por Felipe Moura Brasil (Pim) - Quarta-Feira, 28 de Fevereiro de 2007, às 13:28
Juveninho não quer falar de carnaval. Passou, passou. Morreu. Puf, como diria o Jack, de Sideways. Juveninho adora Sideways. Queria entender de alguma coisa tanto quanto o Miles de vinho. Mulheres gostam de especialistas, ele diz. Não importa o assunto, é o eterno fetiche pelo professor. Se você souber ensinar a uma mulher tudo sobre a marcha dos pingüins, está feito. É só não desmunhecar.
Juveninho não quer falar de carnaval, mas dele tirou uma importante conclusão: a vida já é muito difícil; logo, a mulher tem que ser fácil. Depois de uma certa idade - ele ensina às amigas - o homem inteligente e trabalhador não tem mais forças para gastar com a conquista, não tem mais tempo para colocar os desafios no lugar errado. A mulher difícil, portanto, perde bons partidos por pura vaidade. Ao que as amigas desconfiam: Juveninho passou o carnaval na lisura.
Há, contudo, quem diga ter visto Juveninho com uma ruiva no Me Esquece; há quem diga ter visto Juveninho com uma loira no Céu na Terra; há quem diga ter visto Juveninho com uma mulata no Boitatá. Sobre a ruiva, ele não quer falar. Puf. Sobre a loira, ele não quer falar. Puf. Sobre a mulata, se insistirem, ele fala. Juveninho não é de fazer doce, só não gosta que lhe perguntem e não ouçam a resposta. Como sua mãe: “Vai à praia, meu filho?” “Não.” “Passa protetor, hein”. Então primeiro se assegura da atenção dos interlocutores. Todos aí? Ótimo.
Não era mulata. Era crioula. Assim se disse. E não foi no Boitatá; Juveninho a conheceu no Bola Preta. Usava a camisa “Sou bola”, mas era magra. E usava uma espécie de biquíni jeans. Disse que morava no posto seis, em Copacabana, de modo que Juveninho ficou na dúvida se ela morava ou fazia ponto. Até que a multidão prensou os dois sobre um tapume da Rio Branco, e o abraço involuntário se tornou um beijo voluntário e suculento. Por sorte, algumas moças do Coqueirão passavam por ali na hora e viram o que Juveninho chama de amostra grátis da miscigenação carnavalesca. É bom que elas saibam: Juveninho gosta da cousa quente.
Mas e aí, perguntam os amigos, já ligou? Ele apenas sorri. (Ok, Juveninho gosta de um doce.) Afinal, não pode adiantar capítulos de A repugnância pós-cópula pela fêmea não amada. Todo especialista deve usar seus conhecimentos para fins específicos. Ter objetivos, ele diz. Com as mulheres, a cama. Com os homens, vender livros. Quem faz as coisas só para aparecer, segundo ele, é viado enrustido. Juveninho conhece vários. São ciumentos, vítimas do mundo, reclamam sua atenção, acham que tudo que é seu é deles também. Juveninho os trata com a devida indiferença, “a essência da desumanidade”, como aprendeu com Shaw, porque ser desumano é fundamental, ainda mais no carnaval.
Só espera que eles não o sigam por aí. Juveninho acaba de sair para o posto seis e, naquela dúvida, levou um dinheirinho a mais.


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