pela neve do Central Park, pela suntuosidade da 5a Avenida, pelos diamantes da Tiffany&Co, pelos doces do Dean & Deluca, pela novidade do Meatpacking District, pelo poder das emissoras de TV, pela Park Avenue, pelo MoMa sozinho ou acompanhado do Met, Guggenheim e tantos outros, por essa quantidade de opções em tudo, pelos restaurantes acessíveis e imponentes, pela melhora na segurança, pela tecnologia nos olhos e ouvidos de todas aquelas raças que vivem nos apartamentos minúsculos ou nas penthouses hollywoodianas. Pelo poder. Se eu consigo fazer ali, posso fazer em qualquer lugar. Só depende de você.


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