por C.A. - Terca-Feira, 16 de Janeiro de 2007, às 16:03
Não é que vá maldizer o verão, incipiente ainda, fragmento confiante do que poderá ou reminiscência pálida do que foi, quiçá tão-só a se ensaiar, de todo jeito tímido qual jamais, d´esconder das moças os vestidos, que pecado!, os corpos soltos ao tecido e tessitura da imaginação soltos, onde-onde?, o verão, onde?, discreto quase outono, de se perguntar afinal, ora, mas e o sol – virá a tempo?
(E as calcinhas sob os panos sombreadas, meu deus, onde)? (Onde os sustenidos seios d´a cada passo uma nova cadência, onde?, ao mesmo tempo improviso da carne e milagre da gravidade – onde)?
Não é que vá desfazer do verão, por favor, mas de mim o que fará ele? Já se cá vem o carnaval, lá onde sou mais feliz ou apenas mais eu – e o que me antecipará agora de fevereiro que não só isto que intuo ser, como se diz, o inferno astral, o tal?
(Há inferno astral para quem é dos astros descrente)? (E a nuvem negra sobre a cabeça, há semanas também sobre toda a cidade, dar-me-á ao menos o luxo da exclusividade – hein)?
Hein?


Terca-Feira, 16 de Janeiro de 2007, às 18:03
“Venho de ler” com um pequeno atraso esse pequeno texto e devo dizer, escritor, que a nuvem negra sobre a sua cabeça não poderia ser exclusividade sua, mesmo que não estivesse no momento (passado recente, pois que hoje faz um dia de sol lindo!)sobre a cidade, porque ela já me acompanha há muito. Tenho testemunhas!
Esse texto me fez lembrar um dos seus textos que mais gosto: O vestido. Nessas horas dá uma saudade do site antigo…