por C.A. - Sexta-Feira, 2 de Fevereiro de 2007, às 16:00
Presente
Na cidade solar, chuva é exceção.
Um dia, contudo, pôs-se a chover e assim choveu por dias, vários dias, não se sabe quantos.
Foram então perguntar ao sábio se havia mudado a cidade – ao que ele respondeu: “A cidade não mudou. Apenas se acumularam as exceções”.
Passado
Com o tempo, chuva ausente por regra, s casas da cidade solar já não mais davam teto. Poucas o tinham – as mais antigas somente.
Os motivos eram econômicos.
Também nas escolas se deixou de ensinar a ciência do teto, cátedra vencida, e era raro encontrar os que o sabiam construir – os mais velhos somente, doentes e sem força.
Reuniram-se pois, em assembléia, os engenheiros. Decidiram ouvir o sábio – que mais não falou: “Exceção é possibilidade remota, é desvio, mas ainda assim possibilidade e caminho. Só há exceção onde há passado, de cuja existência nos lembra”.
Futuro
Os pais das crianças da cidade solar proibiram-nas de brincar chuva, porquanto não a conhecessem. Não é que temessem doenças ou tivessem receios outros, porquanto não a conhecessem e os receios experiência demandem.
Proibiam-nas porque sobre os filhos projetavam seus passados e só os seus, falsos passados portanto, ou tão-só sem chuva, mas a que de todo jeito já não pertenciam as crianças, filhas dum tempo de exceção, crianças s quais ora se ameaçava cegar também o futuro, este em que não caberiam os pais – este em que poderá chover.
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Não há bibliotecas na cidade solar.


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