por Felipe Moura Brasil (Pim) - Segunda-Feira, 22 de Janeiro de 2007, às 13:32
Juveninho cresceu - e já há quem o chame de Juvenal. (Mentira. Não há. Mas Juveninho cresceu.) Seu maior aprendizado depois de grande: a arte de dizer não. Hoje, nas calçadas, recusa todos os panfletos. Quem os aceita, crê Juveninho, ainda não faz certas coisas de adulto. A menos que os panfletos sejam de prédio novo no Recreio, claro. Ele não diz por quê, mas os amigos suspeitam de uma tara secreta pelas moças do sinal. Certa vez, na Lagoa-Barra, uma delas o reconheceu.
Não se diz, Juveninho, nem romântico, nem cafajeste. Acredita, aliás, que todos os cafajestes são românticos. E que todos os românticos são broxas. Nunca confiou em quem se diz alguma coisa, mas, se tivesse que escolher, dizer-se-ia cafajeste. Sabe que é dos cafajestes que as moças gostam: Vinícius de Moraes, Chico Buarque, essa turma. Está seguro, Juveninho, de que não há palavras mais cafajestes que “A beleza que vem da tristeza de se saber mulher/Feita apenas para amar/Para viver pelo seu amor/E para ser só perdão”. O sonho de Juveninho: convidar uma moça do seu tempo para “ser só perdão”.
Não para isso, adiciona as fotogênicas do orkut no messenger. Puxa assunto com todas ao mesmo tempo. Diverte-se. Pensa, Juveninho, que a pior coisa que pode acontecer à personalidade de uma mulher é ser fotogênica. Quer ter três filhas. Sua maior torcida: que, nas fotos, todas saiam com cara de bunda. Se depender dele, dizem os amigos, o sucesso está garantido. Sucesso não é importante, responde Juveninho, evasivo. Reencontrou, há pouco, no cinema, uma dessas amigas de adolescência, mais atraentes que talentosas, das quais se ouvem falar pelos jornais depois de anos. Seu maior arrependimento: ter dito “parabéns pelo sucesso”. Se fosse para parabenizar alguém pelo gosto dos outros, debate-se ele, era melhor aplaudir o inventor das passas. Juveninho odeia passas.
A maior mentira da humanidade, segundo Juveninho, é o “tudo bem”. Ninguém está com “tudo” bem, ele diz. No mínimo, o papagaio está doente. Quando alguém lhe pergunta se está “tudo bem”, Juveninho responde, enfático: “Estou bem”. Mas admira a sinceridade muda dos que se perguntam sem se responderem: “Tudo bem?”, “tudo bem?”, e vida que segue. Para mendigos e flanelinhas, contudo, Juveninho diz “Tenho não”, mesmo quando tem sim. No fundo, acha, Juveninho, que algumas mentiras são fundamentais para a civilização - mas só as que ele utiliza - e que algumas perguntas não merecem respostas - lista da qual exclui convites para se tomar um sorvete, sobretudo se de flocos.
Do amor, Juveninho não espera mais do que carinho, conforto e segurança. (Mentira. Espera. Mas gosta de carinho, conforto e segurança.) É sensível, Juveninho, à mulher higiênica – aquela que limpa o vaso antes de utilizá-lo – e à mulher solidária – aquela que limpa depois. Na cama: mais à segunda do que à primeira. A experiência já o permite reconhecê-las sem a necessidade de acompanhá-las ao toalete. É de opinião, Juveninho, que quanto mais em bando se anda, menos em cama se mexe. (O que serve para ambos os sexos, ele avisa, embora o masculino não lhe interesse.) Seu lugar favorito para fazer amor: o quarto da empregada. Não necessariamente com a empregada. Juveninho não limita seu público, e só tem, na verdade, duas considerações a fazer. A primeira: que seja mulher. E a segunda: que não o chame de “Ju”.


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